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Inferências

Barreiro - Por dentro dos diasOs lugares - o que fomos e o que somos

Uma cidade faz parte de nós quando nós, afinal, aprendemos a descobrir em todos os seus recantos, essa memória do que fomos e do que somos.

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Barreiro - Por dentro dos dias Os lugares - o que fomos e o que somos

Por Jornal Rostos

As ruas da cidade são lugares onde respiramos memórias, ali, sentimos a vida por dentro dos nervos e tocando os neurónios.
As ruas das cidades proporcionam leituras por dentro do tempo, porque as ruas, tal como cada um de nós, têm uma vida própria, nelas se inscreve todo o tempo da cidade que somos, do tempo que vivemos e respiramos.
E, cada um de nós tem das ruas e dos lugares memórias únicas, pessoais e colectivas. Um beijo. Um acidente. Uma manifestação. Um abraço. Um encontro ou um reencontro. Um sorriso. Um desdém. As ruas são marcas da memória.

O mais belo é quando nós encontramos nesses lugares o passado a confluir com o presente, ali, mergulhando por dentro de uma paisagem que se transforma, mantendo as raízes do que fomos, erguendo-se solenemente de forma sublime no presente que somos.
Uma rua, um lugar, diz mais da realidade, da vida e do tempo vivido, das mudanças, das transformações, de tudo o que fomos e de tudo o que somos, que mil palavras escritas, ditas e repetidas, apenas para dizer que somos uma cidade que parou no tempo. Equivocando. Misturando. Negando.
O real está aí, vivo, presente, nas ruas e nos lugares. Sim, as ruas são monumentos à memória e nelas se inscreve, também, a história deste presente que é o futuro que, diariamente, estamos a construir.

Uma cidade somos nós, todos nós, hoje, que fazemos nas memórias do presente as memórias de um futuro feito de esperança. O futuro que renasce todos os dias. Vivendo os instantes.
É por isso, só por isso, que gosto de olhar a cidade, sentir o seu pulsar, viver cada instante, em cada instante, sorrindo.
Digo-vos, de facto, acreditem, é no viver e fixar os instantes que a vida pulsa.
O mais belo da vida é quando nós, diariamente, somos capazes de construir memórias, gravando o tempo no coração.
Uma cidade faz parte de nós quando nós, afinal, aprendemos a descobrir em todos os seus recantos, essa memória do que fomos e do que somos.
Quando caminharem por uma rua, mais do que sentir os passos do presente, sintam esses passos a pulsar por dentro do coração, esse ritmo que faz de nós o que somos, hoje e aqui, respirando o tempo por dentro do tempo, esse que, na verdade, só existe com antes e depois.
É por isso, só por isso, que as ruas e os lugares respiram – passado, presente e futuro!

António Sousa Pereira

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