Por dentro dos dias - BarreiroUm legado politico e um caminho para a «geração 40»

Por Jornal Rostos
Estes dias são dias de muitas emoções. O difícil é mesmo manter o distanciamento e tentar ignorar as conversas marcadas pela azáfama «clubística».
O que por vezes me impressiona são aqueles discursos, aquelas trocas de ditos diálogos, que optam por desenterrar cadáveres e, através deles, sem respeito pela memória, nem pelos factos, fomentar justificações ou encontrar argumentos para inferir as suas opiniões.
Há aqueles que nunca sentem nada do que se transforma e muda à sua volta, nem reparam nos melhoramentos feitos à sua própria porta, só tendo olhos para ver e sentir aquilo que está no seu «pensamento» . Erguem-se como puritanos em defesa da terra onde vivem para a qual nunca deram nada e pela qual nunca fizeram nada. É vida.
No recente debate sobre as autárquicas, com os candidatos à presidência da Câmara, no período de perguntas do público, o meu amigo Pedro Santarém, resolveu fazer uma pergunta sobre uma acção policial que decorreu no período da gestão de Emidio Xavier, a propósito de uma concentração promovida pelo STAL, junto à Câmara Municipal do Barreiro.
Um acontecimento que valeu o que valeu e, que, de forma alguma, é um exemplo para definir as politicas de recursos humanos da autarquia, que pouco, ou nada, mudaram em relação a gestões anteriores.
Quando o meu amigo Pedro Santarém fez a pergunta, desenterrando cadáveres desnecessários, procurando desta forma «caricaturar» a politica de gestão de recursos humanos da gestão PS, ocorreu-me ao pensamento, que na gestão CDU, na altura sobre a presidência de Pedro Canário, o STAL promoveu uma greve em protesto contra as politicas de recursos humanos e falta de diálogo com o sindicato. Nessa altura não foi preciso chamar a Policia, afinal, foi a própria Célula dos Trabalhadores da Autarquia do Partido Comunista Português que, pela primeira vez e única, após o 25 de Abril, tomou a decisão de furar a greve.
É por isso que não acho necessário estar a desenterrar cadáveres que em nada ajudam a procurar novos rumos e construir novos caminhos.
Há dias, alguém me interrogava sobre o que quero dizer quando defino os candidatos à presidência da Câmara, excepto o Mário Durval, como sendo a «geração dos 40». Ora o que quero dizer é que todos eles, eram crianças ou muito novitos, ou estavam ainda por nascer, quando aconteceu o 25 de Abril, essa data inscrita na nossa história que abriu as portas da Liberdade e da Democracia.
Ora, esta «geração dos 40» aprendeu a viver no conflito e na gestão das diferenças. Estiveram, por vezes, nas mesmas listas estudantis, forjaram amizades nas diferenças.
E, esta, «geração dos 40» é nela que está a emergir o futuro, os novos rostos políticos da comunidade barreirense, homens e mulheres que com opiniões próprias e posições politicas divergentes, sabem, ou devem saber, que o seu papel politico de futuro é construir a democracia.
A democracia constrói-se no respeito pelos outros que pensam diferente e no confronto eleitoral discutindo ideias, valores, projectos, estratégias, formas de pensar, sentir, viver e fazer cidade. Construir uma cidade que sempre se orgulhou de ser um espaço de Liberdade e cidadania. Uma cidade que sempre, no Poder Local, distribuiu pelouros, ou pelourinhos, partilhando responsabilidades na gestão autárquica.
Era um pouco isto que me ocorria ao pensamento, porque gosto de viver todos os dias e pensar os acontecimentos que fazem todos os dias.
Alías, foi esta a linha de pensamento que marcou a gestão autárquica do Barreiro nos últimos doze anos.
Foi por isso que gostei do discurso e posições assumidas pelo Primeiro-Ministro António Costa, quando da sua recente visita ao Barreiro. Ele sabe do que fala, porque sabe o que fez na capital.
Um dia o Barreiro há-de reconhecer o importante contributo do politico Carlos Humberto, na sua capacidade de diálogo com o governo PSD/CDS ou agora com o governo PS, colocando sempre acima de diferenças ideológicas a defesa dos interesses do Barreiro. Este é um legado politico e um caminho que a «geração 40» vai ter a responsabilidade de viver e construir, qualquer retrocesso em nada, mesmo nada, vai contribuir para encontrar caminhos de futuro.
É por isso, igualmente, que admiro Bruno Vitorino, e os sucessivos autarcas do PSD, que sempre, mas sempre, quer em gestões CDU, quer em gestões PS, assumiram protagonismo e cooperaram na valorização do concelho do Barreiro, colocando de lado as divergências, mas sempre assumindo as divergências com a força dominante.
Tudo o resto é colocar o debate no preto e branco, nos maus e nos bons. Afinal, «uma cidade é construída com todos e com todos tudo deve ser decidido…».
António Sousa Pereira













