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Inferências

Inferências - BarreiroO novo ciclo de Poder Local está empobrecido

A factura da campanha eleitoral de certeza que vai ser cobrada, tudo o que era criticado como mau, agora, com um novo poder politico tem mesmo que MUDAR.

Os eleitores vão exigir isso, os eleitores merecem que as perspectivas de MUDANÇA sejam afirmadas na vida prática e no seu quotidiano.

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Inferências - Barreiro O novo ciclo de Poder Local está empobrecido

Por Jornal Rostos

Findou a Campanha Eleitoral Autárquica, que foi antecedida por um período de pré-campanha, e, nesse dia, escrevi a minha primeira reflexão, antes do acto eleitoral, e, na qual começava por referir que tinha uma sensação de vazio.
Senti muita parra e pouca uva…

De facto, no decorrer da pré-campanha e campanha, durante largos meses, registei que alguns estavam interessados em potenciar os «descontentamentos» que existiam e, certamente, vão continuar a existir, porque não há cidades perfeitas.
E, a «vox populi» está sempre disponível e aberta plenamente para falar mal das autarquias, o poder politico de proximidade, e dos políticos, seja qual for a cor politica.

Estimulava-se as criticas a qualquer situação de lixo na via pública, geravam-se ondas que tudo o que fossem acontecimentos, que passassem a ser importantes para fomentar «percepções ideológicas» da vida local.

O estado de degradação do Barreiro Velho. O estado de abandono da Estação do Barreiro Mar. A situação do comércio local. Os grafitis nas paredes. A iluminação dos espaço públicos.
O objectivo era gerar uma avaliação quanto mais negativa melhor da vida quotidiana.

Depois, era a fuga dos jovens da cidade, porque não eram criadas condições de atractividade.
O aumento de desemprego. A perda de população. Aliás, tudo situações para as quais se apontava o dedo como sendo responsabilidade da autarquia, ignorando-se intencionalmente, que esta era uma realidade do país.

Depois, lá vinha a teoria dos quarenta anos de poder comunista, como um dos grandes males do estado do concelho.
Nem sequer estou a querer afirmar que a força politica que tem sido poder não tenha, e certamente tem, algumas responsabilidades, mas há situações que superam as responsabilidades do Poder Local e vão continuar a superar as responsabilidades do Poder Local. Esse é o drama.

A campanha eleitoral foi marcada por um verdadeiro
«bulling politico», estimulando ódios, gerando bodes expiatórios e criando uma imagem negativa do concelho.
Por diversas vezes, em conversas pessoais, alertei para esta realidade porque, após as eleições, o clima que foi criado, certamente, não ficava enterrado e seria uma «cultura» instalada na vida quotidiana.
A factura da campanha eleitoral de certeza que vai ser cobrada, tudo o que era criticado como mau, agora, com um novo poder politico tem mesmo que MUDAR. Os eleitores vão exigir isso, os eleitores merecem que as perspectivas de MUDANÇA sejam afirmadas na vida prática e no seu quotidiano.

Os cidadãos que, são todos os cidadãos, os que votaram e os que não votaram, vão estar, de certeza, na primeira linha a exigir que nunca mais existam contentores a abarrotar de lixo, que os papeis na rua acabem, que os cães deixem de usar a via pública, que as ervas não cresçam nos passeios, tanta coisa…
Poderão dizer que «Roma e Pavia, não se faz num dia», mas quatro anos de mandato serão um tempo credível para testar as mudanças.

Os registo políticos da pré-campanha e campanha foram - o Barreiro é uma terra sem vida, onde os jovens não conseguem viver, uma terra de velhos, onde não há emprego, uma terra marcada pelo «marasmo», «abandono», «incompetência», falta de segurança, lixo nas ruas, Barreiro Velho degradado, etc. E não estou a apontar o dedo a nenhuma força politica em particular, este foi o fio condutor de quem se opunha ao poder instalado.
Temas que em nada contribuíram para valorizar a cidade, ou o concelho.
E, por outro lado, o poder dominante, por vezes, não olhava para situações reais e cultivava que este era o melhor dos mundos.
Tendo razão numa coisa esta é uma terra linda e com muita vida, e, isto, na verdade, não se cansou de afirmar. Só que o outro lado, soube muito bem explorara as fragilidades.

No fechar da campanha ainda surgiu a «guerrilha» da agitação dos papões, do querem calar, da falta de liberdade na vida da cidade, que nasceu da entrada telefónica, pela casa dentro das pessoas – sendo ou não legal - foi uma coisa de lamentar, que gerou uma dinâmica absurda de “ódio social” e de “guerrilha comunitária”.
Há coisas que se dizem e fazem podem ser esquecidas, mas há coisas que se fazem e dizem, que ficam como marca da forma de estar e fazer politica.

É por tudo isto que a minha primeira reflexão foi pensar o novo ciclo autárquico, independentemente de quem vencesse seria marcado por tudo o que se disse neste período pré-eleitoral e eleitoral.
O novo ciclo eleitoral está empobrecido porque tem esta génese de conflitualidade. Acho que o diálogo entre forças politicas vai ser difícil…
Pode, até, ser que comece tendo por base o “enterrar o machado de guerra”, mas o que está dito, está dito, e, na vida há uma coisa que todos temos é memória. Ignoramos, mas não esquecemos.
E, acima de tudo, os eleitores reivindicativos, exigentes, a quem foi estimulada esta forma de pensar e estar, certamente vão continuar a ser exigentes, mesmo dando um tempo de «estado de graça», cá estarão a olhar o quotidiano, e, de facto, das duas uma: ou concluem que os políticos são todos iguais, ou, a vida demonstra que há diferenças, e isso, quer queiram, quer não…é na prática, coisa que o marketing não resolve.
Os primeiros sinais já se escutam nas redes sociais. E o tempo, esse, será o grande juíz!
Para bem do Barreiro seria bom que a dita «mudança» fosse uma realidade, real, sem visões ou ambições!

António Sousa Pereira

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