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Inferências

A(nota)mentos - BarreiroA destruição de propaganda política

Os primeiros que deviam evitar que na reflexão sobre a destruição da propaganda politica entrasse a “guerrilha partidária” deviam ser os partidos políticos, por respeito por si mesmos, pelos seus eleitores e pela democracia.
Enfim, mas é assim, a história repete-se…

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A(nota)mentos - Barreiro A destruição de propaganda política

Por Jornal Rostos

Em todas as campanhas eleitorais o assunto é tema de conversas, de comunicados, de vitimizações, de acusações, de directas e indirectas.

O facto é que este fenómeno atinge todas as forças politicas e, na verdade, nunca escutei os partidos a reflectir se estes actos são, ou não, praticados por pessoas revoltadas contra a politica e os políticos.

Já registei neste período a destruição de propaganda politica de diversos partidos. Desde o PSD, a CDU, o PS ou PNR, estes, de facto, sei que tiveram cartazes destruídos e vandalizados.
A destruição de propaganda politica nas campanhas eleitorais não contribui para valorizar a vida democrática.
E, não são estes actos que contribuem para que as pessoas alterem as suas posições de voto, entre aqueles que optam por votar, porque isto de abstenção nas autárquicas, todos sabemos, há muitos anos, faz parte do modelo e do sistema.

São várias as razões que originam a abstenção, não se trata do desinteresse pela terra ou indiferença politica, até porque, logo a seguir há eleições legislativas e muitos que se abstiveram nas autárquicas optam por assumir a sua opção de voto.

Costumo dizer que, entre as razões que motivam a abstenção nas eleições autárquicas, uma delas são as razões de proximidade. Os eleitores conhecem os candidatos, alguns até, na verdade, os conhecem «muito bem».
Por outro lado, surgem candidatos nas freguesias, ou mesmo nos concelhos, que nunca ninguém os viu, nem a fazer nada pelas terras, e, que, por vezes, nem ali residem.
Há candidatos que nascem de súbito para a vida politica vindos do nada e, até, anteriormente, com discursos anti políticos, afirmando-se como os verdadeiros protagonistas da cidadania.
Estas situações fazem lembrar aquela frase de Eça de Queirós – “Foge cão, que te fazem barão!”.

Muitas vezes, a opção do eleitorado quando começa a conhecer os candidatáveis e depois candidatos, tem como primeiro pensamento – “isto está mal, mas para pior já basta assim”.

A destruição de propaganda politica faz parte das circunstancias e destes tempos.
Admito até que hajam pessoas de partidos que destruam propaganda de outros partidos. Nesta circunstancia o que já cheira a esturro é que o dedo, directa ou indirectamente, é sempre apontado no mesmo rumo. Isto cansa.

Os primeiros que deviam evitar que na reflexão sobre a destruição da propaganda politica entrasse a “guerrilha partidária” deviam ser os partidos políticos, por respeito por si mesmos, pelos seus eleitores e pela democracia.
Enfim, mas é assim, a história repete-se…

António Sousa Pereira

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