19.ª edição do Festival Internacional SeixalJazz volta ao Fórum Cultural do SeixalSete noites a explorar fronteiras de 18 a 27 de outubro

Por Jornal Rostos
A 19.ª edição do Festival Internacional SeixalJazz volta ao Fórum Cultural do Seixal, de 18 a 27 de outubro, com um cartaz de novos talentos e respeitados mestres do jazz. Carla Bley, Mark Guiliana, José Salgueiro, Aaron Parks, Kuba Więcek, Roots Magic e João Hasselberg com Pedro Branco lideram as formações que trazem os sons do improviso até à Margem Sul. Este ano o SeixalJazz Clube estreia-se num novo espaço da antiga corticeira Mundet: o Armazém 56 – Arte Sx, com um programa composto por quatro formações nacionais. A entrada é livre e o clube funcionará entre as 22 e a 1.30 horas, com as atuações dos grupos portugueses convidados a começarem às 23 horas (em dois sets: às 23 e às 0 horas). Atuam os Mano a Mano, o quarteto de Desidério Lázaro, o quinteto de Ricardo Pinto e o quinteto de André Rosinha.
Para a abertura, no dia 18 de outubro, o SeixalJazz propõe o concerto do quarteto de Mark Guiliana, um baterista e compositor norte-americano de créditos firmados e musicalidade sofisticada que já colaborou com Avishai Cohen, Brad Mehldau, David Bowie ou Matisyahu, entre outros. Apresenta-se no SeixalJazz com Chris Morrissey (contrabaixo), Fabian Almazan (piano) e Jason Rigby (saxofone), formação com a qual gravou «Jersey» (2017), um trabalho que as publicações da especialidade elevaram ao patamar de obra-prima.
No dia 19 de outubro, sexta-feira, é a vez do projeto em quinteto do baterista português José Salgueiro. Transporte Colectivo é o nome da formação e também da primeira gravação deste músico enquanto líder. No palco estará a excelente formação presente no disco, um leque de instrumentistas de tal qualidade que é impossível fazer destaques individuais: João Paulo Esteves da Silva (piano), Guto Lucena (saxofone e clarinete baixo), Cícero Lee (contrabaixo) e Mário Delgado (guitarra).
Aaron Parks Trio fecha a primeira semana de concertos no Fórum Cultural do Seixal, no dia 20 de outubro. O pianista de Seattle tem estado na linha da frente da exploração das fronteiras do jazz e chamou a atenção quando integrou a formação do veterano trompetista Terence Blanchard. Em 2017, lançou o trabalho «Find the Way» (ECM), inspirado na música de Alice Coltrane e Shirley Horn e gravou com os músicos que o acompanham no SeixalJazz: Ben Street (contrabaixo) e Billy Hart (bateria).
O trio do jovem saxofonista e compositor Kuba Więcek, com Michał Barański (contrabaixo) e Łukasz Żyta (bateria) atua no dia 24 de outubro. Fortemente influenciado por Charlie Parker, John Coltrane, Sonny Rollins e Ornette Coleman, as composições de Więcek são também marcadas pelas sonoridades pop e rock, com destaque para o trabalho de Brian Eno, Tom Waits, Bon Iver, Flying Lotus ou Kanye West.
Roots Magic é o nome do quarteto italiano que atua no SeixalJazz no dia 25 de outubro, quinta-feira. Composto por Alberto Poppolla (clarinetes), Errico De Fabritiis (saxofone alto), Gianfranco Tedeschi (contrabaixo) e Fabrizio Spera (bateria), explora um repertório entre os blues avant garde e o creative jazz, incorporando a tradição da black music e uma vertente mais criativa e avançada do jazz.
Na sexta-feira, dia 26, o surpreendente projeto conjunto do contrabaixista João Hasselberg e do guitarrista Pedro Branco toma conta do palco do festival. Explorando um universo formado por composições de ambos, fazem-se acompanhar de outros três músicos notáveis do panorama jazz e alternativo da música nacional: Afonso Cabral (voz), Afonso Pais (guitarra) e João Lencastre (bateria).
Para encerrar a sua 19.ª edição, o SeixalJazz escolheu uma das verdadeiras livre-pensadoras do jazz, a pianista Carla Bley. Influenciada por músicas tão diversas como a clássica e o tango, construiu uma carreira fascinante e um estilo único e reconhecido. O seu último trabalho, editado pela ECM em 2016, foi considerado pela revista «Down Beat» como uma obra-prima. «Andando el tiempo», com Andy Sheppard no saxofone e Steve Swallow no contrabaixo servirá, seguramente, de base a este concerto.
As atuações começam sempre às 22 horas e os bilhetes estarão à venda em setembro.
Como habitualmente, o SeixalJazz volta a dedicar um dia ao projeto pedagógico O SeixalJazz Vai à Escola, que decorre durante todo o ano nos estabelecimentos de ensino do concelho. Agora, são os alunos e professores das escolas aderentes que visitam o auditório para assistirem a um concerto comentado com o quinteto da pianista Isabel Rato, no dia 24 de outubro.
SeixalJazz Clube no novo Armazém 56 na Mundet
Em 2018, o SeixalJazz Clube estreia-se num novo espaço da antiga corticeira Mundet: o Armazém 56 – Arte Sx, com um programa composto por quatro formações nacionais. A entrada é livre. Muitos anos depois da já longínqua primeira edição (aconteceu em 2001, nos antigos refeitórios da emblemática fábrica), é o recém-criado Armazém 56 a receber este evento onde se vive o ambiente de um clube de jazz e por onde já passaram inúmeras formações de músicos portugueses e estrangeiros.
O SeixalJazz Clube funcionará entre as 22 e a 1.30 horas, com as atuações dos grupos portugueses convidados a começarem às 23 horas (em dois sets: às 23 e às 0 horas). Na zona exterior funcionará um serviço de bar e há também espaço para uma zona de venda de CD e discos de vinil. A entrada é livre.
Programa
Mano a Mano (18 e 24 de outubro)
Entrada livre
Bruno Santos – guitarra
André Santos - guitarra
Dois irmãos, nascidos na ilha da Madeira, cujo virtuosismo na guitarra mereceu uma nota elogiosa na revista «Down Beat» na edição de março deste ano. Editaram o seu primeiro trabalho em 2014 e, em 2018, lançaram o segundo volume de Mano a Mano. Além das guitarras e do seu virtuosismo incluíram neste último trabalho a tradicional braguinha/machete madeirense. Um disco essencialmente de jazz, mas transversal e que chega a outros estilos e outras pessoas. Bruno e André são ambos graduados em guitarra jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa.
Desidério Lázaro Quarteto (19 e 20 de outubro)
Entrada livre
Desidério Lázaro – saxofones
João Firmino – guitarras
António Quintino – contrabaixo
Joel Silva – bateria
Reconhecido saxofonista com um percurso que o consagrou entre os melhores músicos portugueses de jazz, Desidério Lázaro editou este ano o seu quinto disco como líder, «Moving», pela editora independente Sintoma Records. Um trabalho com composições originais e que abrange uma panóplia diversa de ambiências sonoras. O músico, agora a residir no concelho do Seixal, apresenta-se em quarteto, com uma formação de excelência.
Ricardo Pinto Quinteto (25 e 26 de outubro)
Entrada livre
Ricardo Pinto – trompete
André Rosinha – contrabaixo
Ricardo Toscano – saxofone alto
Óscar Graça – piano
Luís Candeias – bateria
«A sul» é o título do terceiro trabalho discográfico do trompetista Ricardo Pinto. Apresenta-se no Seixal com esta sua nova formação, que inclui o saxofonista Ricardo Toscano. Composições muito marcadas pelos sons retro dos anos 60, com abordagens mais modernas e improvisadas. Uma música que nos leva para ambientes cinematográficos com melodias fortes e cantáveis, sugeridas por harmonias abertas e de alguma forma dúbias. As atmosferas densas que assentam em grooves sólidos são a plataforma ideal para as improvisações ora melódicas ora energéticas e ferozes levadas, por vezes, ao limite da sua estabilidade.
André Rosinha Quinteto (27 de outubro)
Entrada livre
André Rosinha – contrabaixo
João Barradas – acordeão
Eduardo Cardinho – vibrafone
Bruno Pedroso – bateria
Albert Cirera – saxofone
Alexandre Alves – bateria
André Rosinha apresenta-se a liderar uma formação de excelentes músicos com quem gravou o seu mais recente trabalho, «Pórtico». Conta com a cumplicidade de um dos mais conceituados acordeonistas do panorama mundial, o virtuoso João Barradas, e ainda com o saxofonista catalão Albert Cirera, o vibrafonista Eduardo Cardinho, atualmente a viver em Amesterdão, e o baterista Bruno Pedroso, o mais experiente músico desta formação. Juntos oferecem um som empolgante. O estilo pessoal que cada elemento acrescenta ao produto final resulta num jazz surpreendente.













