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Inferências

A(nota) mentos - BarreiroHá pessoas que passam nas nossas vidas…e deixam sementes!

D. Manuel, Bispo de Setúbal, foi uma voz que se ergueu, em protesto, em denúncia, a favor dos marginalizados, dos que sentiam na pele os efeitos do desemprego e que viviam o quotidiano sem esperança.

3 min de leitura
A(nota) mentos - Barreiro Há pessoas que passam nas nossas vidas…e deixam sementes!

Por Jornal Rostos

Um dia, nos anos 90, na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, promovemos um ciclo de conversas tendo como tema - «Pensar o Século XXI», o objectivo era a partir de uma reflexão sobre a actualidade proporcionar um debate de ideias com os pensamento a projectar futuro.
Foram diversos os participantes, desde a área sindical, passando pela politica, literatura, cultura e religião.
D. Manuel, Bispo de Setúbal, foi nosso convidado e chegou à Colectividade pelos seus próprios meios, entrou e começou a conversar com as pessoas no Café-Bar. Dirigiu-se às mesas do dominó e foi cumprimentando os diversos associados e fazendo perguntas sobre as suas vidas.

Depois dirigiu-se para o salão, que estava repleto, onde fez uma intervenção sobre os mais diversos temas da actualidade da situação da Europa, a vida em Portugal e o papel social da Igreja.
Foi num dia memorável que todos aqueles que vivem o associativismo como forma de fazer e viver cidadania, nunca esquecerão.
Deste dia, guardo diversas recordações, mas um pensamento ficou para sempre guardado nas minhas vivências associativas quando D. Manuel, sublinhou o papel social, integrador e de inclusão das associações.
Salientou o contributo do associativismo no combate à solidão, ao abrir portas às vivências em comunidade, contribuindo para gerar espaços de encontro e de partilha dos dias.
Reforçou o papel que associativismo assume como actor da coesão social e de encontro de gerações.

Foram estas lições do associativismo como agente da promoção da cidadania, espaços de diálogo e de encontro, que se inscreveram na minha vida.

Ontem, quando recebi a triste noticia do seu falecimento ocorreu-me este dia e outros que tive o prazer de partilhar com ele, até de uma breve entrevista que foi editada aqui no jornal «Rostos».
Recordei os tempos das «bandeiras negras» símbolos da fome e de tristeza na Península de Setúbal, fruto da desindustrialização. Tempos difíceis e muito duros, que destruiu famílias e deixou marcas na forma de estar e sentir este território.
D. Manuel, Bispo de Setúbal, foi uma voz que se ergueu, em protesto, em denúncia, a favor dos marginalizados, dos que sentiam na pele os efeitos do desemprego e que viviam o quotidiano sem esperança.

Ele foi a voz da esperança. A voz que motivava a acreditar que é sempre possível construir um mundo melhor. Um mundo melhor que passa, em primeiro lugar, por assegurar que todos tenham acesso a direitos fundamentais – o pão, a habitação, a saúde, a educação e a paz.

Ele foi uma voz pela paz e pelo amor. Ergueu a sua voz sem medo e afirmou o direito a todos viverem com dignidade!

Obrigado D. Manuel! Até sempre!

António Sousa Pereira

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