Por dentro dos Dias – BarreiroChegou a Liberdade e a Democracia.
Eles sabem muito bem, usar a democracia e a Liberdade…

Por Jornal Rostos
Em Maio é tempo de anunciar as novidades, e, pelo que me constou, numa conversa no Instituto Politécnico de Setúbal, está em marcha um novo projecto jornalístico no concelho do Barreiro.
E, pasme-se, também já se fala que um outro projecto on line está em gestação, esse, direcionado para o distrito de Setúbal.
Portanto, isto promete. Num distrito e num concelho, onde, na verdade, toda a imprensa regional luta pela sua sobrevivência e aquela que existe, não consegue dar saltos qualitativos porque vive sufocada e não tem condições, nem existem condições para evoluir, desde que seja autónoma e independente, é, sem dúvida, curioso que exista quem está disposto a investir, e arrancar com novos projectos neste mundo da comunicação social local – onde independência rima com sobrevivência.
No içar das bandeiras, no dia 25 de Abril, ao longo dos anos, estando ou não de acordo, tendo ou não votado na força politica que lidera a freguesia, esta, Lavradio, que é a terra dos meus filhos, sempre marquei presença, como cidadão, naquele momento de evocação da Liberdade. De cravo ao peito, ou, até mesmo sem cravo ao peito, porque, desde há muito decidi, em consciência, que o cravo de Abril pulsa no meu coração.
É no nosso coração que pulsa a energia da Liberdade, essa que nos faz respeitar as diferenças e saber, que a democracia não é uma ideologia, mas o diálogo e o confronto de ideias, num permanente caminhar pela construção da diversidade, da pluralidade, sempre rumo a um mundo que se aperfeiçoe, e, onde todos possam assumir um lugar de cidadania na história e na vida.
Estou mesmo cansado dos democratas, que criticam os democratas de não serem democratas, porque eles é que são os democratas. Isto faz-me lembrar, sempre, aquela frase: “Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes que eu sei…”.
Como dizia Voltaire: «Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres». É isto o amor à Liberdade. É isto o tal lema, que herdámos da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade, Fraternidade.
E, este pensamento, ocorreu-me, neste Abril de 2018, quando vi uma figura, que, em todos os anos de democracia, nunca o vi, ali, nos dias de Abril, a festejar a Liberdade, mas, finalmente este ano, o dito, lá estava - não sei se sim, se não, de cravo ao peito, mas que estava, lá estava, sorridente e desperto para festejar, certamente, porque só agora, a este canto à beira tejo plantado, chegou a Liberdade e a Democracia.
E, naquela manhã de Abril, quando olhava para o dito cujo, ao meu pensamento ocorreu uma situação que vivi, logo ali, naqueles dias após o 25 de Abril - a 28 de Abril – a primeira vez que saí do Quartel e vim ao Lavradio, após o dia da revolução.
Pela tarde, fui ao Café da SFAL, entrei e cantava-se o «Avante camarada”, ao fundo, a cantar bem alto, estava outro dito cujo, que meses antes, em Outubro de 1973, eu tinha visto sentado na Escola Primária, no Parque Estrela, na Mesa das «Eleições», como Delegado da ANP.
É assim, a democracia tem destas coisas, de repente faz pessoas que não respeitam as diferenças, que cultivam o ódio, vestir a pele de democratas.
Eles sabem muito bem, usar a democracia e a Liberdade…
Então, cantam, sorriem, e, até são democratas, e, de facto, são mais, muito mais democratas que qualquer outro democrata, mesmo aqueles, que não trocam a liberdade de dizer o que sentem e pensam, sabendo que isso significa…perseguições, retaliações e calúnias!
Apeteceu-me escrever estas breves reflexões, hoje, Dia 1º de Maio, só porque, afinal, é 1º de Maio.
Enfim, é vida!
António Sousa Pereira













