Rosto da Semana – BarreiroCarlos Humberto – o autarca que afirmou o Barreiro junto ao Poder Central
Foram doze anos à frente dos destinos da autarquia num tempo marcado por grandes mudanças e exigências, merecidamente, aqui fica o destaque como «Rosto da Semana».

Por Jornal Rostos
Carlos Humberto, durante três mandatos exerceu o cargo de Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, um tempo marcado por imensas dificuldades, logo, pelo período da troika que obrigou a exigências orçamentais, que nenhum dos seus antecessores – quer da CDU, quer do PS - teve que enfrentar, quer pela obrigação legal de elaboração de orçamentos com deficit zero, quer pela impossibilidade de recorrer a empréstimos que outros beneficiaram, com a elaboração de orçamentos inflacionados, assim como a obrigatoriedade de reduzir custos com recursos humanos e diminuição abrupta do quadro de pessoal. Só quem não conhece a realidade autárquica não percebe as dificuldades de quem viveu estes períodos, talvez, até, a contar tostões para garantir os salários dos trabalhadores.
Carlos Humberto, desde cedo percebeu que os problemas estruturantes do concelho do Barreiro não se resolvem, exclusivamente, com a vontade e acção do Poder Local – quer ao nível de desenvolvimento económico, quer ao nível das acessibilidades. Por essa razão desde sempre procurou manter diálogos vivos e activos com o Poder Central, quer com os governos de José Sócrates, lutando pela Terceira Travessia do Tejo e tudo o que a este projecto podia estar associado, que com o Governo de Passos Coelho, assumindo um papel relevante pela construção do Terminal de Contentores do Barreiro, quer com o governo de António Costa, procurando em diálogo permanente alertar e exigir a resolução de problemas estruturantes –ligação rodoviária ao Seixal, com a construção da ponte que ligue e aproxime estes dois concelhos, dando-lhe dimensão de massa critica. Projecto que o Primeiro Ministro António Costa, assumiu no Barreiro, que será contemplado no âmbitos dos fundos europeus 2020.
Foi incansável no diálogo com o Poder Central, nunca, em nenhum mandato, tantos Ministros e Secretários de Estado visitaram o Barreiro e aceitaram desafios de resolução de problemas em diálogo com a autarquia – desde problemas de âmbito cultural, passando pela preservação do património ferroviário, quer pela procura de soluções integradas para o território da Baía do Tejo, com cujas administrações – diversas – manteve uma permanente relação de diálogo e trabalho conjunto na valorização e promoção daquele território, assim como a abertura do antigo espaço industrial ao tecido urbano da cidade.
Carlos Humberto, desde cedo percebeu e valorizou a ligação da cidade ao rio, explorando essas potencialidade, valorizando o espaço de Alburrica como zona de lazer e adquirindo a Quinta Braamcamp, abrindo portas ao futuro, assim como colocou em marcha o projecto de ligação pedonal de ligação do Barreiro ao Seixal, legado que deixa aos seus vindouros.
E, não só a zona central da cidade ficou marcada pela sua gestão, sendo de destacar a importante intervenção de valorização da zona da Cidade Solo, onde ainda está muito por fazer e prosseguir, se os fundos europeus o permitirem, de forma a torna aquela zona do concelho um território cada vez mais inclusivo e evitando que se transforme num problema social.
E, sublinhe-se o projecto que vai legar de resolução do problema das AUGI’S com recurso a candidaturas, já aprovadas, que vai legar, resolvendo problemas com mais de quaranta anos, de saneamento básico e arruamentos, para os quais só agora existiu abertura de fundos comunitários.
E, referir, a aquisição de 60 novos autocarros, projecto já em marcha que irá, caso único no país, de renovação completa da frota. Um legado que fica para os vindouros.
Um autarca que viveu todos os dias ao serviço da comunidade, que se dedicou com amor a esta que é a sua terra e serviu com paixão.
O autarca que soube afirmar o Barreiro junto ao Poder Central – quer PSD/CDS, quer PS – porque o Barreiro só terá futuro se o Poder Central reconhecer e assumir as suas responsabilidades, perante um território que sofreu uma profunda descaracterização fruto da desindustrialização, quer na Baía do Tejo, quer na sua dimensão ferroviária, como um dia, bem reconheceu o Presidente da República, Mário Soares, numa iniciativa que decorreu na SFAL, no âmbito da sua Presidência Aberta na AML.
Hoje, e aqui, por ser justo, por merecido, aqui fica esta simbólica referência a Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro – o nosso Rosto da Semana.
António Sousa Pereira













