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Inferências

Rosto da SemanaA Muleta – a marca da identidade de uma comunidade
. O abraço do Barreiro ao Tejo

. “A «Muleta» é nossa, é portuguesa e do Tejo”.

A «Muleta» é a marca de uma comunidade, o elemento histórico mais importante da identidade que se escreve : Barreiro.

A «Muleta» vai ser, certamente, na próxima década uma embarcação de referência no Rio Tejo, porque vai deslumbrar, vai cativar e deliciar, tornando-se num elemento icónico da paisagem, ao qual estará indissociável a sua origem - o Barreiro.

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Rosto da Semana A Muleta – a marca da identidade de uma comunidade . O abraço do Barreiro ao Tejo

Por Jornal Rostos

No Espaço Memória foi inaugurada a exposição temporária «A Muleta do Tejo – Recuperar Memórias», que irá proporcionar aos visitantes uma ampla informação sobre esta embarcação que é o elemento central da heráldica do concelho do Barreiro ( da Vila e da Cidade).

A «Muleta», de facto, é o grande símbolo da comunidade barreirense, nela residem as suas raízes, a sua ligação ao rio Tejo e ao mar.
A «Muleta» é a marca de uma comunidade, o elemento histórico mais importante da identidade que se escreve : Barreiro.
Sim, esse Barreiro que segundo contam estórias contadas, nasceu tendo como génese algarvios pescadores que aqui se fixaram, na zona de Alburrica ao Mar da Palha, criando a comunidade «Camarra», aquelas famílias que se estendiam pela Rua Aguiar, Rua Marquês Pombal, até ao Largo das Obras e até ao Alto de São Francisco.

Esse Barreiro, que era, na verdade, praticamente circunscrito ao território da extinta freguesia do Barreiro – antes da criação das novas freguesias da Verderena e Alto do Seixalinho.

Esse Barreiro que antes de ser industrial – ferroviário, químico ou metalomecânico - foi marítimo, terra de pescadores e um importante Porto de Mercadorias, que ligava a produção agrícola da margem sul aos mercados de Lisboa, isto, após receber a Carta de Foral em 1521 – retirando poder económico e de cobrança de impostos sobre mercadorias ao «potentado» que era Alhos Vedros, como refere António Ventura, na sua tese de doutoramento.

A «Muleta» tem toda essa energia simbólica, integra o adn da comunidade barreirense, é a «marca de água» da história do seu «núcleo gerador», a marca de uma comunidade urbana e sociológica que criou as condições para ir potenciando, ao longo de séculos, a futura criação do actual concelho do Barreiro, que, na verdade, integrou territórios que pertenceram a outros concelhos que se extinguiram – Alhos Vedros, Lavradio e Coina.
O concelho do Barreiro com a sua realidade territorial, actual, tem uma história com menos de 150 anos.

A «Muleta» tem essa carga simbólica e histórica, de ligação do Barreiro a essas suas raízes ancestrais – O Tejo.
Além desta referência às raízes de uma vila - cidade e sua ligação ao Tejo, é, também, uma embarcação de características únicas, na arte de navegar, nas técnicas utilizadas, e, na sua beleza.
Como dizia o Mestre Jaime, que está a construir a muleta que vai estar concluída em Junho de 2018 - “A «Muleta» é nossa, é portuguesa e do Tejo”.

A construção da muleta decisão tomada pelo anterior executivo municipal, foi, na altura, criticada, comentada, apontado o dedo do seu encargo financeiro e.dizia-se, se não existiriam outras prioridades. Eu próprio não fui um grande defensor do projecto.
Mas, de facto a quem dirige o que se lhe exige é capacidade de decisão, decidir, mesmo quando essa decisão não é compreendida, ou não é populista, ou criticável. Mas, se existe uma convicção, uma visão, quem decide deve assumir com coragem. Foi decidido e, na verdade, em breve, teremos a navegar no Tejo esta marca barreirense : A Muleta.

A construção da Muleta corresponde a um investimento de 285 mil euros, mais iva, no total, cerca de 350 mil euros. Há quem considere um investimento avultado.
Hoje, até por tudo o que se diz na aposta de criação de um «nicho de mercado» de turismo na vida económica do concelho do Barreiro, considero que este investimento pode vir a tornar-se uma importante medida de curto, médio e longo prazo, de ligação do Tejo ao Barreiro e do Barreiro a Lisboa, de criação de uma nova imagem do Barreiro.

Esta é uma embarcação que quando navegar no Tejo vai deslumbrar, como já deslumbrou no passado – de fotógrafos a artistas plásticos, pela sua dimensão estética, pela sua robustez, pela sua sobriedade. É única.

A «Muleta» vai ser, certamente, na próxima década uma embarcação de referência no Rio Tejo, porque vai deslumbrar, vai cativar e deliciar, tornando-se num elemento icónico da paisagem, ao qual estará indissociável a sua origem - o Barreiro.
Este foi, sem dúvida, um bom investimento, para projectar o nome do Barreiro, e, certamente, pensado no âmbito de criação de um «nicho de mercado de turismo», numa estratégia de ligação da cidade ao rio, onde se enquadra um investimento na aquisição da Quinta de Braamcamp.

Quando a «Muleta» começar a ser noticia, porque de facto vai ser noticia, nas cadeias de televisão e na imprensa nacional, se souberem potenciar este capital, então, o investimento ficará pago e mais que pago – é o chamado custo beneficio.
Está de parabéns o anterior executivo por ter assumido com coragem este projecto. E, está de parabéns o actual executivo por saber valorizá-lo na exposição inaugurada esta semana.

Por tudo isto, esta semana, justamente é para a «Muleta» a distinção de «Rosto da Semana»

António Sousa Pereira

Nota - Visite a Exposição no Espaço Memória, Parque Empresarial da Baía do Tejo.

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