Por dentro dos dias - BarreiroLavei-me meus olhos no Tejo

Por Jornal Rostos
Andar pelas ruas é ir ao encontro do pulsar da cidade, sentir a vida. Uma cidade tem vida com as suas gentes.
Trocamos palavras, inevitavelmente, sobre o tempo que vivemos. Uns sorriem. Outros têm um semblante triste. Acho tudo isto natural.
Mas digo-vos, sinto que há pessoas que inscrevem pela sua acção os seus nomes na vida, em instituições, nas cidades, no tempo que viveram, e, ficam mais, muito mais inscritos, quando as suas acções foram gestos de amor, entrega, dedicação sem limites, por vezes, superando as dificuldades com sorrisos.
Admiro essas pessoas, com um respeito que vai para além, muito mesmo, das suas ideias politicas, religiosas ou filosóficas. Gosto, porque gosto, daquele gostar que brota de dentro do coração.
Sei, afinal, que será o tempo, a história, que reconhecerá, lá longe, muito longe, o significado de vidas que, de facto, pelo que foram e fizeram, plantaram sementes de futuro. Um legado.
Sinto, que alguém que vive fazendo, é, de certeza indiferente à ingratidão.
Acordar, olhar o sol, sair à rua, de cabeça bem erguida, com aquela sensação de dever cumprido, de trabalho realizado, de obra, de amor ao que se ama, é, sem dúvida, mesmo lindo.
Hoje, ao fim da tarde, vi um homem, nas ruas da cidade, a caminhar, levando pela mão o seu neto. Sorrindo. Cumprimentado.
A nobreza de um ser humano não está em palavras, está sem dúvida nos actos. Todos os actos. Os erros e as virtudes. Mas o mais nobre é quando a vida é marcada pela palavra – Fazer. Fazer cidade. Fazer futuro. Um legado que, lá dentro de nós mesmos, sem vaidades, sentimos que foi a nossa acção que abriu portas e rasgou caminhos. É lindo!
Um homem, de facto, só é derrotado quando desiste de viver e sonhar. Viver a vida real. Sonhar com amor no coração.
Hoje, ao fim da tarde, dei uma volta pela cidade, fui até à Avenida da Praia, ali, deliciei-me a olhar o pôr-do-sol, feito de muitas cores.
Enquanto vagueava por ali, junto ao rio, meu pensamento mergulhava em memórias.
Os lugares são referências, onde, sempre, inscrevemos os passos que marcam as nossas vidas.
Não sei, se, no futuro, o pôr-do-sol, vai deixar de ser pôr-do-sol e começar a chamar-se «sunset», por ser mais inovador e portador de modernidade.
Olhei a paisagem. Lavei-me meus olhos no Tejo. Sorri!
Até amanhã!
António Sousa Pereira













