InferênciasO Barreiro e o Turismo – entre o sonho e a realidade
Criar o «FORUM de Concertação de Turismo»
No «evento turismo» podemos começar a dar alguns passos, com nichos específicos de públicos que podem anualmente, visitar o Barreiro.

Por Jornal Rostos
O Turismo é um tema que tem sido reflexão nos últimos tempos na vida barreirense. Até parece que é por aí que está a salvação da vida do concelho.
Na minha memória o tema «Turismo» foi introduzido na agenda da vida politica local, em 2001, por Emídio Xavier, eleito presidente da Câmara Municipal do Barreiro pelo Partido Socialista.
Depois, ao longo do tempo, mesmo no seu mandato, não passou de um assunto em reflexão, uma temática em aberto.
Plano Estratégico de Turismo
O primeiro passo dado, no concreto visando aprofundar de forma coerente este tema no âmbito de uma estratégia local, foi dado no ano de 2010, com a assinatura de um Acordo com a a Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo, o qual estava inserido na filosofia de actuação daquela entidade no desenvolvimento do seu Plano Estratégico.
O Acordo abordava diversas matérias nomeadamente a sinalização turística a criação de Base de dados da oferta e dos recursos e produtos turísticos regionais; Instrumentos de gestão territorial; Acções promocionais internas e externas; Edições turísticas regionais; Rede de apoio ao empresário e investidor turístico e Formação profissional.
Neste âmbito foram, de facto, dinamizadas diversas acções no concelho do Barreiro que abrangeram diverso destes pontos. Nasceram as Rotas. Promoveram-se acções de formação.
O processo culminou com a elaboração de um «Plano Estratégico de Turismo e Visitação». Quando da apresentação deste plano, incidia-se mais na ideia de promover a visitação, sublinhando-se que o Barreiro como terra de turismo era um horizonte distante. Interroguei-me se essa era a visão mais correcta. Mas limitei-me a ficar por essa reflexão.
Nesta. como noutras matérias, que por vezes escrevo, costumo dizer que não sou conhecedor, não tenho formação para tecer estratégias. Limito-me, obviamnente, a pensar sobre o que vai sendo dito e escrito, por aqueles que se consideram conhecedores e peritos no assunto.
Criar nichos de turismo
O tema Turismo tem sido uma das bandeiras erguidas, como exemplo, para transformar a vida do concelho do Barreiro, nomeadamente perspectivando-se a possibilidade de atrair alguns dos milhões de turistas que anualmente visitam Lisboa.
Na primeira sessão de participação pública sobre o Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico e da Visitação do Barreiro, realizada no ano de 2016, foi salientado por José Manuel Simões, que - “O Barreiro é um Concelho com muitas memórias e tradições, com elementos que podem atrair nichos de turismo” referiu o Geógrafo e Urbanista, responsável pelo Doutoramento em Turismo da Universidade de Lisboa.
E este pensamento tem balizado as minhas reflexões sobre este tema – “criar nichos de turismo”.
Um destes dias, em conversa, sobre este assunto e como meio de atractividade e fixar pessoas em visitas ao Barreiro, alguém referia a importância que pode ter a antiga Estação Fluvial do Barreiro.
Penso que, finalmente, este espaço pode vir a ser recuperado, indo ao encontro do que tem sido defendido pela Câmara Municipal do Barreiro, que, por si só, em nada pode decidir, apenas podendo fazer o que tem feito, e bem, pressionar os Governos e as entidades responsáveis para que se ponha fim ao estado de degradação. Assim como, lançando projectos, como o fez de âmbito internacional, com concursos de ideias dando possibilidades de serem exploradas e potenciadas as possibilidades de desenvolvimento daquela Estação e território envolvente.
Tudo indica que o actual governo percebeu esta estratégia e está em marcha um Concurso Internacional que visa a recuperação da Estação Fluvial do Barreiro.
Este é um de muitos exemplos que podem ser dados que os tais «nichos de turismo» no concelho do Barreiro, não são uma decisão exclusiva da Câmara Municipal do Barreiro e, isso sim, passam por uma estratégia de cooperação entre a autarquia e os governos.
Depois, atrás disto virá o o marketing territorial que funcionará como uma importante ferramenta de gestão do território estabelecendo as ligações entre a promoção do território, a dinamização de actividade empresarial, alargando a influência do concelho na região e sua intensa ligação a Lisboa e neste caso com uma estreita parceria com a Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo.
Articulação governo autarquias
Nesta estratégia de criação de espaço âncora no território para gerar «nichos de turismo», em boa hora, foi tomada a decisão de intervir de forma regular e intencional no território de Alburrica, quer com a aquisição de parcelas de território, compra dos Moinhos, construção de passadiços ou construção da ligação ao Seixal, com um via pedonal e ciclovia, assim como a aquisição da Quinta de Braancamp, cujo projecto está em curso e que espero venha a público a curto prazo.
A aquisição da Quinta de Braancamp foi polémica, havia quem referisse que existiam outras prioridades. Eu próprio cheguei a expressar essa opinião. Foi decidido. E decidir é tomar opções com visão defuturo.
Hoje, parece claro para todos, que a Quinta de Braancamp pode vir a tornar-se um espaço de promoção de eventos e gestão de um «nicho de turismo»
Isto para dizer que, de facto, nas minhas reflexões, penso que na verdade o Barreiro não é, nem será nas próximas décadas um concelho de Turismo e, quanto muito, pode começar a construir esse caminho, numa estreita cooperação com os governos que em relação a muitos espaços suas posições são decisivas, passando, como disse o Secretário de Estado da Cultura, por uma articulação de diferentes sectores do governo com a autarquia e também a Baía do tejo.
«Nichos de turismo» e «evento turismo»
Confundir «Nichos de turismo» com turismo é mera demagogia. Quanto muito pode estabelecer-se uma ligação entre «nichos de turismo» e o que se pode chamar «evento turismo».
No «evento turismo» podemos começar a dar alguns passos, com nichos específicos de públicos que podem anualmente, visitar o Barreiro, com eventos como o «Barreiro Rocks», o OUT. FEST, marcas já reconhecidas ao nível nacional e europeu, promover ciclos regulares de música no órgão da Igreja de Nª Srª do Rosário, dar força à experiência enriquecedora de décadas da Escola de jazz do Barreiro, e, até, as »Festas do Barreiro» se lhe dermos uma identidade e características especificas. Tantos outros assuntos poderão ser elencados para a promoção de «eventos turismo», no fundo um «turismo de visitação». Esse está na nossa escala de capacidades. O resto é ilusão no imediato e uma visão para o século XXI.
Mas há outras matérias que podem entrar no tal «evento turismo» que podem ser exploradas – a fotografia, colocando o Barreiro na rota da fotografia mundial, temos todos os condimentos para isso, a Rota do Vidro, a Rota da Ecologia – com a Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, a Rota dos Descobrimentos, o mundo do desporto.
Recordo para os mais distraídos
Quando da discussão do Congresso Barreiro 2030, iniciativa que acompanhei com muito interesse, estiveram estas matérias em análise. Apontaram-se caminhos estruturantes, neste conceito de «atração turística e de visitação».
Recordo para os mais distraídos, as principais conclusões:
- Promoção de circuitos turísticos e de visitação temáticos: circuitos da Memória Operária e da Resistência Política, da Memória Industrial, da Memória Ferroviária;
- Promoção de eventos de âmbito cultural: nas áreas de street art, fotografia, cinema e vídeo industrial;
- Promoção de eventos de âmbito desportivo: essencialmente nas modalidades de vela, remo e canoagem;
- Valorização funcional da frente rio;
- Criação de transporte de apoio e estímulo à visitação: através nomeadamente da criação de um minibus turístico;
- Disponibilização de informação turística: desenvolver suportes tecnológicos de disponibilização de informação;
- Criação de uma unidade de museologia ativa no domínio das memórias e inovações industriais e ferroviárias;
- Incentivo à instalação de alojamento qualificado;
- Criação de um Fórum de concertação de turismo
«FORUM de Concertação de Turismo»
De tudo isto, considero que, após as eleições autárquicas, depois de passada a ansiedade do processo eleitoral, seria importante para uma abordagem forte e sistemática da temática do Turismo no concelho – a curto, médio e longo prazo- era útil que fosse implementado o «FORUM de Concertação de Turismo», criando-se um espaço onde fosse promovida uma discussão com seriedade e já distante das ilusões criadas com o processo eleitoral, mas com os pés na terra e olhando a vida real, unindo neste fórum autarquia, governo, empresários e agentes locais.
António Sousa Pereira













