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Inferências

Por dentro dos dias – BarreiroSozinhos somos apenas uma ausência de comunidade.

Todas as pessoas que se cruzam nas nossas vidas, inscrevem memórias no tempo que vivemos. É por isso, apenas por isso, que nós somos sempre, nós e os outros, nesse percurso temporal, feito de raízes, sementes, flores e frutos.

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Por dentro dos dias – Barreiro Sozinhos somos apenas uma ausência de comunidade.

Por Jornal Rostos

Os dias, todos os dias, são páginas brancas, onde, pintamos a vida, com as cores que escolhemos –pode ser carvão, óleo ou aguarelas – cores que emergem sempre da tonalidade das palavras, essas que são o espelho dos sentimentos. A vida.
Nunca sabemos o que será o dia de amanhã. Imaginamos, mas a imaginação tem limites desconhecidos. A ignorância do futuro é, afinal, aquilo que faz que lutemos no presente, aqui e agora, o lugar onde construímos as certezas que somos. Conhecemos o dia de hoje, na medida em que ele vai-se desocultando em gestos, desejos, vontades – silêncios e cores.

Por vezes, um dia que nasce com o sol a brilhar como ouro no azul – lindo – de repente transforma-se, por um acaso, um simples acaso. Um telefonema. Uma troca de olhares marcados pela indiferença. Uma notícia que faz mergulhar no tempo.
E por dentro dos neurónios, percorremos como quem viaja no espaço, de ponto em ponto, recordações, pode ser aquela noite de inauguração da primeira discoteca que existiu no Barreiro, ali na cave da SDUB «Os Franceses» - numa noite feita de gargalhadas perdidas por dentro de garrafas, ou aquela inauguração soberba da Urbanização da Habisocial, com Secretário de Estado – marisco a saltar nas mesas coloridas de um ambiente cosmopolita, no centro da aldeia-cidade, ali, vendo aquele boi a rodopiar, em glória de assado único, em plena Quinta dos Loios, anunciando o futuro, que teimava em nascer.
Ou naquelas tardes, nas bancadas do Estádio D. Manuel de Melo, em que vibravas, intensamente, pelas cores alvi rubras.
Enfim, a vida inscreve o tempo no tempo que somos, sempre com os outros. Sozinhos somos apenas uma ausência de comunidade.
Estou a escrever e um sorriso toca meus lábios, quando recordo aquela história, que te deliciavas a contar, como exemplo de uma experiência de vida, porque a vida é sempre o grande mestre. Uma história feita de palavras repetidas : “É mentira, é mentira, é mentira! E mesmo que digam que é verdade, voltarei sempre a dizer: É mentira, é mentira, é mentira!”.
Porque, de facto, há verdades que só cada um, dentro de si, lá no fundo das experiências únicas vividas, sabe o lugar que merecem ocupar no centro das suas vidas. E, essas ficam, ternas e lindas a florir em poemas.
Assim como há pessoas que ocupam um lugar nas nossas vidas, há outras que são apenas uma miragem de um tempo que ignoramos, um tempo que existe, mas ignoramos, porque são a ausência do tempo que fomos não sendo. Ponto final.

Hoje, é domingo, este dia sempre marcado por uma cadência especial, assim como quem marca o começo e o recomeço. Os domingos, por vezes, parecem um intervalo, entre o passado e o futuro –a semana que foi, a semana que vem – uma paragem para recuperar as forças que fazem emergir futuro.

Sorriam sempre!

António Sousa Pereira

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