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Inferências

Os lugares - Barreiro / MoitaA energia de um abraço a marcar o começo de um novo ano

Uma cidade, uma vila ou uma aldeia, são feitas de lugares, espaços, ali, onde inscrevemos os nossos dias e, até, as nossas memórias.

Os lugares exprimem sentimentos. Eles são “este chão” que pisamos e onde os nossos passos dão um rumo ao tempo que vivemos.

4 min de leitura
Os lugares - Barreiro / Moita A energia de um abraço a marcar o começo de um novo ano

Por Jornal Rostos

Hoje, à tarde, fui dar um passeio até à Baixa da Banheira, entrei na Vila, ali, naquele lugar, junto à antiga Fábrica do Sal – que sempre foi no concelho da Moita, mas nós, todos nós, sempre a consideramos do Lavradio.
Entrei ali, o mesmo espaço, onde há décadas atrás, por vezes aos fins- de-semana, também por ali entrava numa extensa zona agrícola até ao rio, até, por vezes, com vacas ou cavalos a pastar.
Por aquele terreno, descampado, divertia-me, correndo, saltitando, em brincadeiras e pontapés numa bola, com os meus filhos Miguel e Rita.
A foto, dos anos 80, que edito junto a este álbum, foi tirada naquela zona onde, hoje, está localizado o depósito da água, aquele Parque, das «casas cor de rosa», que nos conduz até ao Rio Tejo e ao Parque Zeca Afonso.

Os lugares mudam. A paisagem natural, humaniza-se. A vida transforma-se. O tempo é a marca das mudanças e o lugar onde se inscrevem as memórias.
Andei por ali, hoje à tarde, neste primeiro dia do ano de 2018. Caminhando solitário, entregue a pensamentos e mergulhando o olhar na distância, escutando os sons das gaivotas, os gritos das crianças e, sentindo as palavras a cruzar os neurónios, por dentro das minhas memórias.
Tanta coisa que recordei. Desde a Fábrica do Sal a funcionar em pleno, até, àquela «casa» que foi construída como sede de um clube extinto «Os leões do Lavradio, afinal, com sede na Baixa da Banheira.

Ali, naquele parque, de súbito estamos entre o rio e a natureza, um silêncio de ternura, estamos dentro da cidade (ou da vila) e estamos ausentes, distantes do burburinho. Sentimos uma paz interior tocar os nervos.
No Parque Zeca Afonso, escuta-se mesmo, no seu silêncio florido, aquela canção: “Vejam bem, que não há só gaivotas em terra, quando um homem se põe a pensar…”.

Digam lá se isto não é qualidade de vida – sentir o lugar, a paisagem, o espaço, a memória.
O dia de hoje foi, afinal, marcado por passeios, pela manhã, numa caminhada pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, ali, a tocar com os meus olhos em Lisboa.
Encontrei a Cláudia e conversámos. Registamos, numa «selfie» o nosso reencontro no começo de um novo ano.
Depois, continuei aquela caminhada deliciosa a sentir as ondas e o cheiro Tejo – já se sente a maresia nas margens do Tejo – que hoje, estava vestido de verde e azul.
Encontrei alguém que me interrogou : “ Conhece-me?”. Disse-lhe que não estava a recordar. “Sou o Virtuoso”, disse-me.
E, de repente aqueles dias gravados na crónica - «As melhoras Ti’João”, dos dias que estive no Hospital do Barreiro, tocaram os meus nervos. Fiquei a saber que, afinal, o Ti’João não resistiu e partiu noutro rumo.
Continuei o meu passeio. Olhando o rio. Voando com o voo de uma gaivota. Sorrindo.

São assim, os lugares, esses espaços que fazem a nossa vida. São lugares que nós sentimos, para além, muito para além de circunstâncias, porque, nunca esqueçam, são neles, nos lugares, que nós nos sentimos humanos – sorrindo, sempre sorrindo - e, afinal, só quando nos sentimos humanos – somos capazes de olhar as flores, tocar o brilho do sol, e, sentirmos a energia de um abraço a marcar o começo de um novo ano.
Por aqui me fico….BOM ANO 2018!

António Sousa Pereira

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