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Inferências

A(nota)mentosQuinta da Várzea deve ser classificada de «interesse municipal»

A relação do Barreiro com o mundo rural e o património que existe no concelho como marcas inscritas no território, dessa dimensão da actividade agrícola, deviam ser motivo de análise e debate, porque este, é, mais um exemplo que há mais Barreiro para além da sua dimensão industrial.

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A(nota)mentos Quinta da Várzea deve ser classificada de «interesse municipal»

Por Jornal Rostos

São diferentes espaços, já inventariados e referidos na página da Câmara Municipal do Barreiro mas, não percebemos as razões, normalmente, não constam em qualquer agenda de valorização do património do concelho, nem são promovidos roteiros de divulgação ou até apontados como espaços de promoção do território.
Por exemplo, a Quinta Braamcamp pode e deve ser referenciada como um dos exemplos dessa realidade histórica, valorizando essa dimensão económica do território, nos séculos XVII, XVIII e XIX, mas, na verdade, apenas é recordada a sua mais recete actividade - a corticeira.

Quinta da Várzea de «interesse municipal»

Na página da Câmara Municipal do Barreiro, sobre o Património Rural do concelho do Barreiro, está referenciada a Quinta da Várzea, no Lavradio.
Salienta-se que é uma «propriedade rural já documentada no século XVII», constituída por terras de cultivo, Jardim e Casa Senhorial, ostentando na fachada uma pedra de brasão.
Acrescenta-se que subsistem pelo Jardim vestígios de várias aplicações azulejares dos séculos XVII e XVIII e uma Fonte de Embrechado, do século XIX.
Assim, como sugestão, para além de outros espaços, podiam começar a tomar decisões politicas no sentido da valorização e integração do património rural em estratégias de desenvolvimento local.
Fica, pois, aqui a sugestão de classificação da Quinta da Várzea como de «interesse municipal». Outros deverão se avaliados de forma global trazendo o património rural para as vivências da actualidade.

Divulgamos o texto integral sobre o Património Rural, publicado na página da Câmara Municipal do Barreiro.

Património Rural

Apesar de ser mais conhecido pelo seu desenvolvimento industrial, o concelho do Barreiro teve também uma forte relação com o mundo rural.
Beneficiando de uma localização estratégica que o coloca facilmente em contacto com o grande centro consumidor da capital, era para ali que escoava os excedentes agrícolas, produzidos nas suas quintas e campos de cultivo.
Nos finais do século XIX a atividade agrícola foi cedendo lugar à indústria e à expansão urbana. Grande parte das quintas foram alienadas, destruídas e acabaram por desaparecer.
Atualmente a atividade agrícola no concelho é insignificante. Porém, o passado rural ainda é testemunhado por alguns edifícios e complexos rurais, existentes nas freguesias do Lavradio, Barreiro, Palhais e Coina.
Uma das quintas mais famosas do Lavradio, cuja existência data do século XV, foi a Quinta de Barra-a-Barra, onde D. João II terá estanciado por algum tempo em 1492. Dela apenas sobreviveu o topónimo na atual Praceta a que emprestou o nome.
Outra quinta muito famosa, em virtude de o seu proprietário ter sido Brás Afonso de Albuquerque (filho do conhecido Vice-Rei da Índia), foi a Quinta do Meloal, cuja localização se situa para as bandas do Bairro dos Atores. O seu nome ainda surge na cartografia do Século XIX.
Também aqui pode ser citada a Quinta da Fonte, onde nasceu D. Luís de Mendonça Furtado e Albuquerque, por mor de quem D. Pedro II concedeu o titulo de Vila ao Lavradio, em 1670.
Mas, nesta freguesia é possível encontrar, até agora, alguns exemplares, de que se destacam:

LAVRADIO

Quinta da Várzea

Propriedade rural já documentada no século XVII, é constituída por terras de cultivo, Jardim e Casa Senhorial, ostentando na fachada uma pedra de brasão.
Subsistem pelo Jardim vestígios de várias aplicações azulejares dos séculos XVII e XVIII e uma Fonte de Embrechado, do século XIX.

- Quinta dos Loios

Antiga propriedade agrícola dos frades de Santa Eloy de Lisboa (Loios), que lhes terá sido doada no século XIII, por Martins Esteves Curvo, cónego de Lisboa.
A propriedade é descrita no século XVIII como possuindo uma capela de Nª Srª do Bom Sucesso, possuía horta, grande vinha, lagar e marinhas de sal.
O seu estado é atualmente muito degradado, mas, é possível reconhecer o que resta de um dos janelões dos séculos XVI/XVII, na fachada Norte (lado esquerdo).

BARREIRO
- Quinta da Cerca

Quinta da Cerca, rodeada de casario em pleno Barreiro Antigo, na Travessa do Prior. A propriedade possuía Jardim e terrenos de cultivo. Foi vendida em lotes para urbanização nos anos 50.
Atualmente ainda é visível no antigo Jardim, o que resta de uma Fonte de Embrechado e um mirante. Uma palmeira de grande porte confere um ar exótico ao local.

- Quinta Braamcamp

Único complexo rural em plena cidade do Barreiro, cuja atividade cessou recentemente. Era composto inicialmente por casa de habitação, armazéns, moinho de vento e de maré e terras de cultivo.
É atualmente propriedade do Millenium BCP, após processo de insolvência da Sociedade Nacional de Cortiças. Conserva ainda a antiga casa solarenga (século XIX), instalações agrícolas e um moinho de maré.
Nota – é o que consta no texto. A Quinta Braancamp é propriedade da Câmara Municipal do Barreiro.

PALHAIS
- Quinta da Estalagem

Antiga Estalagem de Palhais, foi posteriormente adaptada a casa de campo.
Uma das entradas ostenta um portal de cantaria com cornija de entablamento (séc. XVII) e motivos decorativos.
Localiza-se junto ao Rio Coina.

COINA

- Quinta de S. Vicente ou do Manique

Propriedade rural de D. Joaquim de Pina Manique (irmão do famoso Intendente de D. Maria I), no século XVIII.
Foi adquirida no século XIX por Manuel Martins Gomes Júnior, comerciante natural de Santo António da Charneca, que em 1910 mandou construir a chamada “Torre de Coina”, ex-libris da freguesia.
Trata-se de um edifício de planta quadrangular, com 2 pisos e vários terraços, encimado por uma torre com 4 pisos. O edifício, que apresenta uma imponência algo insólita na paisagem, nunca foi concluído, daí o seu estado degradado.
A quinta possui ainda alguns equipamentos como armazéns e outras dependências agrícolas. Atualmente é propriedade dos herdeiros de António Xavier de Lima.
Situa-se na estrada Coina/Barreiro.

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