A(nota) mentosPensar a ponte Hong kong – Macau de 55 Km e Barreiro – Seixal de 400 metros

Por Jornal Rostos
A noticia que corre as páginas da imprensa mundial, nos dias de hoje, é sobre a inauguração da ponte Hong kong – Macau, numa distância de 55 Km, com um túnel debaixo de água com cerca de 6Km.
Pelo que fomos lendo, a China avançou para este projecto não com uma visão local, mas com uma visão global, pois, de facto é salientado que um dos grandes objectivos deste projecto estruturante é promover a mobilidade e criar entre aqueles territórios – Macau, Hong Kong, Zhuhai – uma região que no futuro se afirme como “um gigante tecnológico” que possa rivalizar com Silicon Valley, nos Estados Unidos.
Um dos grandes objectivos desta ponte, refere-se, é, na verdade, aproximar Hong Kong e Macau de 11 cidades chinesas.
O percurso entre Hong Kong e Zhuhai, que demorava 4 horas, passa a ser feito em 30 minutos.
Esta noticia faz pensar se, no mundo de hoje, a competitividade, de facto, já não é entre cidades, mas sim, na verdade, entre regiões, essas, com capacidade de atrair empresas para os territórios, pela fluidez de mobilidade terrestre e, naturalmente, ás ligações aéreas.
A competição no mundo de hoje, reside no potenciar regiões metropolitanas, cuja escala não é local, nem internacional, é na sua influência no mundo e a forma como se colocam nessas estratégias de competitividade.
Leio esta notícia, nem sei porque razões, ou sei, talvez, por razões meramente subjectivas, dou comigo a pensar Barreiro e a pensar Área Metropolitana de Lisboa.
Penso Barreiro, porque sinto que este concelho, desde há décadas que está aqui, metido num canto, como se fosse um gueto da Península de Setúbal e da Área Metropolitana de Lisboa, quando, na verdade, ao nível territorial é uma centralidade.
Isto, porque não há uma ponte que permita que exista uma ligação rodoviária, rápida e eficaz, que ligue o Barreiro ao Seixal, e, desta forma dar massa critica aos dois concelhos.
Era a construção de uma ponte com cerca de 400 metros, que ligava os dois concelhos, evitando que as populações tenham que percorrer os actuais 16 quilómetros.
António Costa prometeu que poderia avançar com o Programa Portugal 2020. Está prometido. Mas se o assunto ficar no silêncio se não existir capacidade politica de reivindicar esta ou outra solução. Assim vamos continuar.
Depois, penso o que dizia Álvaro Mateus, quando se falou da mudança do novo aeroporto de Lisboa, previsto para a OTA, e, depois apontada para o Campo de Tiro de Alcochete.
Dizia que, era potenciar um aeroporto que iria contribuir para dar dimensão à AML - competir com Madrid – e, de facto, alargando a sua influência na margem sul, assim, nesta margem, nascendo, a tal cidade aeroportuária para dar a Lisboa, dimensão metropolitana e europeia.
E, naturalmente, neste contexto, avançar TTT, nem que fosse só ferroviária, pois ela faz parte do plano ferroviário nacional.
Em suma, era pensar Lisboa até Sines, uma Lisboa que devia, escutei depois, por outros, ser pensada de Peniche até Sines.
Afinal, isso, era dar a Portugal essa tal dimensão de plataforma Atlântica, afirmando-se com ligações até à Estremadura de Espanha, como “uma região no mundo”, de ligação à América, África, sendo aqui a porta da Europa.
E, de facto, foi isto que pensei hoje, ao ler esta noticia, e, imaginei que o Barreiro, era um lugar, um lugar central, neste pensar a AML e Portugal no mundo.
Porque afinal, no futuro, Portugal ou se pensa nesta competitividade mundial, ou ficamos assim, como um recanto para ser visitado…com o turismo, como a ponta de lança da nossa economia.
S.P.













