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Inferências

InferênciasO concelho do Barreiro é mais que o centro da cidade

Não vejo qual seria o problema, manter esta tradição cultural da vida autárquica barreirense, aprovando, por exemplo, um calendário, para ao longo do ano manter um ciclo de reuniões descentralizadas

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Inferências O concelho do Barreiro é mais que o centro da cidade

Por Jornal Rostos

Quando Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro apresentou a proposta no sentido de realização pública de todas as reuniões de Câmara, de imediato pensei, cá esta uma proposta positiva e inovadora, porque vai dar mais transparência e mais visibilidade ao trabalho do executivo municipal. Um bom sinal politico.

Depois, quando na proposta sugeria que as mesmas fossem realizadas exclusivamente nos Paços do Concelho, torci o nariz.
Escutei os argumentos quer da CDU, quer do PS, quer do PSD, e, de facto, concordo que quem lidera a autarquia tem o direito de escolher uma opção. No caso de as reuniões serem todas públicas e realizadas nos Paços do Concelho. É uma opção.

Não concordo, nem de longe, nem de perto, com os argumentos, que as reuniões descentralizadas não motivavam a participação, ou que nelas só participavam pessoas com interesses políticos eventualmente ligados à CDU.
Nas reuniões públicas que tenho acompanhado, em vários mandatos, já vi salas cheias, com pessoas a reivindicar a solução de problemas dos seus bairros, que se arrastavam há anos e que devido a essa mobilização para participarem numa reunião de Câmara na proximidade do seu bairro, viram dar passos de gigante problemas com décadas.

Vi reuniões com pouca participação. Vi reuniões com alguma participação. Vi reuniões com salas cheias, mesmo cheias. Vi reuniões com os mesmos, sempre os mesmos.
Vi reuniões com pessoas a dormir, cansados de escutar conversas que se enrolavam em torno de nada, mera «dialéctica» da vida politica local ou nacional.

Acabar com a descentralização de reuniões de Câmara nas freguesias, que, de facto, faz parte da cultura democrática do concelho do Barreiro, em todos os mandatos, desde que há eleições autárquicas, não considero que seja um passo em frente e que tal contribua para dar mais dinâmica à participação.

Pelo que vi hoje, na reunião de Câmara, quem quiser olhar com olhos de olhar, e, até, por ser a primeira reunião pública, pelo global de presenças, não é, um exemplo que demonstre que, esta opção, vai aumentar a participação e gerar mais cidadania.

Aliás, é contraditório que o PS considere importante e essencial para dinamizar a vida politica local, e proponha durante o mandato descentralizar as reuniões da Assembleia Municipal considerando que tal faz sentido e valoriza a participação, e, quanto ao órgão executivo - CMB, considere que a descentralização não faz sentido, nem valoriza a participação. Não diz a bota com a perdigota.

Ora, se a proposta, que aplaudo, é que se concretize a realização pública de todas as reuniões de Câmara – serão cerca de 24 reuniões por ano - sendo duas vezes por mês.
Não vejo qual seria o problema, manter esta tradição cultural da vida autárquica barreirense, aprovando, por exemplo, um calendário, para ao longo do ano manter um ciclo de reuniões descentralizadas – realizando oito, se fosse pelas antigas freguesias, ou quatro nas actuais freguesias.
Isto não gerava, certamente, nenhuma ruptura com a ideia estratégica de gerar um hábito – de dia e local fixos.
E, acima de tudo, pela positiva, mantinha-se a tradição de realização de reuniões de proximidade, que, na verdade, acabando, será sempre um vazio que se gera na ligação à comunidade.
O concelho do Barreiro é mais que o centro da cidade.

Portanto, em conclusão, aquela que foi, sem dúvida, uma proposta positiva de realização de todas as reuniões de Câmara públicas, criando o hábito e a rotina, que, digo com sinceridade, acredito e aceito é uma proposta que merece aplauso, fica ferida por um aspecto negativo só porque existe uma «percepção», e, ignora-se que existe uma memória na comunidade de práticas, esta com mais de 40 anos, sempre, em todos os mandatos.

E como alguém dizia – não havia necessidade de acabar com as reuniões descentralizadas, mais a mais quando todas as reuniões serão públicas.
Enfim, são opções…

S.P.

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