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Inferências

Inferências - A criação de emprego principal problema do BarreiroBruno Vitorino vence debate politico

Nestas coisas de debates, existe o hábito de salientar quem venceu o debate. Na minha opinião, com todo o distanciamento de opções, considero que o vencedor foi Bruno Vitorino. Foi quem teve o discurso mais estruturado, objectivos mais claros, demarcação politica concreta dos outros candidatos, com estratégia e táctica.

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Inferências - A criação de emprego principal problema do Barreiro Bruno Vitorino vence debate politico

Por Jornal Rostos

Estive indeciso se devia ir, ou não, assistir ao debate entre os candidatos à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, que ontem à noite decorreu no Auditório Municipal Augusto Cabrita. A minha indecisão residia no facto de ter assistido às apresentações das candidaturas, ao longo dos últimos tempos ter lido documentos de apresentação das mesmas e, tal, levava-me a pensar que nada de novo iria acontecer ou ser noticia.
Tudo era muito previsível. No final do debate perguntaram-me: Que diz?
Respondi – “Nada de Novo. Não houve noticia”.

A Oeste nada de novo

Aliás, ainda ontem, tinha comentado com um politico local que o debate ia ser marcado por três ideias chave – o Barreiro está estagnado, o Turismo é o futuro, os culpados são os comunistas, e, para isto mudar os melhores – “somos nós” - todos… menos os comunistas.
E, na realidade, caricaturando o debate, ele, ontem à noite, não esteve muito longe desta narrativa.
Portanto, em tese global, o debate não trouxe nada de novo, não adiantou nada ao que tem sido dito e redito, pelas forças da oposição, nem o que tem sido dito e redito, por quem está no poder.
Um primeiro comentário será – a Oeste nada de novo.

Bruno Vitorino venceu o debate

Nestas coisas de debates, existe o hábito de salientar quem venceu o debate. Na minha opinião, com todo o distanciamento de opções, considero que o vencedor foi Bruno Vitorino. Foi quem teve o discurso mais estruturado, objectivos mais claros, demarcação politica concreta dos outros candidatos, com estratégia e táctica.
Podemos discordar das posições de Bruno Vitorino, mas, com o seu discurso ele é claro, sabemos o que defende, o que quer concretizar e abre um espaço de diferenças – esquerda versus direita, no Barreiro.
Por vezes contraditório e demagógico – faz politica – critica o excesso de ideologia no Barreiro e considera que por existir uma «Avenida das Nacionalizações», os empresários “fogem” de investir no Barreiro, levando ele mesmo a sua ideologia a limites sectários.
Ponto alto de Bruno Vitorino, no debate, foi quando se afirmou como alternativa na vida politica local, empurrando o PS para uma mera alternância e assumindo-se como líder da força politica capaz de fazer a diferença no Barreiro, sendo a verdadeira alternativa à CDU.
Deu exemplos de acção realizada no terreno como protagonista de agendas da vida local, caso da Mata da Machada ou S. energia, afirmou o PSD como força politica de trabalho, que sempre aceitou pelouros, quer nas gestões PCP/CDU, quer na gestão PS.
Gostei da sua proposta de transportes gratuitos nos TCB’s para crianças até 10 anos, não só para beneficiar as famílias, como disse, mas por ser uma forma de fomentar uma cultura de utilização do transporte público.
O resto Policia Municipal, IMI, vídeo vigilância, falta de segurança, são bandeiras já mais que conhecidas, para marcar território politico. E, de facto, nisto Bruno Vitorino é perito.

A ideologia e as ideologias

Mas, a propósito da Avenida das Nacionalizações, até, sou dos que discorda que aquela Avenida se chame de «Nacionalizações», não por essa razão, da fuga dos empresários que é uma aberração ideológica, mas porque o seu nome original «Avenida dos Descobrimentos», junto à Escola Álvaro Velho, era muito justo. O nome foi alterado com o argumento que os «descobrimentos eram fascistas».
E, ontem, curiosamente, o candidato do Bloco de Esquerda, Mário Durval, defendia a importância dos descobrimentos no território do Barreiro, nomeadamente na Mata da Machada.
Enfim, a ideologia faz mesmo sentido nos debates políticos, sem ela não há debate politico, o problema é, na verdade, quando para se impor uma ideologia, ou combater uma ideologia, se quer apagar outra, inventando factos políticos. A história está cheia destas situações.
É por isso que a democracia não é uma ideologia, mas o espaço de confrontos ideológicos, onde se cultivam e se confrontam as diferenças.

Sofia Martins um discurso de serenidade

O segundo lugar, neste debate, considero que foi para Sofia Martins, com um discurso marcado pela serenidade, assumindo-se até, sem qualquer arrogância, como a futura presidente da Câmara, quando a propósito de algumas matérias abria as portas para as discutir, como se a futura discussão, desde já, fosse marcada pela sua eleição com presidente da Câmara. Os restantes candidatos silenciaram e foram incapazes de refutar esta abertura para o debate, aceitando, pelo silêncio, essa disponibilidade de abertura.
Recorde-se que nas matérias referenciadas, duas têm marcado a agenda politica nos últimos anos pelas forças da oposição – caso do Orçamento Participativo ou a Agência de Desenvolvimento Local. Sofia marcou pontos, desfazendo estes temas e agendando um futuro debate, aceitando dialogar e aprofundar a discussão sobre estes temas, e, desta forma rasgou, igualmente, o «cordão umbilical».
Uma das expectactivas que tinha para este debate era, na verdade, sentir e tomar o pulso da prestação de Sofia Martins. Se tinha ou não cabedal para enfrentar os adversários. Se os adversários teriam força para a esmagar. Não só os enfrentou, com calma e personalidade, como se demarcou, dos seus discursos, pela diferença, sentido de responsabilidade, visão realista, conhecimento da realidade, afirmando-se, por si mesma, com «dimensão de estado», energia presidencial e com capacidade para liderar e enfrentar o confronto de ideias e de diálogo que, normalmente, marcam as sessões de Câmara e a gestão de uma autarquia.

Frederico Rosa entre as ideias e a realidade

Outra curiosidade que me motivou a ir assistir a este debate foi apreciar a prestação de Frederico Rosa, candidato do Partido Socialista, que, tinha, aqui, de facto, o ponto de partida para demonstrar as diferenças e assumir protagonismo e a liderança do discurso politico pré-eleitoral, afirmando, aqui sim, de forma forte e motivadora linhas estratégicas das mudanças que defende, e o que separa o PS da CDU. Mas, de facto, o candidato foi incapaz de marcar o seu próprio terreno de diferenciação. Muita parra e pouca uva.
Um momento que registei de diferenças foi, de facto, quando valorizou eventos como Barreiro Rocks ou Out.Fest, nos quais a autarquia devia apostar para criar imagens e eventos de afirmação na região e no país. Tem toda a razão. Esta tem sido uma lacuna e um erro, porque a autarquia opta mais por valorizar os seus próprios eventos. Não é que não dê importância a estes, mas, estes são secundários nas suas proposta sócio-culturais, e, na verdade, sendo já duas marcas que estão projectadas e de referência na região, no país e até na Europa, deviam merecer outro tratamento, pela visibilidade e imagem do concelho. São nichos, mas é pelos nichos que se criam diferenciações.
A intervenção de Frederico Rosa, no global, foi muito uma narrativa numa dimensão de «coaching» - frases, ideias, para motivar, para afirmar, mas marcada por uma ausência de estratégia diferenciadora, que só existe em palavras.
O Turismo e o aproveitamento da Quinta de Braancamp, foram registos, mas, na verdade, isto é querer «criar os filhos gerados por outros» e achar que quem desenvolveu o projecto de aquisição da Quinta Braancamp, é ignorante, e, comprou por comprar.
Foi uma prestação que considero longe das capacidade de Frederico Rosa. Nota-se que falta a experiência politica de Bruno Vitorino e a prática de gestão autárquica de Sofia Martins.
Estou convicto que Frederico Rosa tem muito para dar ao Barreiro, quer como vereador – com pelouro - quer como presidente que é um desejo seu, e pelo qual está a lutar. Para tal terá que ser capaz de no seu discurso encontrar a distância que existe entre as ideias e a realidade.
Não basta dizer que se tem visão de cidade e que se quer combater a resignação económica ou valorizar o potencial do Barreiro, primeiro é preciso fazer o diagnóstico das causas que produziram efeitos, pois, limitar a apontar o dedo à gestão CDU é não conhecer o Barreiro real e o seu passado recente. Para isso, basta escutar o Primeiro-Ministro António Costa, na sua recente presença no Barreiro, como muito bem sublinhou Sofia Martins.

Jorge Miguel Teixeira começar de novo

Jorge Miguel Teixeira, do CDS/PP, é um candidato que dá bem o sinal de uma nova geração a emergir na vida politica local e, quem não perceber a emergência desta nova geração dos 40 anos, que aliás esteve presente com quase todas as forças politicas neste debatem - com excepção do veterano Mário Durval do BE – então não percebe que há uma nova cultura politica local a nascer que passa, cada vez mais pelo respeito das diferenças e pela aceitação das diferenças. Não trouxe nada de novo, para além da sua capacidade discursiva, os argumentos são os conhecidos – o Barreiro com uma economia fraca e património degradado. Uma realidade do Barreiro e do país. Depois o Turismo e as memórias do passado, ao ponto de Mário Durval comentar que o candidato do CDS “tinha perdido a ideologia”.
Jorge Miguel Teixeira é um politico personalista que começa, neste debate, a afirmar uma corrente de pensamento na vida local, e, de facto, pode marcar presença se o CDS não continuar, como tem sido até aqui, estar presente nas autárquicas e depois hibernar.
Agora e aqui o CDS/PP está a começar de novo…

Uma presença inovadora

Durval Salema, candidato do PAN, que pela primeira vez apresenta candidatura no concelho do Barreiro, é mais um sinal da geração dos 40, um discurso fora do sistema politico vigente, trouxe diversas ideias soltas, uma visão especifica do mundo e da cidadania.
Uma presença de exigência de debate politico, de criar condições para promoção da cidadania, de valorização dos espaços públicos de reconhecimento do papel dos seniores na vida da cidade, onde 25% da população é acima dos 65 anos, alertando para os problemas de mobilidade.
Defendeu a construção de uma cidade amiga das crianças.
De sublinhar a importância que deu à Assembleia Municipal como espaço de referência na vida politica local, onde, por vezes, criticou, se discute de tudo menos o Barreiro.

Discutir para alem dos corredores do poder

Por fim Mário Durval, do Bloco de Esquerda, o veterano dos 60, no meio de um conjunto de candidatos dos 40. Soube gerir aspectos de conflito politico e ideológico e demonstrou que é um politico com história e memória.
Sublinhou a destruição do tecido económico do concelho, que levou para fora mais de 20 mil pessoas, situação que nunca foi recuperada.
Recordou que o Barreiro é uma terra de muitas gentes e que essa é diferença e a riqueza do concelho. Deu especial relevo à ligação do concelho ao rio.
No essencial considerou importante mudar as lógicas do Barreiro para inverter o caminho que tem seguido, mas ficou-se por esta dimensão, lançando o repto e assumindo o compromisso de promover referendos sobre grandes temas de interesse local, de forma que as decisões não sejam tomadas nos corredores do poder.

Criação de emprego

Se quisermos encontrar um tema central de todo o debate e de todas as intervenções foi a preocupação com a criação de empresas e valorização do tecido empresarial, onde existe acordo ser uma questão chave para o futuro do concelho.
A criação de emprego é afinal a questão central do Barreiro ela é que pode trazer pessoas para as ruas, animar o comércio local, dar vida à cidade…

António Sousa Pereira

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