Por dentro dos dias - Barreiro“Felizmente há luar”!
As palavras podem ser ódio. As palavras podem ser amor. Eu prefiro, sempre preferi, a ternura das palavras.

Por Jornal Rostos
Procuro, vou continuar a procurar, nunca vou desistir de procurar, os caminhos, os meus caminhos, sentindo o vento, o sol e o luar, porque “felizmente há luar”.
Olhar o Tejo. E, ali, nas suas margens pensar nas naus, ou nas pontes, ou, apenas sentir as ondas debruçarem-se nas pedras verdejantes. Sentir o cheiro de maresia. Olhar a distância.
Estar ali, apenas ali, na ternura e suavidade da minha interioridade. Pensar. É tão belo pensar. Ter pensamento próprio, que nasce nas nossas interpretações da vida e do tempo que vivemos, é lindo, muito lindo. Tudo o resto é a espuma do tempo. Sempre assim foi, sempre assim será.
É verdade – “felizmente há luar”!
Esta tranquilidade é a melhor energia que pode acalentar os nossos dias. A paz interior, a sensação de que não somos servos, nem escravos dos movimentos da história. Ter opinião, nos tempos de hoje é difícil, mas, que querem, essa é uma forma de caminhar, da qual nunca vou abdicar.
E ter opinião é saber perceber e entender o tempo que vivemos. Não querer ser dono da verdade, pura e única, porque a vida é feita de diversidade. É nisso que acredito.
As palavras são apenas palavras. Podem chocar. Podem vulgarizar. Podem ser motivação.
As palavras podem ser ódio. As palavras podem ser amor. Eu prefiro, sempre preferi, a ternura das palavras.
A maior banalidade para quem vive tranquilamente, com ideias no coração, valores que guiam os seus dias, as suas lutas e paixões, é escutar palavras, aquelas palavras que se dizem críticas, “nobres e justas”, marcadas de superioridade intelectual, de sobranceria ideológica, essas palavras escritas e ditas, afinal, são carregadas de sal rançoso, são palavras sem sabor, inúteis, pois, de tão repetidas, não fertilizam a vida, nem incomodam quem tem sonhos e vive com a liberdade a pulsar nos nervos.
Vão por aí, continuem por aí, eu hei-de continuar a erguer bem alto, esta bandeira que coloquei no coração, antes de Abril nascer, vi florir com Abril, senti murchar, renascer, voltar a murchar, renascer…e, agora, nestes tempos, com estes cabelos brancos, esta bandeira – a Liberdade - está inscrita como forma de viver.
Isso é que é lindo. Acreditem,
Afinal, ao longo da história da humanidade, em todas as épocas, em todos os tempos – “felizmente há luar”!
S.P.













