Saltar para o conteúdo
Inferências

Voltemos à reforma constitucional que precisamos...

A questão, e ninguém o pode negar, é que a actual Constituição nasceu "canhota". Pior: nasceu “maneta”!
Devido aos mecanismos de revisão, esta dificilmente poderá ser alterada: PCP e BE opõem-se, e o PS apenas aceita uma revisão "cirúrgica"! Perdemos já muito tempo na batalha da fuga ao “fado miserabilista”. O que importa é que cada Governo possa cumprir o mandato aprovado pelo Povo. O que queremos é um texto constituicional não dogmático, que defenda o que é indispensável proteger, que consagre como Direitos Fundamentais aqueles que o são e não aqueles que o não sendo precisam da capa da Constituição para se elevarem a cima da vontade dos eleitores.
7 min de leitura

Por Jornal Rostos

As intervenções políticas dos nossos dois últimos Chefes de Estado são o exemplo do erro que é esta constituição: eleitos sem programa (ou com um o mais anódino possível), quando assumem o exercício dos seus cargos usam o texto constitucional como instrumento para alcançar os objectivos político-ideológicos que lhes são caros. Promulgam fora do prazo (nalguns casos, dizem as más-linguas, com textos que diferem dos aprovados pelos órgãos legislativos respectivos – um caso típico de “adequação” política, consequência da famosa “magistratura de influência”) e solicitam a fiscalização preventiva de acordo com as suas conveniências político-ideológicas! E depois, porque toda a dogmática ideológica de esquerda está vertida na constituição, dedicam-se a intervenções, discursos e entrevistas cheias de nada, onde não tomam partido mas onde invocam, como ciência dogmática, a constituição apenas com o objectivo de fazer oposição a um governo de orientação ideológica diferente – ainda que legitimado pela vontade popular.
Nutrimos uma desconfiança de princípio sobre a validade e a razão de ser deste modelo de Estado. E todos os dias a realidade do “estado a que o Estado chegou” nos impele a rejeitar a pacífica assumpção de que vivemos em Democracia. Esta nova geração que ora assume ou se disponibiliza para tomar nas suas mãos a tarefa de tornar Portugal mais democrático e mais próspero, exige o fim das amarras constitucionais constantes de um texto que é produto da mentira do Séc. XX. Mentira que teve dois filhos, Comunismo e Nazismo, dois grandes e monstruosos projectos, gémeos na origem, anti-cristãos e paganizadores. Com os seus propósitos negar a Deus, rejeitar a Tradição e apostar na criação do Homem Novo e do Novo Mundo, graças a Deus, falharam! Não obstante, ficaram as sementes: a legislação gerada nesse ambiente (de que a actual constituição é produto), relega o Homem para Indolência própria das crianças, acreditando que o Estado (tal como os pais) tudo pode e tudo fará para os proteger. O mesmo modelo legislativo exponenciou o Egoísmo, levando os Homens a acreditar que, pela mera circunstância de existirem, tudo lhes é devido e que nada lhes é proíbido!
O Idealismo (corrente dominante no actual texto constituicional) defende que qualquer mudança social deve ser tornada transformação social e, por isso, dirigida, planeada, desenhada e acelerada. O pressuposto assenta na convicção de que a realidade deve ser construída sobre os escombros do existente destruído e substituido pelo inexistente sonhado. Estas “bondosas” acções experimentalistas normalmente geram acções de resistência por parte daqueles a quem elas se destinam. Só sobrevivem pela acção da “guarda revolucionária” (investida em “vanguarda esclarecida”), que usa os instrumentos repressivos que, na tradição webberiana, são monopolisticamante possuídos pelo Estado – as leis, as polícias, os tribunais. O que importa é construir o Homem Novo, “implementando” o inexistente sonhado – mesmo que incompatível com a realidade. Serve o exemplo da paranóica busca da Igualdade (exclusivamente material). Quando passou de teoria política a praxis de Estado, as consequências foram catastróficas: nem a almejada (e impossível de atingir) igualdade foi alcançada, como (pior!) a liberdade foi colocada no baú (ou seria “caixote do lixo”) da História.
O grande problema dos idealismos, das utopias, dos inexistentes sonhados tornados doutrina obrigatória de Estado, surge quando tais desenhos milagrosos são a todos “implementados” e falham: por o modelo haver sido aplicado a toda a comunidade e ao mesmo tempo, as suas consequências causam dano a toda a comunidade, e por ter sido imposto a todos (e não desejado, de modo voluntário, a um nível micro), não beneficia de amortecedores sociais: isto é, se falha um falham todos e com consequências irreparáveis em instituições humanas e sociais que se reproduzem através da aprendizagem por imitação ou transmissão pessoal e directa de dados – por exemplo a família.
Porque a realidade e a natureza humana não se compadecem com construções teóricas idealistas, vivemos no mundo descontentes e, com o mesmo, sentimos-nos desconcertados e desiludidos: o que julgamos ver não é o que existe, mas mera imagem distorcida por óculos que, deturpando, escondem e mascaram a Realidade! É este o caldo de cultura que “pariu” a actual constituição. Um mundo de ilusões, filhas da propaganda do Séc. XX, que criou mitos, procurou destruir consciências, e visou, julgando poder matar Deus, criar um Homem Novo! Um mundo de ilusões que brotou de mentes angustiadas, que tinham por possível eliminar a Fé dos Homens e a sua Crença num Deus criador de todas as coisas; um mundo de mentes perversas que quiseram aniquilar a diversidade que existe entre os Homens, e que, manipulando, destruíndo, matando procuraram eliminar todos os fossem diferentes, seja por pertencerem a uma raça ou a uma classe social; um mundo de mentes alucinadas e doentias que pretenderam criar um Mundo onde a vontade de um só Homem substituísse o Livre Arbítrio que Deus concedeu a todos os Homens.
Propagaram a ideia de que o Estado poderia, com vantagem, substituir o indivíduo, aliviando-o das inevitabilidades da vida (a dor, a doença e a morte), protegendo-o dos infortúnios (o desemprego ou a fome) – será que, aumentando os impostos, o Estado não nos poderá livrar das carraças e dos piolhos, da chuva e do frio, do Sol e dos escaldões, ou (quem sabe) das “tampas” e das “negas”? E o pior é todos acreditaram. Acreditaram que, com o sistema progressivo de impostos, o Estado podia “armar-se” em Robin dos Bosques e redistribuir a riqueza , de um modo mais justo. Parece que o desígnio da Humanidade se resume hoje, apenas, em esperar encontrar alguém, um ser iluminado, que nos diga qual é a Verdade, a transforme numa pílula, nos traga um copo com água, coloque o comprimido e... zás: felicidade instantânea! Passámos a julgarmo-nos capazes de adivinhar o Futuro, acreditando que este foi escrito por Deus e que é imutável. Tanta ignorância! Como se Deus não nos amasse e, por isso, não nos houvesse concedido a Liberdade para buscarmos a Verdade, ou não nos houvesse dotado com as capacidades para, querendo, sermos capazes de produzir “feitos valerosos que nos vão da lei da morte libertando”. Urge permitir que o português se recorde que a vida vive-se, viver custa e, no fim, o que fizémos, fazemos e fizermos do nosso mundo, o principal responsável é sempre o próprio Homem. E, se queremos viver num Mundo melhor, só nos resta “arregaçar-as-mangas”, dar graças a Deus e... trabalhar!
A reforma constitucional que precisamos é uma exigência geracional. E é uma condição de Democracia, de Verdade e de Liberdade. Crescemos em Liberdade e não aceitamos estatutos de menoridade. A “gaiola dourada” em que a actual constituição se tornou, é-nos inaceitável. Para isso importa rever o actual catálogo de Direitos Fundamentais, e acabar com os limites materiais de revisão. Queremos poder ousar, queremos poder arriscar, queremos poder inovar! Queremos poder perder ou... vencer! Queremos viver em Liberdade!

João Titta Maurício

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção