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Inferências

A(nota)mentos - BarreiroAs legitimidades politicas

No decorrer do período pré-eleitoral um dos temas, sempre em cima da mesa, que marcava alguns textos e intervenções de políticos, tinha como referência a abstenção.

Por vezes, chegava-se ao ponto de colocar em causa a legitimidade política dos eleitos na autarquia, pelo facto de a adesão às urnas do eleitorado, nas eleições de 2013, se ter situado, no concelho do Barreiro, em 45.38%.

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A(nota)mentos - Barreiro As legitimidades politicas

Por Jornal Rostos

Nas narrativas salientava-se que Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro em exercício, tinha sido eleito por uma minoria do eleitorado – no caso foi eleito por 14.380 eleitores barreirenses, correspondendo a 44,89% dos eleitores votantes.
Pegava-se neste número para considerar que o processo eleitoral autárquico estava marcada de ausência de participação e que seria pouca a legitimidade politica, pela ausência de eleitores no acto eleitoral.

Por várias vezes me indignei com esta tipologia de reflexões, por considerar que as mesmas não eram justas para a vida politica, nem para os políticos.
Percebia que vivíamos um tempo de pré-campanha eleitoral e campanha eleitoral e, nestes tempos, infelizmente, por vezes vale tudo, só que esse vale tudo deixa marcas, semeia formas de pensar e olhar para a vida que, depois, caem em cima de quem as proferiu, de quem fomentou essas metodologias e incentivou esses modos de pensar a política e a cidadania.

É vida… e isso vai acontecer, nos próximos tempos, sobre muitas «percepções», porque, infelizmente é assim a vida, a «vox populli» é sedenta de sangue contra os políticos, sejam eles quais forem, é a nossa tradição portuguesa.

Nestas últimas eleições autárquicas, registou-se um ligeiro, muito ligeiro aumento da votação. Embora tenha diminuído o números de eleitores.
Em 2013 estavam inscritos nos Cadernos Eleitorais – 70. 590 e votaram 32.034 eleitores - 45,38%.
Em 2017 estavam inscritos 68.628 eleitores e votaram 34.212 eleitores. – 50,14%.

A força politica – CDU - que elegeu em 2013, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, obteve 44,89%, contando com o voto de 14.380 eleitores.

A força politica – PS – que elegeu em 2017 Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, obteve 37,52%, contando com o voto de 12.913 eleitores.

Aos que, durante a pré-campanha eleitoral e eleitoral, muitas vezes questionaram a legitimidade politica de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, pela fraca participação eleitoral, usando estes argumentos como estratégia para apelar ao voto, agora, a pergunta que se coloca é mesmo esta :

Perante a realidade dos números, tem Frederico Rosa, mais legitimidade política, ou menos legitimidade politica, que Carlos Humberto?

Claro que Frederico Rosa tem toda a legitimidade politica. Foi a escolha do eleitorado. Foi a escolha de todos os que optaram por escolher.
E, diga-se, até foi a «não escolha» da maioria do eleitorado barreirense, que se distribuiu por outras forças politicas.
Mas também, caso a CDU tivesse ganho, neste acto eleitoral, provavelmente pela frieza dos números também seria a «não escolha» da maioria dos barreirenses.

Um facto pode ser retirado desta acto eleitoral os barreirenses votam, aqueles que optam por votar, na sua grande maioria nas forças da «geringonça» – 26. 679 eleitores distribuíram os seus votos pelo PS, CDU e BE.
Enquanto as forças da «troika» PSD e CDS-PP registaram 4.508 eleitores.
Há, portanto, uma consciência social muito objectiva no voto dos barreirenses que vai para além, muito para além, de análises superficiais e populistas que marcam os períodos eleitorais. Fica este registo.

Frederico Rosa está eleito presidente da Câmara Municipal do Barreiro, é o presidente de todos os barreirenses, de quem o escolheu e de quem não o escolheu…e, obviamente, tem toda a legitimidade politica.

S.P.

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