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Inferências

Por dentro dos dias – BarreiroLiberdade rima com Dignidade

As técnicas existem, mas uma realidade construída com as técnicas e tecnologias, é, apenas virtual e, sem dúvida, amorfa de cidadania.

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Por dentro dos dias – Barreiro Liberdade rima com Dignidade

Por Jornal Rostos

Ontem, Dia Mundial da Criança, não foi, mais uma vez, um dia como outro qualquer, que também acontecem, foi, na verdade, daqueles dias feitos nos nervos da invenção e sonhos, onde se sente o pulsar da vida, o pulsar da cidade, vejam lá, esta palavra «pulsar» faz parte do meu vocabulário desde os anos 80.
É isso, afinal, que faz a riqueza dos meus dias, essa realidade de viver todo o tempo a sentir o pulsar da vida, a viver o pulsar da vida. Um tempo cheio, um tempo vivo, um tempo para além da rotina, da repetição dos dias e dos gestos.
Não, os meus dias são sempre, foram sempre, uma surpresa, procurei sempre viver por dentro da história e das estórias. Esta história que faz o tempo que vivemos, que se escreve em cada presente, ali estou - observando, sentindo, pensando, escrevendo esta temporalidade.

Ontem, a Mónica Duarte, convidou-me para espreitar e ver os murais que nasceram no Dia B 2018. Falámos sobre o Dia B. Comentei. Senti, ainda, a pulsar o Dia B, na Escola Álvaro Velho. É que, afinal, o sol não se consegue tapar com uma peneira. Ele brilha nos olhos de quem vibra com a sua luz a iluminar a paisagem e os dias.

E findámos a nossa volta, ali, na Escola Augusto Cabrita, onde, pedi a Directora Mariana, para oferecer o meu livro, - «Sobre o Ritmo, sobre a vida…Augusto Cabrita», editado no ano 2000, mas, tinha a sua origem no ano de 1989.
Um livro que nasceu da minha relação de proximidade com Augusto Cabrita, do ouvir e aprender com o mais velho, de sentir a sapiência da experiência de vida, da admiração por alguém que sempre senti respeita o outro na sua dignidade, não pelo seu estatuto social.
Enquanto autografava o livro para a Mónica Duarte, pela minha mente passaram tantas situações. A vida.
Senti uma profunda serenidade. Senti como o tempo tudo vai clarificando.
E, curiosamente, ontem, na minha leitura diária do jornal, aprendi que em hebraico, a palavra dignidade, no seu significado central, significa que todos temos o direito a ter uma imagem de si mesmo, ser essa imagem de si que faz a diferença, construir essa imagem de si mesmo, viver a imagem de si mesmo – é isso a dignidade!
Sempre que alguém atenta contra a imagem que nós fazemos de nós mesmos, que nós queremos e construímos de nós mesmos, que nós somos, quer por calúnias, quer por maledicência, quer por invenção de falsidades, quer por dizer de nós coisas que nós nunca lhes dissemos, ou, até mesmo fazendo coisas para procurar impedir que nós nos realizemos ou realizemos os nossos sonhos, isso, é querer ferir o nosso carácter, é querer destruir a nossa imagem, é querer destruir a nossa dignidade – travando a nossa Criatividade e matando a Liberdade.

Foi isso que recordei, ontem à tarde, ao percorrer as ruas da cidade, revivendo tempos idos…e sentindo que, por vezes, a vida é uma repetição! É vida. Jogos de Poder. Jogos que nada têm a ver com os interesses da cidade, mas, que são jogos de outros interesses. Fortalezas que se constroem para travar combates, não de cidadania, mas de imagem, aquela imagem que vende, compra, mobiliza para guerras, que se esfumam com o tempo. Outros virão. As técnicas existem, mas uma realidade construída com as técnicas e tecnologias, é, apenas virtual e, sem dúvida, amorfa de cidadania.

É por isso, que gosto de estar em paz comigo mesmo, viver a minha imagem, sentir a minha imagem, esta feita de loucura, de tudo o que queiram rotular, de mim mesmo, sorrindo, sim agora cada vez mais sorrindo.
Acreditem, podem travar os projectos que venci, com mérito, podem tentar travar os passos e colocar pedras no caminho, uma coisa é certa, eu vou por aqui, por este caminho que escolhi onde – Liberdade rima com Dignidade!

E, daqui a uns anos, certamente, por cá estaremos para ver o rumo da vida e do mundo.
Passou-me tudo isto pelo pensamento ao folhear aquele livro, vindo do tempo, a gritar nos meus nervos…sobre o ritmo e sobre a vida!

António Sousa Pereira

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