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Inferências

A (nota) mentos - Barreiro / MoitaOs políticos, os autarcas e a comunicação regional

A imprensa regional, no caso o jornal «Rostos», sempre considerou as autarquias, nomeadamente, as Juntas de Freguesia referência no fazer jornalismo de proximidade.

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A (nota) mentos - Barreiro / Moita Os políticos, os autarcas e a comunicação regional

Por Jornal Rostos

Nesta actividade do jornalismo, naturalmente, cruzamos a nossa vida com muitas vidas, pessoas que se dedicam a causas públicas, sejam autarcas, políticos, sejam dirigentes do mundo associativo, sejam professores, técnicos, criativos das artes e das letras, desportistas. Este mundo é uma porta aberta ao mundo e à vida.

Ao longo dos anos vamos descobrindo quem somos, até, nesse diálogo com os outros, aprendemos a aprofundar valores, a dialogar com os nossos erros, a descobrir as diferenças.
Conheci Nuno Cavaco, então, na sua função de Presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, hoje, na presidência da União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, ao longo dos anos temos mantido uma relação cordial e respeitadora do espaço de cada um, no papel de cada um na vida social.

Nuno Cavaco, como autarca, considera que a autarquia deve dar a conhecer o seu trabalho á comunidade e sempre reconheceu a importância da imprensa regional.
A imprensa regional, no caso o jornal «Rostos», sempre considerou as autarquias, nomeadamente, as Juntas de Freguesia referência no fazer jornalismo de proximidade.

Sei que Nuno Cavaco é eleito pela CDU e militante do Partido Comunista Português.
Nuno Cavaco, sempre soube que eu sou um ex-militante do PCP, e, que há mais de 15 anos que estou filiado no PS, sem qualquer militância partidária.
Nunca nos faltamos ao respeito. Sempre aceitámos as nossas diferenças. Conversamos de forma civilizada e todas as nossas conversas são sempre de nível elevado, abordando os mais diversos assuntos, quer no âmbito de politica local, nacional ou internacional.
Reconheço Nuno Cavaco como um homem culto, um homem de causas, um lutador pelos seus objectivos, um comunista convicto, um homem com valores.
Como autarca, foi sempre um homem de causas que procura dar o melhor pela sua terra, um apaixonado que vive com a sua freguesia no coração.
Não teme em levantar a voz para exigir o que considera ser injusto e penalizador – seja o Centro de Saúde, seja o campo desportivo seja o não ao aeroporto no Montijo. Onde há uma causa ele está presente.
Não se incomoda de agir em colaboração com autarcas mesmo que sejam de outra força politica se o objectivo é comum – valorizar e melhorar a vida das populações.
Discute muitas vezes com o sangue na guelra. Ferve quando sente que não se faz politica, mas politiquice ou jogadas de canelada e pontapé.
Não é autarca. Está autarca. Licenciado em Geografia. Tem esse feitio de ser benfiquista, é caso para dizer que é mesmo vermelho em tudo.

Na nossa última conversa, na semana passada, eu recordei um pensamento de Voltaire, que afirmava: “Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres”.

Nunca Nuno Cavaco exigiu fosse o que fosse ao jornal «Rostos». Nem encomendou sermões.
Na cooperação que mantemos fazemos jornalismo de forma plena e independente, mesmo em projectos que, por vezes, pontualmente, ao longo dos anos, temos concretizado com base em patrocínios.
Os patrocínios, muitas vezes meramente simbólicos, apenas são um testemunho do respeito pela acção que fazemos neste mundo do jornalismo, com muita paixão e carolice. Onde por vezes mais que viver o limite é a sobrevivência. Afinal, é por isso, apenas por isso, que temos o jornalismo que temos. É vida.

Esta postura de respeito pelas diferenças, de respeito pelo trabalho da imprensa regional. Merece aqui o registo.
Este sentimento de diálogo com um homem culto, humanista e solidário, é aquilo que sinto, sempre que tenho a honra de conversar e trocar ideias sobre o tempo que vivemos.
Pensamos de forma diferente. Ambos sabemos que a democracia não é uma ideologia. Ambos sabemos que jornalismo é uma porta aberta à valorização da democracia.
E, ambos sabemos, que a democracia só se afirma e só se constrói – em Liberdade e com o pleno respeito pelas diferenças.

Hoje, domingo, ao fim da tarde, após um dia destes ter estado numa amena “cavaqueira” com Nuno Cavaco, quis deixar este registo, com um abraço – ao autarca, ao politico e ao cidadão.

António Sousa Pereira

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