Inferências - Ponte Barreiro – SeixalÉ estruturante para o desenvolvimento do Arco Ribeirinho Sul

Por Jornal Rostos
No principio do mês de Maio, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro decorreu um sessão de apresentação do Estudo de Mobilidade Intermunicipal dos concelhos do Barreiro, Sesimbra, Seixal, Palmela e Moita.
Nessa iniciativa Sérgio Barroso, Administrador da CEDRU (Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano), fez uma intervenção que na altura deixou-me deslumbrado.
De memória recordo – e peço desculpa se estou a errar – que Sérgio Barroso considerou essencial que os municípios da Península de Setúbal e, em particular os abrangidos pelo Plano de Mobilidade, colocassem como prioridade o desenvolvimento das ligações interconcelhias, desenvolvesse projectos que contribuíssem para aproximar os concelhos, dado que tal era essencial ao desenvolvimento da região.
De facto, sem perceber nada destas matérias, mas apenas por sensibilidade, já por várias vezes tinha salientado este caminho como fundamental para o desenvolvimento da região.
Admitindo que as ligações com Lisboa são importantes para aproximar as duas margens, referi, em comentários diversos, que as melhorias de mobilidade entre os concelhos da Península era fundamental para gerar massa critica, potenciar áreas de mercado, contribuir para valorizar as forças endógenas, criar condições para de forma estratégica potenciar equipamentos que, pela sua natureza e valências pudesse servir de forma eficaz a região.
Neste contexto, defendi várias vezes e recordo até, a minha amiga Manuela Fonseca, aqui o escreveu, que a construção da Ponte Barreiro-Seixal devia ser assumida como uma prioridade, para os dois concelhos e para a região.
A construção desta ponte, dou só um exemplo, pode ser um contributo para pensar de forma mais abrangente um plano na área da Saúde para a Península de Setúbal que dinamize três pólos de dimensão regional – metropolitana – no que diz respeito à prestação de serviços na área hospitalar – valorizando o Hospital do Barreiro como uma unidade de referência regional( Seixal vai ficar a 10 minutos do Barreiro), conjuntamente com o Garcia da Orta e Hospital S. Bernardo.
Igualmente, a ponte, contribui para dar à Mata da Machada e Sapal do Rio Coina um significado de grande área de biodiversidade que pode ligar estratégias ambientais dos dois concelhos e da região.
Uma ponte que vai valorizar o território de Coina, no concelho do Barreiro e a Quinta do Conde, em Sesimbra.
Uma ponte que potencia o concelho do Seixal colocando-o mais no centro da região.
Mas, ligar o Barreiro- Moita ao Montijo, é outro projecto a desenvolver e pensar como prioridade, quer pelo aumento de proximidade a Lisboa, quer pela existência eventual do Aeroporto – fique no Montijo ou no Campo de Alcochete.
Ainda, ligar a IC2 do Barreiro a Sesimbra, liga também o Seixal, porque vai aproximar os concelhos das zonas próximas do Tejo, das áreas da Serra da Arrábida e do Atlântico.
Valorizar a mobilidade da região é criar economias e escala, é criar futuro, é potenciar um território que, depois, pela sua capacidade de autoafirmação, Lisboa, sem dúvida, de uma vez por todas, vai ter que olhar para cá e decidir-se de uma vez por todas dos seus «dois amores» - ou quer crescer para a zona Oeste, até Peniche e pode continuar a ter estratégia nesse sentido, mas, vai começar a sentir que aqui, no lado de cá do Tejo, pode também encontrar, não só a mão de obra que a serve, mas uma região que lhe pertence e que faz de Lisboa uma grande área metropolitana europeia.
Fico feliz, por, ser colocado na agenda das Câmaras Municipais do Barreiro e Seixal – sei que a reivindicação existe há muitos anos – mas é hoje, aqui e agora, que decidem dar as mãos e conjuntamente mobilizar esforços para que este projecto se concretize, valorizando a região e, deixando ficar em «lista de espera» a Terceira Travessia do Tejo, que um dia, mais tarde, ou mais cedo, por uma questão de estratégia europeia terá que avançar..
A hora é de mobilizar a comunidade todos para que este projecto da ponte Barreiro- Seixal se concretize contribuindo para alargar áreas e dar escala aos territórios da Península de Setúbal, do Montijo a Almada, porque, tal, é estruturante para o desenvolvimento do chamado Arco Ribeirinho Sul.
António Sousa Pereira













