A(nota) mentosO Barreiro, o seu património e as «respostas articuladas»…

Por Jornal Rostos
O património existente no concelho do Barreiro é de uma dimensão que, sem dúvida, tem potencialidades, mais que reconhecidas e referenciadas.
Mas, infelizmente, o património do Barreiro é algo um pouco parecido com os incêndios em Portugal, todos têm soluções, propostas, projectos, estratégias, mas, passam anos e anos e os incêndios continuam a ser matéria de debates de «pró e contras», até ao ano seguinte, assim é o que acontece com o património do Barreiro, de ano para ano vai-se degradando e discute-se, volta-se a discutir e, para o ano, de novo cá estaremos a repetir propostas e estratégias.
Depois, nestas coisas, o mais fácil e mais populista, cai bem, é acusar o Poder Local que nada faz, não se mexe, não tem estratégia, não tem visão, porque, afinal, a visão existe só para os que têm visão,
Ocorreu-me esta nota, ontem, quando o Secretário de Estado da Cultura, no final de uma visita ao Barreiro, salientava que o património do Barreiro tem uma grande diversidade e potencialidade e que a cultura tem um papel na valorização do património, mas, para encontrar soluções e desenvolver projectos é necessário dinamizar respostas integradas que não passam apenas pela cultura, sendo necessário envolver outras áreas do governo.
Tenho escutado isto, várias vezes e recordo, que ainda nos começos do governo PSD/CDS-PP, este tema esteve sobre a mesa e foi objecto de criação de um grupo de trabalho, esse, essencialmente para dar um passo importante – que acho foi dado – diagnosticar o património, inventariar e clarificar as entidades governamentais responsáveis pela sua gestão, particularmente no que diz respeito ao património ferroviário.
Entretanto, já este ano, deu-se início ao processo de classificação do património a preservar no território da Baía do Tejo.
Estes são passos importantes que, pouco a pouco vão sendo concretizados, mas, nada disto impede que este património continue a degradar-se e sem que o mesmo seja potenciado e contribua para que o Barreiro se constitua como um polo de atratctividade turística no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa, porque, de facto, faltam, continuam a faltar – “esforços concertados” e “respostas articuladas”.
O Barreiro pelo que deu ao país, após o seu processo de desindustrialização, merecia uma atenção especial por parte dos governos. Já era tempo de começar a valorizar o seu património industrial, e, dar respostas adequadas ao muito que tem sido sugerido e dinamizado pela autarquia.
Digam o que disserem Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, tem tido um papel relevante no diálogo com os sucessivos governos de forma a sensibilizar e alertar para que se desenvolvam acçoes concretas, que se passe das palavras para o concreto, porque sem a acção do(s) governo(s) – este e outros no futuro – o património do Barreiro vai continuar a «incendiar-se».
Depois há outros aspectos do património do concelho do Barreiro que, de facto, para além do património industrial – ferroviário, moageiro e quimico - deve começar a entrar na agenda e esse, também, sem dúvida tem um papel de relevância no colocar o Barreiro como polo de atractividade na AML, refiro concretamente ao património natural da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, do qual é indissociável os Fornos de Cerâmica da época dos descobrimentos.
E, muito mais, muito mais…ao menos que alguma coisa avance, porque já é tempo e dá dor e tristeza ver a degradação adiada, adiada…porque não há, nunca “respostas integradas” de recuperação e valorização do património.
Fica a esperança que o Secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, como disse, está disponível para dar um empurrão. Assim o esperamos.
António Sousa Pereira













