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Inferências

InferênciasBarreiro a necessidade de pensar em conjunto
– a fábrica e a cidade!

Das «Reservas Museológicas» ao «Espaço Memória», da «Rua das Artes, da Cultura e do Património» ao «Cluster de indústrias criativas», a cidade criativa foi sendo construída…

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Inferências Barreiro a necessidade de pensar em conjunto – a fábrica e a cidade!

Por Jornal Rostos

No ano 2014, quando da assinatura do protocolo entre a Baía do Tejo, Escola Bento Jesus Caraça e Câmara Municipal do Barreiro, Sofia Martins, então vice presidente da Câmara Municipal do Barreiro, a propósito da instalação do Espaço Memória, na rua próxima do Museu Industrial da Baía do Tejo, comentou que estavam a lançar-se as bases para que, ali, em pleno centro industrial fosse dinamizada a – “Rua das Artes, da Cultura e do Património”.
Naquele tempo, os muros da fábrica já tinham começado a ser derrubados e a fábrica aproximava-se, lentamente, do centro da cidade, aspiração que estava na agenda desde os tempos de Luís Pedro Cerqueira, vereador do Planeamento, na primeira gestão socialista no concelho do Barreiro.

O Espaço Memória surgiu como espaço alternativo às «Reservas Museológicas», primeiro de dimensão cultural no território da então Quimiparque, dinamizado na gestão de Pedro Canário, pela vereadora da área Cultural, Carla Marina.
Já por este tempo, anos 90, se abordava a temática das artes e cultura, como um ponto de reflexão a equacionar no pensar o futuro do Barreiro. Foi um passo.

Recordo, igualmente, outra proposta que foi equacionada, esta dinamizada pela Baía do Tejo, a criação de uma Galeria de Artes, no Bairro Operário.

Mas, outras notas de registo são referências neste pensar e sentir aquele território, por exemplo a instalação da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, no mesmo espaço, onde, hoje, funciona a Escola Profissional Bento Jesus Caraça, e, também, por ali, estiveram diversos serviços da Câmara Municipal do Barreiro. Caminhos que se foram fazendo. Tentativas de desbravar rumos.

Um problema, sempre sentido, era a distância do centro da cidade e a necessidade e urgência de aproximar o território da antiga fábrica do tecido urbano. Abrir o território à cidade, e, abrir a cidade ao território da fábrica, para que deixasse de ser aquilo que, infelizmente, alguns teimam em afirmar – um, sitio onde ninguém vai. Abrir. Transformar.

Não pondo em causa o trabalho realizado por outras administrações, ao longo do tempo, apesar de algumas insuficiências, de facto, com serenidade, uma coisa foi feita, ou seja, evitou-se que aquele território se transformasse, num território fantasma.
Com Oficinas, com pequenas empresas, com algumas actividades na área dos serviços, foi tendo vida, mas, sempre com a tal distância do centro e do pulsar da cidade. Mas existia e vivia-se, abria-se, com o Quartel dos Bombeiros do Sul e Sueste, com a Divisão da Policia de Segurança Pública, mesmo, com essa ironia, dos pouco optimistas, que quando olham para aquele território, acham que fica lá longe, muito longe da cidade.

Este ano, foi dado um passo decisivo que vinha sendo sentido, pensado, sonhado, nessas utopias que fazem a vida. Isso, aliás, já se sentia nascer, naqueles melhoramentos das bancadas do Estádio de Santa Bárbara, que abriam a fábrica ao Bairro de Santa Bárbara.

Agora, a Alameda da CUF abre a fábrica ao coração da cidade, e, de facto, é mesmo caso para dizer, sim, e agora, a fábrica aqui tão perto. Hoje é uma passeata do centro da Cidade até aquela zona dita de «Rua das Artes, da Cultura e do Património», onde encontramos o Museu Industrial da Baía do Tejo, o Espaço Memória, o Arquivo Municipal, as Reservas Museológicas da Câmara Municipal do Barreiro – estes três espaços, sei agora, que significam um custo anual de 60 mil euros para o município, enfim, aquilo que se pode dizer uns trocos, que, afinal, serviram como investimento para rasgar caminhos, e, na realidade, contribuir como âncora para criar futuro, como este, que existe já hoje, real, até , ter nascido, naquela mesma zona da fábrica – o Museu Industrial, o Espaço Memória e o Espaço Ephemera, de José Pacheco Pereira.

O território abre-se à cidade. A cidade, só não vê quem não quer, nos dias de hoje, pessoas a caminhar e a visitar aquela Alameda da CUF, para sentir o mural do Vihls, que já está, ele mesmo, igualmente, instalado no território da Baía do Tejo, assim, por ali, há o espaço dos jovens músicos Hey Pachuco e aquele nicho de novas tecnologias o Business Center.

É tudo isto, é todo este percurso que foi feito, que, hoje, faz pensar essa ideia estratégica de perspectivar a criação de “um cluster de indústrias criativas”.
Pensar isto, de facto, é impossível sem olharmos para o percurso que tem sido feito, apesar de tudo, felizmente, foram dados alguns passos para abrir o território da fábrica à cidade e abrir a cidade ao território da Baía do Tejo.

Hoje, quem se colocar a olhar naquele mítico muro conhecido por «sobe e desce», senta-se, e, dali, olha-se e pensa-se : afinal a cidade está aqui tão perto.

E, já agora, o actual executivo municipal optou e acho muito bem, por assumir com as Infraestruturas de Portugal, o Armazém de Víveres e a Cantina da CP, ali, junto à estação do Barreiro A, seria interessante, fazer uma abordagem de como ligar os projectos que por ali se pretendem dinamizar, com ligação ao território da fábrica que está ali tão perto, e, até, por exemplo aproveitar aquela linha férrea para desenvolver um projecto – turístico único - de ligação ferroviária do Terminal Fluvial, passando pelo Barreiro A, até ao coração da Baía do Tejo, ali, ao Espaço Memória e Museu Industrial do Barreiro.

Recordo, até, a experiência ferroviária que vivi, nesse percurso, num evento, proporcionado por Madalena Alves Pereira, quando assumiu o Pelouro da Cultura.

Das «Reservas Museológicas» ao «Espaço Memória», da «Rua das Artes, da Cultura e do Património» ao «Cluster de indústrias criativas», a cidade criativa foi sendo construída, até com os protestos da destruição do antigo Posto Médico da CUF, o facto, é que a cidade e a fábrica, inevitavelmente têm que se abraçar cada vez mais, porque há mais para fazer, construir, e, pensar, repensar, porque, assim como só se ama aquilo que se conhece, também só se pensa aquilo que se ama.

Parabéns à Câmara Municipal do Barreiro por ter dado passos de aproximação da fábrica à cidade. Parabéns Carlos Humberto e Regina Janeiro.

Parabéns ao Conselho de Administração da Baía do Tejo, este, em exercício, que assumiu e deu passos históricos, neste desafio de fazer fábrica na cidade e cidade na fábrica.

E, para fechar, esta longa reflexão – o pensar alto - aquela Casa da Cultura, tem que ser, amanhã, um espaço de referência na AML.
Porque não ver com a Escola Profissional Bento Jesus Caraça, que está no bairro, que ali, avance com a promoção de projectos, dentro das suas áreas de formação que possam, de forma iniciática, dar vida aquele imponente espaço com mais de 1000 lugares.

E, aquele Bairro Operário, talvez um dia se transforme numa zona de arrendamento, linda e única, daquilo a que me habituei a chamar – Casas de Turismo Industrial ( não é rural, é industrial). Um projecto que fica, já hoje, no centro da cidade e a meia hora de Lisboa. Uma cidade que, como sabemos, carece de ter oferta de hotelaria.

Uma ideia estratégica para o Barreiro terá que ser, sem dúvida, esta de continuar a assumir a missão de abrir a fábrica à cidade.
É necessário, continuar a dinamizar as zonas consolidadas do Parque Empresarial do Barreiro, de forma a permitir ligar o Parque à cidade, porque, afinal, a cidade está ali ao lado…

É por isso que de há muito sou defensor que a Câmara Municipal do Barreiro, seja qual for a sua cor politica, e, igualmente, seja qual for a cor politica dos Governos, devia ter um papel mais interveniente e institucionalizada no que diz respeito à co-operação com os Conselhos de Administração da Baía do Tejo. Agir em comum, pensar em conjunto – a fábrica e a cidade!

António Sousa Pereira

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