Saltar para o conteúdo
Inferências

A(nota)mentos - BarreiroOu há critérios ou comem todos!

Porque é que há os escolhidos e os excluídos. Se há critérios então «comem» todos.
Se não há critérios, então são aqueles que o Poder político considera merecedores, por escolha, e apenas porque, hoje e aqui, considerou-se serem os merecedores de apoio, apenas porque sim. Porquê estes? Onde está o estudo ou avaliação com critérios que estas são as prioridades?

4 min de leitura
A(nota)mentos - Barreiro Ou há critérios ou comem todos!

Por Jornal Rostos

Na última reunião da Câmara Municipal do Barreiro foi aprovada uma proposta apresentada por Bruno Vitorino, no sentido de parte da verba das taxas relativas à implementação do projecto SUPERA, nos terrenos cedidos ao Galitos, sejam aplicadas em projectos de um conjunto de clubes e colectividades do concelho.

Na proposta aponta-se que dos previsíveis 380 mil euros, 200 mil euros dessa verba tenha como destino apoiar o Grupo Desportivo Ferroviários para a aquisição e instalação de um pontão para o acesso das embarcações ao rio; o Futebol Clube Barreirense para a instalação de iluminação LED nos campos da Verderena e na academia, bem como na beneficiação do parque desportivo de formação/academia (recuperação dos sintéticos e espaços envolventes); o Grupo Desportivo Fabril para a aquisição do sintético para o futebol e na pavimentação de toda a zona exterior do complexo desportivo e o Sporting Clube Lavradiense na substituição do telhado da sede do clube, que contém amianto, e, por fim foi acrescentado pelo autarca social democrata o beneficiar as instalações do Grupo Dramático e Recreativo «Os Leças».
Por outro lado, a CDU acrescentou mais uns clubes entre os quais, registei, a SFAL e o Silveirense.

Sara Ferreira, vereadora responsável pela área do associativismo, recordou que existem critérios de apoio ao Movimento Associativo.
O vereador Bruno Vitorino considerou que pelos critérios de apoio ao movimento associativo, as obras que são referenciadas na sua proposta dificilmente se concretizarão, daí considerar justo que das verbas de um equipamento privado da SUPERA, que vai ser construído num terreno cedido pelo município ao Galitos, as taxas deviam beneficiar a melhoria das condições de práticas desportivas no concelho, nomeadamente dos clubes referenciados.
A proposta foi aprovada e pelo que me apercebi vai ser criado um Grupo de Trabalho para definir quais os clubes que, de acordo com as verbas que possam, eventualmente, vir a ser disponibilizadas, então, serão os felizes contemplados.

A aprovação desta proposta por unanimidade é um exemplo concreto de como o associativismo foi, é, e vai continuar a ser um parente pobre na vida deste concelho. Só contando, pelos vistos, com verbas no orçamento para a resolução de problemas de infraestrutruras, quando por aí surjam umas verbas extras, não sendo na realidade uma estratégia assumida pelo município ter uma programa de curto médio e longo prazo que contribua para valorizar – todos os anos – o património associativo, que é, em último caso património da comunidade. Tem sido assim e vai continuar a ser assim…é vida!

Há anos que venho a defender a necessidade de um programa de valorização do património do Movimento Associativo, estudando e definindo em diálogo entre a autarquia e levantamentos em colaboração com as freguesias, de forma a definir-se prioridades, elaborar-se um plano, visando resolver caso a caso, se possível, numa década, as situações mais graves e mais importantes ao desenvolvimento estratégico das modalidades e da melhoria das condições de práticas desportivas e culturais.
Se já tivesse começado há dez ou vinte anos atrás, muitas situações que estão por resolver, certamente, tinham sido solucionadas e, talvez, até, muitas delas com o recurso a apoios de programas do Poder Central.

E, de facto, se existe um Conselho Municipal do Associativismo porque não é, o mesmo, consultado sobre esta matéria ?
E se há critérios de apoio ao Movimento Associativo, então, porque não se opta, por reforçar com esses tais 200 mil ou 380 mil euros a verba das rubricas destinadas a este tipo de apoios, seja dada informação ao Movimento Associativo, e, então, todos em pé de igualdade podiam apresentar suas candidaturas.

Porque é que há os escolhidos e os excluídos. Se há critérios então «comem» todos.
Se não há critérios, então são aqueles que o Poder político considera merecedores, por escolha, e apenas porque, hoje e aqui, considerou-se serem os merecedores de apoio, apenas porque sim. Porquê estes? Onde está o estudo ou avaliação com critérios que estas são as prioridades?
No meio de tudo isto o que estranho é o silêncio dos dirigentes associativos e das suas estruturas concelhias.

António Sousa Pereira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção