InferênciasDa Economia do Mar à instalação de serviços no Barreiro

Por Jornal Rostos
Hoje, Ana Paula Vitorino, no decorrer da assinatura do protocolo para a construção da Infraestrutura de Bivalves, referiu que o lançamento deste projecto era a primeira das actividades ligadas ao mar e que esta iniciativa devia ser considerada uma âncora para que no Barreiro fosse dinamizado um processo de desenvolvimento económico em torno da Economia do Mar.
O projecto vai ser lançado, não nos territórios da Baía do Tejo, mas, em terrenos conquistados ao Tejo, nos anos 70, que são da responsabilidade da APL, ali, onde estava construída a antiga central da EDP, no Lavradio.
Sem dúvida é positivo que se inicie um caminho de implementação de novas indústrias no concelho do Barreiro.
Ao escutar as palavras da Ministra do Mar ocorria-me ao pensamento as muitas vezes que escutei, José Caro Proença, a falar e comentar a importância do Mar na história do Barreiro e, salientando, que o futuro do Barreiro devia ter uma visão estratégica que perspectivasse o desenvolvimento de indústrias na área da economia do mar. Lá por ele anda, certamente, hoje, ele deve estar a sorrir.
Recordo mesmo, as opiniões de José Caro Proença, numa conferência com o tema – O Barreiro e o Tejo - que decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, promovida pelo Bloco de Esquerda, na primeira candidatura de Mário Durval, quando Emídio Xavier foi eleito presidente. Tanto tempo perdido.
Mas nunca é tarde. Talvez por isso a dita «geringonça» tenha valido a pena.
Mas, para mim, o importante e mais que estar a discutir paternalismos – a velha história do pai da criança que anima os nossos políticos locais – o que retiro do dia de hoje e de acontecimentos recentes é a prova real que, um concelho que sofreu uma profunda desindustrialização, com terrenos abandonados e sem utilização, só pode avançar rumo ao futuro se, na verdade, o Poder Central em parceria com o Poder Local, dinamizarem estratégias, implementarem projectos que valorizem o território.
Está de parabéns a Ministra do Mar, com a implementação deste projecto de infraestrutura de bivalves, por duas razões – por dar um passo para que se inicie de forma ponderada a reindustrialização do Barreiro, com indústrias de novas tecnologias e não poluentes, e, neste caso, outra razão, a recuperação de um território que era, mais um, espaço vazio na vida do concelho.
Está de parabéns, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que de forma serena tem vindo a negociar estratégicas potenciando ideias, de forma a dar às ideias conteúdo. Uma ideia só tem valor quando deixa de ser ideia e passa a ser realidade, de contrário é, isso, apenas isso, uma ideia. Venha de onde vier o importante é dar-lhe conteúdo.
E, já agora, hoje, escutei, no decorrer da visita, em trocas de opiniões de circunstância, falar-se da eventualidade da APL transferir serviços para o Barreiro.
Na altura comentei se era um cenário que estava a ser analisado. Foi dito que era possível pensar na transferência de alguns serviços.
Esta era uma boa ideia, que já vi defendida várias vezes, a transferência de serviços do Poder Central para os territórios da Baía do Tejo, dando-lhe projecção pata se desenvolver, também, como área de instalação de serviços.
Recordo que Emídio Xavier defendia a transferência nem que fosse de um Ministério para o Barreiro.
Se a APL der o primeiro passo, quem sabe, coloca-se no terreno como referência âncora para gerar uma nova dinâmica de instalação de serviços.
Pense nisso, pense mesmo nisso, Senhora Ministra do Mar. Não deixe que a ideia abordada, em conversa de circunstância, fique apenas numa conversa e numa ideia comentada. As ideias são para analisar e torná-las realidade. O Barreiro agradece.
Uma coisa é real uma terra só pode fixar pessoas e desenvolver-se se existirem empregos. Se existirem empresas que possam atrair empresas. Só assim é possível fixar as pessoas e evitar o envelhecimento da cidade e do concelho. Só assim é possível o desenvolvimento económico local e colocar o Barreiro como referência na AML.
António Sousa Pereira













