Inferências – BarreiroA maioria absoluta anunciada

Por Jornal Rostos
Ontem na reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro mais uma vez uma proposta foi retirada, para ser reavaliada, após longo período de debate e de troca de argumentos.
Desta vez foi a propósito de «contrapartidas» resultantes da atribuição de um alvará de bomba de gasolina, na Cidade Sol, freguesia de Santo António da Charneca, ali, junto à Nortejo.
A proposta apresentada, pela gestão PS, colocava como «contrapartida» que a empresa CIPOL assuma o compromisso de construir uma rotunda, na zona, no valor de 200 mil euros, que só será construída, se, e quando, for construída uma estrada variante, prevista no PDM, calculada em 3 milhões de euros (pelo que foi dito na reunião), cuja construção será da inteira responsabilidade da autarquia.
A posição da CDU, que, pelo referido, já tinha este dossier em mão, tendo nas negociações apontado para o assumir compromisso de construção de duas rotundas – uma no imediato no cruzamento da saída da Cidade Sol, junto à Escola Secundária de Santo António e, a outra, eventualmente quando da construção da tal futura estrada variante, porque o trânsito irá colidir com a zona onde fica instalada a bomba de gasolina. Se, e quando, tal acontecer, num tempo distante que certamente não será neste mandato, nem talvez noutro seguinte.
A CDU sugeriu que a proposta fosse retirada.
A posição do PSD era critica pelo facto de a proposta apresentada fazer depender da construção da estrada variante, da responsabilidade da autarquia, o cumprimento por parte do investidor do compromisso de 200 mil euros, custo previsível da construção da rotunda e, até, lançou o repto que a contrapartida pudesse ser utilizada no melhoramento do campo desportivo do Santoantoniense Futebol Clube.
Sugeriu a alteração do texto da proposta e, igualmente, pelo arrastar da discussão, sugeriu que a proposta fosse retirada.
Depois de cerca de quase duas horas de discussão, com os argumentos a repetirem-se e o clima a aquecer, já com notas marginais, que transformam as reuniões de Câmara num permanente espaço de combate parlamentar, de confrontos partidários, de insinuações, de vitimas, de heróis, quase parecendo que estamos em período pré-eleitoral, quando as eleições autárquicas foram há seis meses. Então, por fim, depois de várias vezes ser dito que a proposta ia ser colocada à votação, tal, na verdade, não aconteceu e a proposta foi retirada.
Este tipo de situações tem sido uma constante. Discussões. Agressões. Conflitos. Não retiramos propostas. Retiramos propostas. Nós fizemos. Nós estamos a fazer. Cansa mesmo assistir a esta conflitualidade, que apenas serve para alimentar a guerrilha politica urbana, que anima os tempos deste século XXI de Facebooks e Twitters.
E, ontem, a certa altura, Rui Lopo, CDU, comentou qualquer coisa, como isto, que a situação que se estava a viver na reunião de Câmara, é porque V. Exªs não tem maioria absoluta, ora se tivessem…
E, em resposta, Rui Braga, PS, respondeu que espera ter maioria absoluta no próximo acto eleitoral, porque é para isso que está a trabalhar e mudar o Barreiro.
É este o clima politico que se vive ao nível autárquico no Barreiro, o que conta no quotidiano é o próximo acto eleitoral, por essa razão, vivemos em clima permanente eleitoral.
Pronto, sabemos, desde já, que o objectivo politico do PS é conquistar a maioria absoluta, para assim deixar de depender do PSD, como partido charneira, porque com a CDU, com esses parece não haver possibilidades de diálogo, basta ver aquilo que se vê, em todas as reuniões públicas…uma guerrilha de troca de piropos e agressões politicas e não só. Nunca vi e assisti, em muitas reuniões públicas, a discussões politicas intensas.
Portanto, o PSD que tem aspirações à conquista da presidência, e, acredito, Bruno Vitorino dava um bom presidente de Câmara…que se cuide, porque se o PS ganha a maioria absoluta que, desde já, pede ao eleitorado, lá se vai a força do PSD no Barreiro.
E, de facto, esse não e um cenário improvável, porque nos tempos de hoje, com as redes sociais e malabarismos de novas tecnologias, tudo é possível.
O PSD tem sido um partido que, na verdade, tem sabido ao longo de décadas estar de forma positiva no Poder Local, só que, na verdade, prefere o PS na liderança do concelho do Barreiro à CDU.
Prefere que exista no Barreiro a funcionar o chamado «arco de governação», e, que nunca surja essa hipótese de uma «gerigonça local», como existiu com Santa Clara Gomes, ou com João Soares.
Para o PSD, naturalmente, a CDU tem que ser empurrada para fora dos círculos de decisão e ser estigmatizada e, como tal, nunca poderia ter pelouros.
A CDU, essa, tem que saber que para reconquistar a Câmara, num concelho, que de há muito sociologicamente é politicamente socialista, tem que construir uma plataforma que vá para além do discurso do fizemos, isso é nosso, foi o que nós legámos, porque a geração que votou nestas autárquicas não é a geração de Abril, é a geração Europa, e, para eles, tudo o que acontece é no hoje, não é no passado, nem sequer está no olhar o futuro, porque o futuro é já hoje, na intensidade dos dias.
A grande diferença que se sente nos discursos políticos nos dias de hoje, na vida local, é que o PS tem um discurso pragmático, enquanto a CDU tem um discurso conceptual. É vida.
E, para além disso, a unidade PS – PSD na Câmara está muito coesa, com visões verossemelhantes, na forma como olham para o Barreiro, e, na análise do papel que CDU teve no Barreiro, porque ambos apontam a CDU como sendo a culpa de todos os males…e, em politica, na verdade, é sempre mais fácil unir o eleitorado contra um «inimigo comum» e por razões emocionais.
António Sousa Pereira













