Por dentro dos dias – BarreiroSorrindo, sempre sorrindo e vivendo a cidade
Por exemplo, gostava de ver limpo e arranjado o monumento de José Cândido, escultor e artista plástico, galardoado com a distinção «Barreiro Reconhecido» das Artes e Letras, no ano 1993, que foi o autor do monumento to ao 25 de Abril, ali, na Rotunda do Lavradio. Que continua ao abandono numa terra que tem Abril no coração.

Por Jornal Rostos
Hoje, pela manhã, fui dar um passeio pelo centro da cidade. Sentei-me na zona das esplanadas, junto ao Mercado 1º de Maio. Dei um passeio pelo Parque Catarina Eufémia. Escutei o sorriso das crianças, nos brinquedos. Observei pessoas sentadas a ler calmamente um romance. Vi outros a passear os seus cães.
Fui até à ilha, intencionalmente, para ver o repuxo a funcionar. Fotografei. Gostei.
Notei que ainda existirão alguns aspectos por concretizar, mas, no essencial, foi retomado o lago e o repuxo, renovando a paisagem que faz parte das nossas memórias.
Na «Ponte» de acesso à Ilha, fotografei a Lurdes, ali, naquele mesmo lugar, há 41 anos, decorreu a sessão de fotografias do nosso casamento, antes do «copo de água», no Restaurante da Cave do Futebol Clube Barreirense.
Com o meu telemóvel fiz duas fotografias que partilhei, no meu espaço pessoal, sem qualquer comentário, apenas o lugar e a data. Gosto de registar lugares que fazem o meu quotidiano e dizer - BOM DIA ou OLÁ!
Não sei se esta obra devia estar feita há mais tempo. Nem sei as razões do arrastamento no tempo. Sei que está concluída e, que, sem dúvida, embelezou aquele parque no centro da cidade.
Para uns é obra de eleições. É me indiferente que o seja. Aliás acho que é uma aberração pensar que uma força politica que esteja no poder e pretenda ganhar as eleições deixe arrastar no tempo uma obra desta natureza e só a concretize nesta fase, porque as eleições estão a chegar. Há quem goste de cultivar esta ideia, fazer correr este sentimento, porque água mole em terra dura tanto dá até que fura. Um comportamento que parte do principio que os eleitores são ignorantes e são iludidos com obras de última hora. Os eleitores avaliam o mandato e as opções que se colocam.
Aliás, nos tempos de hoje, é tudo por causa das eleições. Um destes dias numa nota editada, aqui no «Rostos», sobre uma iniciativa que se realiza há vários anos, em Alburrica com os barcos anfíbios dos fuzileiros. Lá entraram os habituais comentadores, independentes, sem opções, pessoas livres, que avaliam a vida com distanciamento das suas opções politicas partidárias, a referir que esta era uma iniciativa por causa das eleições. Coisas.
A mim pouco me incomoda que o debate politico seja feito nesta base – é tudo por causa das eleições.
Aliás, igualmente, pouco me incomoda que o debate politico seja feito em torno dos buracos das ruas, da erva nos passeios, no lixo junto aos contentores, cada qual coloca a discussão politica ao nível da sua forma de ver o mundo. É por causa das eleições. Tudo bem.
O que me incomoda é que não se discutem ideias para a cidade, projectos de desenvolvimento futuro. Nem sequer se projectam visões do viver a cidadania. Isso é que me incomoda. Embrulha-se a reflexão em «fait divers».
Por exemplo, faz hoje 5 anos que foi aprovada, por unanimidade, na Câmara Municipal do Barreiro, a proposta de classificação da Mata da Machada e Sapal de Coina, como área protegida Local, e, sobre este espaço do território, tirando o candidato do PSD erguer como bandeira o seu papel e contributo, não escutei uma linha de ninguém sobre a importância desta «Área Protegida Local» e como a enquadrar no desenvolvimento e no futuro do concelho.
Que medidas tomar? Que propostas apresentar ao governo para que a mesma possa ser gerida pela autarquia? Como equacionar a sua relação com a criação de um nicho de turismo ambiental? Como enquadrar a sua relação com a temática dos descobrimentos? Pode existir aqui um potencial de desenvolvimento económico?
Isto sim é que me incomoda. E quando releio os muitos textos que foram editados sobre esta «área protegida local», fico triste, pelo silêncio politico e a incapacidade de dar esta zona do território dimensão estratégica e ficar apenas por mais uma bandeira partidária, ou até mesmo, fazer-se em torno deste assunto as tradicionais conversas de descoberta de paternidade. Outro tipo de discussão política habitual da nossa praça.
Gostei de ver os repuxos a pulsar, ali, no centro da cidade. Mas há mais «concelho-cidade» que o «centro da cidade».
Por exemplo, gostava de ver limpo e arranjado o monumento de José Cândido, escultor e artista plástico, galardoado com a distinção «Barreiro Reconhecido» das Artes e Letras, no ano 1993, que foi o autor do monumento ao 25 de Abril, ali, na Rotunda do Lavradio. Que continua ao abandono numa terra que tem Abril no coração.
Por cá continuarei a sentir e a dedicar-me, serenamente, com um sorriso, a viver por dentro dos dias. Sorrindo, sempre sorrindo.
António Sousa Pereira
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