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Inferências

A(nota)mentos - BarreiroEntre a culpa, a azia e a falta de civismo

O problema da limpeza urbana foi, é, e será, talvez, ainda por muitos anos um «problema cultural» por resolver.

Só que, esta realidade, infelizmente, é avaliada e vista de acordo com as conveniências e circunstâncias.

4 min de leitura
A(nota)mentos - Barreiro Entre a culpa, a azia e a falta de civismo

Por Jornal Rostos

Nos anos 80, quando profissionalmente, assumia funções na área da comunicação na autarquia, foi promovida uma acção de comunicação que visava, por um lado, contribuir para que, internamente, cada serviço do município pensasse e sentisse que não era uma ilha, porque todas as coisas estavam interligadas, nomeadamente, por exemplo, a educação, a cultura, os serviços urbanos e a comunicação. A cidade é vida.
Por exemplo, sobre a recolha do lixo foi dinamizada uma campanha, com base numa banda desenhada - comunicação revolucionária para a época numa autarquia – cujo público alvo eram as escolas do Ensino Primário. A finalidade era dar contributos para a mudança de hábitos, na forma de tratar o lixo que todos produzimos nas nossas casas. A escola era um bom elo de ligação às famílias.

O tempo passou ainda no mandato anterior iniciou-se uma campanha tendo como tema - «Não seja indiferente!»
Recorde-se que no concelho do Barreiro foram recolhidos cerca de 31 mil toneladas de resíduos urbanos em 2016 e que anualmente são gastos 4 milhões de euros, com Higiene Urbana.

Apesar de toda a vontade do município – quer pela Câmara Municipal do Barreiro, quer pelas Juntas de Freguesia – a situação é complicada e muitas vezes, sem dúvida, há situações que nem são da responsabilidade das autarquias.
São actos de pura falta de civismo e de desrespeito pelo espaço publico que é de todos e todos devem respeitar.

Tudo isto a propósito de comentários e situações que eram comentadas de forma intencional, há cerca de 100 dias, que em nada contribuíam para mudar mentalidades ou ajudar na resolução das dificuldades.
O lixo na rua tinha um culpado, era o município, era a Junta de Freguesia. A falta de civismo não existia.
Nos dias de hoje, passo por certos locais, que eram motivo de constantes publicações de fotografias – muitas vezes estão na mesma, mas agora, não se publicam fotografias, nem se procuram culpados.

Nos dias de hoje, quando surgem fotografias, de facto, os comentários – de alguns comentadores – são para criticar a falta de civismo.
Houve por aí, uns dias, que era para falarem de «azia», ou que «não se muda de um dia para o outro o que não se fez em 40 anos».
Enfim, discursos de circunstância.

O facto é que as situações lamentáveis vão continuar, muitas vezes, mesmo por falta de civismo – já vi, recentemente - contentores vazios e o lixo colocado no chão. Infelizmente.
Há muito por fazer na mudança de mentalidades e hábitos.
Podem existir situações resultantes de falta de recursos, quer técnicos, quer humanos, mas, isso será uma realidade, por muitos anos, numa autarquia como o Barreiro, que se puxa a manta para um lado, destapa no outro…

Há um trabalho a realizar nas escolas. Há um trabalho a realizar na sociedade civil.
Há investimento a realizar em equipamento, são necessários mais recursos humanos…mas o orçamento não estica.

Por isso, quer esteja na liderança da Câmara – a CDU, o PS, o PSD, o BE, o CDS, ou outro qualquer a realidade é o que é, e, na verdade, as ervas no passeio não passam a nascer para debaixo da terra…pela cor politica que lidera o concelho.

É por isso, apenas por isso, que me indignava quando, há 100 dias atrás, certos comentadores, com certos comentários de circunstância, diziam o que diziam, e, agora, comentam, com outros comentários de outra circunstância, dizendo o que dizem…é vida. O tempo tudo esclarece.
Mas, o real, é que é preciso acima das circunstâncias, promover a cidadania e a cultura cívica, o viver e o fazer cidade …porque a cidade é um espaço de todos, para todos, e não é, nem nunca será, um espaço de uma «cultura partidária»…

António Sousa Pereira

Foto - Uma rua do Lavradio, publicada hoje nas redes sociais

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