A(nota)mentos – BarreiroOs autarcas desumanos
Não considero que Helder Madeira, Pedro Canário, Emidio Xavier ou Carlos Humberto, fossem tão desumanos, que vivessem de consciência tranquila e sem sentimentos, sem humanismo, cada vez que visitavam aquele espaço e viam as más condições de trabalho.

Por Jornal Rostos
O dia de hoje vai ficar, sem dúvida, como uma referência na vida autárquica do concelho do Barreiro, com assinatura do acordo entre a autarquia e o LIDL, foi dado mais um passo na resolução de um velho problema – as instalações do Nicola.
Nos anos 80, na gestão de Helder Madeira, quando a autarquia decidiu criar o seu Serviço de Obras, para iniciar intervenções no espaço público e, também, absorver mão de obra, muitos desempregados, existente no concelho, fruto de encerramento de fábricas, foi no Nicola que nasceram, em condições precárias – as Oficinas de Carpintaria, serralharia, electricidade, armazéns de materiais, serviço de trânsito, garagens de veículos de Higiene Urbana, Oficinas de manutenção. Um mundo, onde não existiam nem balneários, nem refeitórios.
Um espaço onde os remendos eram uma constante e, tantos protestos que escutei do STAL a exigir melhores condições.
Passou a gestão de Helder Madeira, de Pedro Canário, de Emídio Xavier, de Carlos Humberto, e, acredito, que , para todos eles, aquelas instalações com precárias condições eram um drama que lhes doía, mas, nestas coisas para se resolver tem que existir aquilo com que se compram os melões, ou então, que exista uma alternativa viável e que seja de custo suportável para o município.
No último mandato de Carlos Humberto, recordo que foi colocado o cenário de mudar as instalações do Nicola para a Baía do Tejo, na zona da antiga SOTINCO. Era uma boa solução. Não sei porque nunca se concretizou.
Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, teve o privilégio de ver criadas um conjunto de condições para dar passos na resolução deste velho e dramático problema. Está de parabéns.
Teve o mérito de ter pela frente uma solução e soube, e bem, avançar, mesmo com as reticências que foram colocadas pela CDU, na reunião de Câmara, que não esteve contra, mas deixou interrogações.
Helder Madeira, esse nunca teve hipótese de encontrar uma solução, até porque viveu os tempos de, por vezes, quase nem ter dinheiro para salários, ou, até, para a gasolina dos autocarros.
Pedro Canário e Emídio Xavier, viveram gestões de orçamentos inflacionados e que sobreviviam com recursos a empréstimos bancários.
Carlos Humberto viveu os orçamentos da troika, sem hipótese de recorrer a empréstimos e as exigências de equilíbrio orçamental.
É por isso, que, para qualquer um deles, por muito que desejassem era dificil encontrar uma solução ou resolver este drama ou até mesmo modificar as condições de trabalho no Nicola.
Não considero que Helder Madeira, Pedro Canário, Emidio Xavier ou Carlos Humberto, tenham sido pessoas tão insensíveis e desumanos que não sentissem o drama das más condições de trabalho existentes no Nicola.
Se não resolveram foi porque a autarquia não tinha recursos, nem existiam condições, excepto, as que existiram, no último mandato, essas do cenário que foi colocado de mudança para a Baía do Tejo e, pelo que sei, era um assunto que continuava na agenda e em perspectiva.
Não considero que Helder Madeira, Pedro Canário, Emidio Xavier ou Carlos Humberto, não tivessem tido capacidade de olhar e gerir a cidade, com as suas próprias visões e estratégias epocais, pelo facto de não terem conseguido resolver este drama do Nicola, agora, resolvido, pelo acaso da história, de desenvolvimentos urbanísticos, desenvolvimento empresariais e uma boa e oportuna decisão politica. Estar no lugar certo na hora certa. Outros viveram o contrário.
Não considero que Helder Madeira, Pedro Canário, Emidio Xavier ou Carlos Humberto, fossem tão desumanos, que vivessem de consciência tranquila e sem sentimentos, sem humanismo, cada vez que visitavam aquele espaço e viam as más condições de trabalho.
E, na verdade, este podia ser um dia histórico, mas não foi, porque, afinal, foi transformado em mais um dia de campanha eleitoral de guerrilha politica local que é, no fundo, a marca de água do nosso quotidiano.
Já agora, neste dia, o mais importante, é que, na verdade, esta foi, talvez, das primeiras acções realizadas pelo novo executivo municipal, fora da «politica do cuco». E isso é que conta para quem quer gerir e fazer diferença.
António Sousa Pereira













