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Inferências

Por dentro dos Dias - BarreiroViver a Liberdade e a Democracia

Ao fim da tarde, hoje, nestes dias de Abril, no findar de mais um ano, continuo a sentir esta alegria enorme de ter Abril no coração e, aqui, sentir a Liberdade a voar livre nos meus dedos.

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Por dentro dos Dias - Barreiro Viver a Liberdade e a Democracia

Por Jornal Rostos

Hoje, pela manhã, lá fui até à Escola do Ensino Básico dos Fidalguinhos, para conversar sobre o 25 de Abril. A Câmara Municipal do Barreiro – Sector de Educação - já há alguns anos que, nestes dias de Abril, me dirige o convite para conversar com alunos das escolas. São momentos que vivo com muito entusiasmo e dão uma alegria enorme partilhar recordações com aqueles que serão os homens e mulheres que, amanhã, serão os construtores do quotidiano.

A mensagem que mais gosto de transmitir é que cada um de nós tem a responsabilidade de manter vivo o 25 de Abril no coração – a Liberdade e a Democracia.
Esse dia que faz com que a nossa história de mais de 800 anos, seja pensada e sentida, com o antes e de pois do 25 de Abril.
Um Portugal que nasceu neste canto da Europa, espalhou-se pelo mundo, com a sua língua e cultura, e, após Abril, serenamente, regressou a este canto da Europa. Num tempo novo. Com o fim da Guerra Colonial, da censura, das prisões por ideias ou ideais.
Um Portugal que estava preso dentro de cada um de nós, onde cada um era um rouxinol sem asas, que não podia voar - como cantava o Fanhais - e hoje, acreditamos, ou menos isso, acreditamos que somos livres de voar.
Gosto de ir às escolas para deixar uma semente de futuro – uma semente que se escreve com a palavra Liberdade.

Vinha a sair da escola e recordava que, hoje mesmo, neste dia, há dezasseis anos atrás, estava a viver o tempo de despedida de meu pai. Nunca irei esquecer aquele aperto nos meus dedos, ali, no Hospital do Barreiro, já moribundo, mas num sinal de adeus, senti apertar meus dedos. E nessa noite partiu.
O tempo passa e nós ficamos com os nervos vincados de memórias. Afinal a vida é isso mesmo, tudo o que faz as nossa memórias, tudo o que vivemos e encheu os nossos dias de alegrias ou de tristezas.

Depois, foi a inauguração da nova sala de formação da Associação Vem Vencer. Recordei o David. E, senti que, de facto, nós nunca partimos quando deixamos sementes na vida. Tudo o que nós criamos e construímos, tudo o que foi energia renovadora e de futuro, dá continuidade à nossa presença no pulsar da cidade. O David continua presente. Era íntegro, batalhador - sonhava, pensava e realizava.
Não precisava dobrar-se, nem bajular, tinha ideais e ideias e lutava por eles, sugerindo, propondo…foi assim que deu corpo à Vem vencer.
Porque acreditou que nós não somos nada fechados no mundo de nós próprios, acreditou que somos com os outros.
Afinal, em tudo que queremos construir, existe um ponto de partida inicial para acreditar e lutar, é esse o lema: “Tu vais conseguir vencer!”.
Pensava nestas palavras e nos sorrisos que fazem a vida. Sorri.
Pensava nestas palavras. E sentia a vida pulsar, olhando de frente os dias.

Ao fim da tarde, hoje, nestes dias de Abril, no findar de mais um ano, continuo a sentir esta alegria enorme de ter Abril no coração e, aqui, sentir a Liberdade a voar livre nos meus dedos.
Isto é que é lindo!

António Sousa Pereira

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