Gato escondido com “robalo” de fora
A critica é sempre perturbadora porque afecta o alvo que pretende atingir e gera as chamadas “manobras de diversão”.
A critica quando tem um protagonista é fácil conhecer as suas intenções, mas, quando a critica se “esconde” no anonimato então ela tem que ser interpretada como uma mera manobra de jogo político.
Por António Sousa Pereira
No combate político a acção psicológica é uma arma, desde sempre, muito utilizada, tendo por objectivo essencial gerar criticas e promover contra informação.
A critica é sempre perturbadora porque afecta o alvo que pretende atingir e gera as chamadas “manobras de diversão”.
A critica quando tem um protagonista é fácil conhecer as suas intenções, mas, quando a critica se “esconde” no anonimato então ela tem que ser interpretada como uma mera manobra de jogo político.
Nos últimos tempos, no Barreiro, comentam-se os comentários. E, quando são tecidas considerações, de imediato surge uma pergunta : Quem serão os autores? Ou a quem interessa o conteúdo?
Na verdade, quando são tecidas críticas elas podem ter várias dimensões.
Podem ser criticas falsas – que pretendem insinuar faltas que, por ventura, nem foram cometidas pelo alvo que se pretende atingir.
Podem ser criticas vagas – que, afinal, não se referem a nada de concreto, visam apenas criar factos políticos.
Podem ser criticas verdadeiras – que apontam o dedo a erros que o alvo a atingir poderá ter cometido.
Em suma, a critica, é sempre, na verdade perturbadora.
Mas, a critica pode ter como objectivo contribuir para elevar o discurso e contribuir para potenciar um salto qualitativo na análise da realidade; ou, então a critica, pode ter como objectivo contribuir para fazer baixar o nível qualitativo do discurso de análise da realidade.
É, portanto, nesta dupla dimensão que se deve efectuar a avaliação dos discursos críticos.
A verdade é que quando o discurso crítico é, de facto, um discurso agressivo, esse discurso, apenas contribui para empobrecer a análise critica da realidade.
Todos sabemos, como alguém dizia, que o discurso agressivo empobrece a inteligência.
Subir ou baixar o nível do discurso?
O que interessa a uma cidade e ao seu desenvolvimento é que o “discurso da cidade” se desenvolva numa perspectiva de avaliação global e projecção do futuro; ou, pelo contrário que o” discurso da cidade” se reduza a avaliações de fenómenos?
Uma cidade perspectiva-se quando os seus protagonistas são capazes de a pensar e a debater com os olhos postos no presente e projectando o seu futuro.
Vejamos algumas ideias força que emergem dos comentários anónimos e críticos que circulam na cidade.
Em primeiro lugar, não pretendem promover uma reflexão sobre o quotidiano que contribua para pensar a cidade, antes pelo contrário introduzem um pessimismo derrotista, ao nível da acção psicológica, que pretende levar-nos a pensar que tudo está como sempre – ou muito pior.
Em segundo lugar, procuram influenciar uma visão de perfeccionismo, sendo esses comentadores anónimos “seres perfeitos” que são, pelos vistos, vítimas que se limitam a apontar culpados. Mas, na verdade, eles – os perfeccionistas - são incapazes de tomar em mãos uma acção critica activa, frente a frente, que contribua para gerar mudanças, afirmando uma mentalidade activa, consciente e responsável.
Em terceiro lugar, os comentários parecendo querer colocar-se ao nível do ingénuo e assumindo-se como sendo uma reflexão que nasce da avaliação de práticas, procuram, no entanto, gerar uma consciência de catástrofe e procuram demonstrar que estamos à beira do abismo, desviando desta forma o “discurso da cidade” de um nível de vivência e afirmação da cidadania, para um nível que gera a perda da autoestima. Os comentadores anónimos, perspectivam, no texto, que existem poderes ocultos que tudo decidem de tal forma que obrigam os cidadãos conscientes, a recorrer ao anonimato, para afirmarem os seus valores e denunciarem as injustiças. Até parece que vivemos no antes do 25 de Abril.
Em quarto lugar, as criticas apontam, claramente um “culpado” e, desta forma, promovem a cultura do “bode expiatório” sendo, pelos vistos a sua “morte política” a solução para todos os males, mas, os “criticistas” não apontam caminhos de debate de ideias ou de ideais.
Emídio Xavier - o alvo central
“O poder não é somente o que vós tendes mas igualmente o que o inimigo crê que vós tendes” – referia um teórico político.
Os criticistas, autores dos comentários que circulam na cidade, no essencial, assumem uma ideia política central no seu discurso – exigem a cabeça de Emídio Xavier.
Assim, os criticistas, estão a assumir, de forma plena, que pretendem esvaziar “o poder que o autarca tem” e, obviamente, também dar uma machadada no poder que pensam que “o autarca tem”.
O alvo central é Emídio Xavier, os arremessos marginais, dirigidos a Amílcar Romano, são mera estratégia.
A quem interessa atacar Emídio Xavier ? A quem interessa desenvolver uma estratégia de contra informação premeditada com o objectivo de enfraquecer o protagonismo de Emídio Xavier?
Quem é pretende afirmar-se como “boa consciência” num discurso critico de análise contra a “má consciência”?
Será alguém que pensa que a acção política não passa só pelos partidos?
Será alguém de um partido da oposição? Se sim, qual? O PCP? O PSD ?
O PCP se considera que Emídio Xavier é um adversário forte, nas próximas autárquicas, então dar-lhe, neste momento, este protagonismo, com ataques anónimos, seria um tiro no pé, pois estava apenas a fortalecer a sua afirmação.
O PSD não é partido que, tradicionalmente, opte por esta forma de fazer política, sempre criticou de forma aberta na praça pública.
Será um grupo de cidadãos autóctones, xenófobos, que expressam desta forma a sua “ideologia” contra um “barreirense” – “não barreirense”?
Será algum grupo que sonha em ocupar o seu lugar ?
A única conclusão possível é que estes comentários são comentários vindos de “gato escondido com robalo de fora” e têm como objectivo político colocar o “inimigo entre a espada e parede”.
Só que desta vez não parece que o “inimigo” tenha que escolher, porque, criticas feitas desta forma, são apenas uma manobra no âmbito das “teorias da manipulação”.
Afirmar a Cidadania
Como alguém há dias afirmava, a maior batalha que os cidadãos têm pela frente, nos dias de hoje, no mundo de hoje, é a batalha pela afirmação da cidadania.
Afirmar a cidadania é ser protagonista na cidade, pela cidade, com a cidade – ser actor.
Um cidadão - actor consciente recusa “imagens de abismo” e “cenários de catástrofe”.
Um cidadão com autoridade moral para criticar e comentar, assume, que a força da mudança está em cada um de nós, criticando, agindo e não precisa de fomentar bodes expiatórios.
Tomar em mãos a mudança não é atribuir a culpa aos outros, nem esconder a análise no anonimato – é sermos capazes de assumir uma cidadania responsável, exigindo uma cidadania participada, integrada e global, porque cada cidadão pode contribuir para regular a governação – agindo!













