A(nota)mentos - BarreiroMercado de Rua Marquês de Pombal
. Um abraço Cabós Gonçalves

Por Jornal Rostos
Faz hoje, dia 20 de Maio de 2018, um ano da tua partida, acredito que, aqui e agora, estarias agitado, entusiasmado, porque sempre viveste a pensar, falar, sentir e viver Barreiro, a tua terra que não é a minha,mas é dos meus filhos.
Uma ideia tua que também abracei e considerei muito interessante, por isso, subscrevi as tuas palavras e objectivos foi o - Mercado de Rua Marquês de Pombal.
Recordo hoje, esse teu projecto porque, pela manhã, numa conversa ali, junto ao Rio Tejo, numa troca de opiniões, comentava-se os problemas do Barreiro Velho.
Uma discussão com barbas. Uma matéria que, por muito que seja dito, ainda não registou consenso entre as forças politicas locais, nem há uma visão estratégica objectiva de como intervir, num contexto colocado em diferentes interpretações de uso – uma zona deserta de pessoas, destinada a bares e vida nocturna; uma zona de habitação de arrendamento jovem, uma zona de atelier de arte; uma zona de habitação de qualidade para classe média.
E como articular isto com as características de propriedade? Deve a Câmara Municipal assumir todas as opções de compra, exercendo o direito de preferência, criando uma entidade gestora desse património municipal?
Não há uma ideia global para o Barreiro Velho. Tendo sido ensaiadas situações. Recordo as intervenções feitas sob a orientação de Eduardo Porfirio, uma aposta na revitalização dos espaços exteriores, que, naturalmente, só por si, sem intervenção no edificado e sem criação de actividade económica não resultam.
Teve aspectos positivos de criação de espaços de cidadania, caso do Largo de Santa Cruz. E aquele painel de azulejos de Cândido Lopes.
Ou os trabalhos que foram feitos de renovação das travessas que ligam a Avenida da Praia ao Barreiro Velho. Há muito trabalho feito, mas não há uma ideia consensual.
Depois procura-se um papão, que é a forma mais fácil de resolver tudo. Uns que é por opções ideológicas. Outros que é por opções económicas. Como se uma coisa e outra sejam coisas diferentes e não tenham que ambas ser pensadas.Uma cidade e o seu espaço, onde se realiza a cidadania e do fazer cidade - para todos.
Com seriedade, fora de reuniões de Câmara, deviam-se promover reuniões, encontros sectoriais, conversas com residentes, conversas com comerciantes, conversas com proprietários.
O Barreiro Velho assuma-se de uma vez por todas, com coragem politica, não é um problema da Câmara, é um problema do Barreiro e dos Barreirenses.
É preciso, sem demagogias em torno do IFFRU, ou outros programas que possam surgir no futuro, encontrar caminhos. Existia um Conselho Estratégico do Barreiro Velho. Foi extinto? Vai continuar?
Digam o que disserem para mim, só há uma realidade a pensar nesta reflexão sobre o Barreiro Velho.
O Barreiro Velho tem que continuar a ser velho, neste sentido de ser aquilo que sempre foi, um centro de vida, uma comunidade com vida cultural, com comércio, com gente…um lugar com pessoas a viver, que respeitam o espaço, as relações de vizinhança, com um comércio que não colide com a vida social. É isto o que tem que ser o Barreiro Velho.
É por isso, que, naquela conversa da manhã, recordei o projecto do Cabós Gonçalves, coincidência, neste dia que faz um ano que ele nos disse – Até já!
Cabos Gonçalves, militantes histórico do Partido Socialista, barreirense, sempre apaixonado pelas coisas da sua terra, apresentou, numa Reunião da Assembleia Municipal do Barreiro a proposta de criação do – “Mercado de Rua Marquês de Pombal”.
A proposta visava a criação na zona do Barreiro Velho, na Rua Marquês de Pombal, entre o Largo Nª Srª do Rosário e a Travessa da Praias, de um Mercado, a funcionar dois dias por semana ( às terças feiras e sábados) devidamente estruturado e organizado que seria um contributo para requalificar e dinamizar o tecido urbano do Barreiro Velho.
Um mercado que podia projectar o Barreiro como referência na região.
Era um projecto estruturante, que podia vir a afirmar-se como uma grande referência na Margem Sul – a nossa «Feira da Ladra».
Carlos Humberto, na altura, referiu – “Reconheço que, do ponto de vista urbano, do ponto de vista da história, do ponto de vista de uma certa personalidade que aquele espaço tem, é uma ideia que me agrada.
Não é uma ideia concretizável a curto prazo. Precisa e exige muitas medidas, muita ponderação, muita reflexão.”
O tempo passou. A ideia está presente na memória. Quem sabe se não pode tornar-se o «leit motiv»para abrir as portas a um grande debate sobre o Barreiro Velho – O que é hoje? O que queremos que seja? Que caminhos para ligar o Barreiro Velho à Fábrica e ao centro da cidade?
Assuma-se. Deixem os bodes expiatórios, os culpados e os protagonistas de boas soluções.
Discuta-se com coragem e serenidade! O Barreiro e os barreirenses agradecem.
Fica o registo. É o meu abraço, no dia de hoje, ao Cabós Gonçalves. Porque afinal, era assim que ele gostava de estar a «pensar ao contrário».
António Sousa Pereira













