InferênciasO Barreiro tem que sair do gueto

Por Jornal Rostos
No governo de José Sócrates vivi, anunciado, o sonho do Barreiro sair do «gueto», onde começou a entrar, antes do 25 de Abril, quando começou a sentir-se os efeitos da desindustrialização.
Com pompa e circunstância foram divulgados projectos-ideias que galvanizavam e faziam sentir que estava a emergir futuro. Acreditei. Foram muitos os que acreditaram – Terceira Travessia do Tejo, Arco Ribeirinho Sul, polo ferroviário do TGV na Penalva, uma Estação Ferroviária ( estilo Oriente no Lavradio), a ponte de ligação Barreiro –Seixal e o Novo Aeroporto de Lisboa.
Enfim, era o sentir que finalmente o Poder Central olhava para esta margem e via o seu potencial, integrando-a de acordo com os estudos, existentes, de planeamento do território, integrando-o na região da Área Metropolitana de Lisboa.
Pouco depois, tudo se esfumou. Tudo passou rapidamente, de facto, para aquilo que era – espuma!
E, de novo senti o Barreiro metido no gueto de onde, afinal, nunca mais saiu fruto de um dos seus problemas centrais, apesar de estar a 25 minutos de barco de Lisboa ( a rede fluvial é o que é) e estar a 30 minutos de Lisboa por via ferroviária ( a partir de Coina).
Estar no gueto, é estar isolado, é ser uma região urbana que carece de mobilidade, e, até, nem sequer ter perspectivas de ligação a projectos que estão anunciados como o aeroporto do Montijo.
A mobilidade é um dos grandes problemas do Barreiro, para atrair investimentos e empresas que aqui se queiram fixar, ou, até mesmo, para potenciar áreas urbanas de habitação.
Ocorreu-me tudo isto ao ler, hoje, na imprensa as declarações do Primeiro Ministro António Costa, nas quais refere que o comboio de alta velocidade – TGV – é em Portugal um tema tabu e “vai sê-lo muito tempo”, isto enquanto, está a crescer na maior parte da Península Ibérica.
Isto, significa que esta rede TGV, em tempos anunciada, que podia contribuir para retirar o Barreiro do gueto, vai ser um tabu, ainda por muitos anos. E perante isto, pensei, de facto, a verdade é que o Barreiro não pode esperar.
Como, certamente, já não vai ser no meu tempo, quero, aqui e agora, deixar um apelo – já que a direita e a esquerda não se entendem quanto ao TGV – ao menos, por favor, que se entendam quanto à ponte de ligação Barreiro – Seixal.
Será uma ajuda para retirar o Barreiro do gueto e abrir portas ao futuro.
O Barreiro terá muitas dificuldades em deixar de ser o que é se não resolver o problema da mobilidade e a sua ligação em pleno ao território da AML e na Península de Setúbal.
Esta, na minha opinião, devia ser uma das bandeiras da acção politica – num compromisso de todas as forças – agir para solucionar o problema da mobilidade e articulação do concelho com a região, tendo como prioridade a construção da ligação do Barreiro Seixal e a criação de uma circular que ligue o Arco Ribeirinho Sul – com os olhos no Aeroporto do Montijo.
E no trabalho de casa melhorar as acessibilidades à zona sul do concelho, potenciando a zona de lazer Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, como área de referência para a região.
Assim, podemos criar as condições de atrair investimento, dinamizar emprego, dinamizar novas áreas urbanas de proximidade aos concelhos de Palmela , Setúbal e Sesimbra.
Em suma, colocar o Barreiro como verdadeira centralidade na AML e na Península de Setúbal.
António Sousa Pereira













