Saltar para o conteúdo
Inferências

Barreiro – Rosto da SemanaCarlos Humberto – um exemplo de fazer política

Esta semana, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, presidiu à última reunião pública da autarquia e fez a sua última intervenção, na qualidade de presidente, na Assembleia Municipal do Barreiro.
Fica o registo e o reconhecimento com a atribuição de «Rosto da Semana».

6 min de leitura
Barreiro – Rosto da Semana Carlos Humberto – um exemplo de fazer política

Por Jornal Rostos

Carlos Humberto assumiu a presidência da Câmara Municipal do Barreiro, após quatro anos de gestão do Partido Socialista e, em sucessivos mandatos, reforçou sempre a força eleitoral da CDU no concelho do Barreiro.
A sua gestão deixa marcas e referências para o futuro do concelho do Barreiro. Foi um homem de diálogo e de pontes. Soube com serenidade «aguentar», com muita resiliência um duro combate pela defesa dos interesses do concelho do Barreiro.
Um concelho que tem vivido por si próprio, com imensas dificuldades. Um concelho que viu anunciada a Terceira Travessia do Tejo, para lhe quebrar o seu isolamento que acabou por ser deslocada para o Montijo.

Um concelho que tem um território, que foi empregador e motor do concelho, que está, ainda hoje à procura de rumo, e que, Carlos Humberto, como autarca de forma estratégica, desde a primeira hora percebeu que não era a Câmara que ali podia ou devia intervir, mas que tinha que pressionar e fazer parceria com a Quimiparque/ Baía do Tejo, mantendo de forma permanente um diálogo estratégico – que contribui para abrir aquele espaço à cidade - ou procurando dinamizar e influenciar uma visão estratégica sobre o seu futuro e importância para o concelho daquele território através do diálogo com as Administrações, oriundas de governos socialistas ou de governos sociais democratas, e, simultaneamente sensibilizando ou motivando os governantes – PS e PSD – para que os governos assumissem o desenvolvimento deste espaço.

Igualmente, em relação aos espaços ferroviários, em degradação, ou ao abandono, procurou intensificar relações com os governos, ao ponto de dar o pontapé de saída para a criação de um Grupo de Trabalho que fizesse um inventário desse património e fosse definida as responsabilidades de quem sobre eles – CP/ REFER ou outros tinha responsabilidade.
Pouco foi conseguido, mas, pelo menos, está a avançar uma candidatura que visa a recuperação da Estação Fluvial do Barreiro. Um património que, por essa Europa, já teria sido aproveitado e transformado num espaço de referência para o concelho e para a região. Até existem ideias, visões de arquitectos, fruto de um projecto internacional promovido pela autarquia. São projectos com visão e com estratégia.

Desenvolveu de forma serena a aquisição de terrenos e património de Alburrica até à aquisição da Quinta de Bramcamp, ligando e aproximando a cidade das zonas ribeirinhas. Um exemplo real a construção dos Passadiços. Outro exemplo o lançamento do projecto conjunto com a Câmara Municipal do Seixal de ligação pedonal entre os dois concelhos que está a avançar e irá nascer.
Uma visão estratégica de quem ama a sua terra e conhece o território.

Assumiu a renovação da Avenida Alfredo da Silva, situação que não avançou mais, certamente, fruto da crise que abalou o país fazendo que um equipamento âncora como o Forum Barreiro, seja afectado nas suas potencialidades e diminuindo as capacidades de compra dos cidadãos, que toca nas condições do comércio local.

Lançou o projecto da Cidade Sol, renovando os espaços urbanos e alargando a visão da intervenção da autarquia para além do centro da cidade.
Empenhou-se na procura de soluções na recuperação das AUGI’s com a apresentação de candidaturas a fundos europeus para resolver problemas de arruamentos, águas e saneamento.

Viveu uma situação financeira, que outros que o antecederam mão viveram, porque puderam recorrer a empréstimos, quer PS, quer CDU, fazendo orçamentos inflacionados.
Ele, perante as imposições da troika teve que gerir orçamentos de deficit zero e foi sujeito à redução de pessoas e à impossibilidade de admitir trabalhadores. Vivendo o drama de querer resolver problemas do quotidiano, sem dinheiro e sem recursos financeiros. Numa autarquia que, todos os outros anteriores – PS ou CDU – contaram ainda com as verbas oriundas da construção civil que acabaram.
E casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

Deixou para o futuro próximo e está a avançar a candidatura de renovação integral da frota de autocarros, com a aquisição de 60 novos veículos a gaz. Caso único no país, referenciado pelo Ministro do Ambiente, numa visita ao Barreiro, com grandes elogios.

Foi um homem de diálogo. Foi um homem que dedicou a sua vida, em pleno à causa pública.
Foi um presidente que respeitou os seus vereadores, que fez equipa com os eleitos da CDU e soube aguentar aquela permanente “guerrilha ideológica”, do autarca mais ideológico da Câmara Municipal do Barreiro – Bruno Vitorino.
Soube aguentar os autarcas socialistas apostados, essencialmente, em participar nas reuniões de Câmara para criar factos políticos.

É por isso que, ao escutar as suas palavras na última reunião da Assembleia Municipal, e sentir o seu estado emocional, quando afirmou dirigindo-se às força da oposição que o saudaram - “o que vocês dizem é que eu sou um gajo porreiro mas um incompetente” – quero aqui, registar que admirei a sua gestão a sua dedicação, a sua frontalidade, a sua capacidade de diálogo com governos PSD ou PS e como colocou sempre acima de tudo a defesa dos interesses do Barreiro, nos debates nacionais sobre a Terceira Travessia do Tejo ou nos debates nacionais sobre p Terminal de Contentores do Barreiro – “uma Plataforma Intermodal como ele salienta.

Foi tudo bem feito? Não teve erros? Só os perfeitos é que não erram. Já o disse e volto a repetir o Barreiro vai, talvez, um dia sentir saudades dos tempos da gestão de Carlos Humberto.
Mas, sei, porque ele é um homem que faz da politica a sua forma de estar na vida, que não vai andar por aí, vai estar aí, com a sua experiência e saber a dar o seu contributo para que, um dia, de facto o Barreiro, encontre um rumo, que passa, a curto prazo, pela anunciada ponte rodoviária de ligação do Barreiro ao Seixal, já assumida pelo Primeiro Ministro António Costa, pela discussão do que fazer nos territórios da Baía do Tejo e território ferroviário, pelo potenciar da Mata da Macha da e Sapal do Rio Coina e pela valorização da zona de Coina, como plataforma logística e desenvolvimento urbano, pela sua proximidade de 30 minutos a Lisboa.

E, naturalmente, vai ver nascer o sonho que ele e sua equipa dinamizaram na zona de Alburrica e Quinta Bramcamp, num projecto que está em marcha e que, ele, já o disse, vai ser amplamente discutido com a população e os agentes locais.

Por tudo isto e, sem dúvida, muito mais, aqui fica o registo e merecidamente Carlos Humberto como «Rosto da Semana»-

António Sousa Pereira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção