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Inferências

Por dentro dos dias - BarreiroSonhando sempre sonhando!

Obrigado. A todos os que no dia de hoje, com uma simples palavra contribuíram para fazer deste tempo que vivo, um tempo onde me encontro e reencontro – sonhando sempre sonhando!

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Por dentro dos dias - Barreiro Sonhando sempre sonhando!

Por Jornal Rostos

Os dias não são todos iguais. Os dias transportam, sempre, dentro de si, uma memória. E, todos os dias, os dias são mais belos, sempre, mas sempre, mais muito mais belos, sempre que nós acrescentamos novas memórias ao futuro.
A beleza de cada dia está num encontro que se veste de carinhos. Num sabor que guardamos, pela companhia e pelo gosto único, aquele paladar que se sente com prazer.
A beleza de um dia pode estar numa simples palavra: Parabéns!
Quando vivemos os dias com sabores, carinhos e muita ternura nos nervos, basta um olhar, um simples olhar por dentro dos olhos, ou uma palavra doce, a tocar o coração e, isso, apenas isso – uma palavra – faz sentir como a vida é feita de todos os dias que nos transportam até aqui, e, sorrindo, afirmamos: valeu a pena!

Ontem à noite, quando acabei de escrever o texto para assinalar o 16º aniversário da edição de «Rostos on line», emocionei-me com uma coisa muito simples.
Normalmente, enquanto escrevo tenho por hábito escutar, suavemente, alguns sons, especialmente aqueles que compõem «a minha mix» no Youtube.
São sons de fundo que são uma companhia. Uma muleta onde encosto os meus neurónios, porque ao mergulhar por dentro de sons, vou navegando e deixo-me fluir, assim, num constante de diálogo entre os sons e as palavras. Delicio-me. Divirto-me.

Curiosamente, ontem à noite, no instante que fechei o texto, sobre os 16 anos do «Rostos on line», comecei a escutar a voz de Zeca Afonso, no concerto do Coliseu, um coro a cantar a «Grândola Vila Morena».
Acaso. Coincidência. Emocionei-me. Parei e cantei por dentro da minha mente, juntando-me ao coro.
Afinal, este tem sido o cântico que ao longo dos anos, tem forjado a minha consciência neste estar e fazer jornalismo, neste estar e fazer democracia.
Foi sempre acreditando que democracia é confronto e diálogo, é navegar contra ventos e marés, com tempestades e bonanças, que vivi o fazer jornalismo.
Viver e fazer Liberdade, essa mais bela herança de Abril!

Tenho vivido, há mais de 45 anos, este prazer enorme de fazer jornalismo de proximidade – em Setúbal, no Barreiro.
Aqui, no Rostos, estou a caminhar para as duas décadas e, de facto, espero lá chegar, sempre vivendo os dias com paixão, construindo e sonhando, porque sem sonho os dias perdem sentido.
Quer o viver esta actividade, com erros de ortografia, com gralhas, errando e corrigindo, porque só os perfeitos não erram. Eu como não sou perfeito, gosto de ir sempre aprendendo com os erros.
Continuar esta entrega para manter viva um voz ao serviço da região, vivendo sempre, mas sempre, os dias com a alegria de dar um contributo para fazer cidade.

Enquanto sentir esta energia no meu coração, enquanto as forças não faltarem, cá estarei, como que cumprindo uma missão cívica, nessa nobre missão de ajudar a fazer democracia.

É difícil fazer democracia num tempo marcado pelas mais diversas formas de culturas populistas, de manipulação da opinião, de «politicas de viagra», essas, que criam mundos virtuais, essas que querem ser sempre o que não são, repetindo, repetindo e iludindo, assim como quem acredita que chegámos ao melhor dos mundos. Iludindo sempre!

Fazer jornalismo neste tempo é muito complicado, mas, dá muito gozo. Aquele gozo de sentir que é pela luta que chegamos ao futuro. E, estarmos conscientes que o futuro está, por desocultar, presente, bem presente nos dias de hoje, vivo nas palavras que constroem o presente.

Mas, digo-vos, o mais complicado é fazer jornalismo livre, e, acima de tudo, um jornalismo livre mas com valores. Afinal , ninguém é livre sem valores.
E, certamente, é isso, apenas isso, que incomoda. Porque, de facto, ter valores é ter memória. Memória e História. História e Futuro.

Obrigado. A todos os que no dia de hoje, com uma simples palavra contribuíram para fazer deste tempo que vivo, um tempo onde me encontro e reencontro – sonhando sempre sonhando!
Afinal, uma prova viva, autêntica, que os dias não são todos iguais, porque, hoje como ontem, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”.

António Sousa Pereira

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