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Inferências

Inferências - É bom ver a sociedade civil a agir e mexer-sePenínsula de Setúbal não pode continuar a ser prejudicada pelos fundos comunitários.

Uma sociedade civil activa, critica, irreverente, participativa e construtiva é essencial para a construção do futuro.
Nunca é tarde para agir…em comum, pelo bem comum.

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Inferências - É bom ver a sociedade civil a agir e mexer-se Península de Setúbal não pode continuar a ser prejudicada pelos fundos comunitários.

Por Jornal Rostos

Quando Carlos Humberto, então presidente da Câmara Municipal do Barreiro, ou deputados do Partido Comunista Português eleitos pelo Círculo Eleitoral de Setúbal, ou, até, outros autarcas da CDU, da Península de Setúbal criticavam e alertavam para o facto da região ser prejudicada com a distribuição e aplicação de fundos comunitários, por estar incluída na NUTS – AML, lá vinham os discursos, que não sabem fazer mais nada que empurrar para o Poder Central as culpas dos atrasos da região.
Pronto e com esta narrativa de transformar os comunistas nuns calimeros o assunto ficava arrumado e mais ninguém erguia a voz para denunciar a situação de segregação da região.
O que sempre ouvi dizer e exigir foi que o território da Península de Setúbal possui-a dimensão suficiente para ser uma NUTS autónoma, visando ser elegível para receber directamente os apoios comunitários.
Sobre isto, ninguém falava, ou pretendia falar, porque se o fizesse estava a alinhar na narrativa dessa força politica que só sabe criticar os governos.
Ficava o silêncio e a região sempre, ao longo dos anos a ser penalizada.

Divergiu economicamente da União Europeia

António Costa, no decorrer de uma visita ao Barreiro, há cerca de um ano, em Junho de 2017, sublinhou que a região da Península de Setúbal, no âmbito da NUT III, foi, no país, a região que mais divergiu economicamente da União Europeia nos últimos 30 anos.
O Primeiro Ministro sublinhou que esta região é “essencial para o desenvolvimento do país” e, considerou importante que esta zona – Barreiro, Almada e Seixal – “seja um novo motor da Península de Setúbal”.
Na altura, salientou a importância da localização estratégica da Península de Setúbal e afirmou a necessidade de ser efectuado “um esforço de investimento” e “valorização da região”.
Gostei das palavras de António Costa e na altura sublinhei por, finalmente, escutar a voz de um Primeiro Ministro colocando acima de interesses partidários, os interesses de Portugal e da Península de Setúbal.

Perdido acesso a fundos comunitários

Recordo estes dois factos, a propósito da anunciada criação de «Plataforma para o Desenvolvimento da Península de Setúbal», que tem por objectivo juntar a economia real, o setor social e a sociedade civil.
Na nota de divulgação da criação da «Plataforma» recorda-se que a Península de Setúbal encontra-se incluída na NUTS III - AML – Área Metropolitana de Lisboa, tem perdido acesso a fundos comunitários, devido ao Produto Interno Bruto per capita médio da AML ser superior ao da média europeia.

Quarta região mais pobre de Portugal.

Refere-se que em termos da evolução do desenvolvimento económico, entre os anos de 2000 e 2016, a Península de Setúbal registou um crescimento inferior comparativamente às restantes regiões portuguesas (DIVERGIU), sendo, em 2016, quanto ao PIB per capita, a quarta região mais pobre de Portugal.

Envelhecimento da população

Salienta-se ainda que entre os anos 2000 e 2013, a Península de Setúbal perdeu 31.000 habitantes, com idades entre os 20 e os 34 anos, e agravou-se o envelhecimento da população.

Território possui dimensão suficiente para ser uma NUTS II e NUTS III

A Plataforma para o Desenvolvimento da Península de Setúbal defende e pretende demonstrar que o território possui dimensão suficiente para ser uma NUTS II e NUTS III, autónomas, uma forma de voltar a ser elegível para os apoios comunitários, uma vez que o seu PIB per capita mantém-se, em muito, afastado dos números da AML e em evolução divergente em relação à média europeia.

É bom ver a sociedade civil a agir e mexer-se de forma que, na verdade, a Península de Setúbal deixe de ser prejudicada com a distribuição e a aplicação de fundos comunitários.
É bom que as vozes da Península de Setúbal se ergam de forma a não serem sempre os mesmos a gritar e a protestar e, ainda por cima, depois acusados de calimeros.

Os interesses da região e de Portugal estão acima das guerrilhas partidárias, dos jogos de poder politico na região.
Fica o registo. E, de facto, fica expresso o desejo que esta «Plataforma» anunciada, seja a voz da sociedade civil a erguer-se, porque, na verdade, mutas vezes, a sociedade civil da região tem pecado pelo silêncio, pelo deficit de participação na busca de soluções para o desenvolvimento e por, na realidade, deixar em exclusivo aos políticos as decisões que são de todos e todos devem participar.
Uma sociedade civil activa, critica, irreverente, participativa e construtiva é essencial para a construção do futuro.
Nunca é tarde para agir…em comum, pelo bem comum.

António Sousa Pereira

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