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Inferências

A(nota) mentosO Barreiro, o potencial e…o seu eterno mal

Um concelho que aguentou, com resiliência, resistiu, aguentou e, está aí, a acreditar no futuro, com majorações, porque continua sem rendimento per capita, mas continua a sonhar e a lutar.

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A(nota) mentos O Barreiro, o potencial e…o seu eterno mal

Por Jornal Rostos

Ontem à tarde, no decorrer do Workshop subordinado ao tema «O futuro do trabalho», José Paulo Luís, Director do Centro de Emprego e Formação Profissional de Setúbal, a propósito de medidas que visam estimular as empresas na criação de empregos, referiu que o concelho do Barreiro, é, no país, um dos concelhos onde, as empresas, pela criação de empregos através do recurso ao apoio das medidas do Instituto do Emprego e Formação Profissional, podem beneficiar de uma majoração, com o aumento de 10%, nas verbas que tenham direito a ser beneficiadas.
Interroguei sobre as razões que motivavam o Barreiro a receber essa majoração. Resposta o seu pequeno índice de rendimento per capita.

Um destes dias, no Museu Industrial da Baía do Tejo, realizou-se a Conferência "Reindustrialização e a Indústria 4.0", organizada pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, no decorrer da qual Luís Mira Amaral, Ministro da Indústria, nos governos de Cavaco Silva, recordou que, há 30 anos, no seu tempo de Ministro, no Barreiro, na Quimigal, existiam cerca de 10 mil postos de trabalho, que foram reduzidos a 2 mil, com o encerramento de empresas que estavam endividadas, que eram negócios falidos, e, que geravam problemas ambientais, e, foi criado o Parque Empresarial da Quimiparque.

No dia 4 de Novembro, celebrou-se o 10º aniversário da fundação do Forum Barreiro, na época com grande apoteose, em pleno Inverno, com milhares de pessoas nas ruas, com o Pai Natal a descer de Helicóptero na Praça da Paz. O Forum Barreiro, nesses dias de festa encheu e, diga-se, todos viviam com orgulho aquele espaço cosmopolita, no centro da Cidade.
Talvez até porque, nesse tempo, o Barreiro ainda pulsava, com base nos índices que tinha registado, nos finais dos anos 90, os tempos em que, certamente, foram efectuados os estudos de mercado destinados a avaliar a viabilidade económica para instalação do Forum Barreiro.
O Barreiro era, nesse tempo, um dos concelhos com maior número de licenciados na Área Metropolitana de Lisboa e, sublinhe-se, um dos concelhos, apesar da desindustrialização estar em marcha, com um dos maiores índices de rendimento per capita.

Mas, que tem tudo isto a ver umas coisas com as outras. Para quem não quer ver nada. Para quem quiser reflectir tudo.
Estes três momentos permitem verificar, de forma muito simples, a realidade do concelho do Barreiro, porque, de facto é um concelho deprimido, porque carece de receber majorações pela criação de emprego.

O Forum foi inaugurado num tempo que o «tsunami da crise financeira», já vinha no Atlântico, que os PEC’s já começavam a ser anunciados.
E, se, quando abriu, tinha marcas âncora, porque tinha mercado ou clientes potenciais, meses depois, os seus potenciais clientes, estavam a lutar pela sobrevivência, muitos a viver à custa dos pais ou avós, o desemprego era galopante, a juntar ao desemprego resultante da desindustrialização, com DLD’s – Desempregados de Longa Duração, fruto dos efeitos dos encerramentos de fábricas referidas por Luis Mira Amaral, a estes, juntava-se o desemprego do «exército dos recibos verdes».

Pensei nisto, na majoração dos dias de hoje, aos efeitos da crise financeira, que debilitou a situação económica e financeira da maioria da sua população – o tal concelho envelhecido – que com cortes nas pensões e reformas, muitos tiveram que recorrer a poupanças para sobreviver e ajudar os seus filhos.

Um concelho que aguentou, com resiliência, resistiu, aguentou e, está aí, a acreditar no futuro, com majorações, porque continua sem rendimento per capita, mas continua a sonhar e a lutar.
O tal concelho com potencialidades que está num gueto e, que, afinal, continua como há anos atrás, a estar dependente de projectos que podem ser âncoras de desenvolvimento, o dito Terminal de Contentores e, agora, o Aeroporto do Montijo.
E, continuamos, aqui, num gueto, sem ligação por uma ponte ao Seixal, e, com o tal potencial que, vai, até ver uma luz ao fundo do túnel, continuar a ser isso, apenas isso, o potencial.
É, isso, o Barreiro, o seu potencial e…o seu eterno mal – falta de empregos.

António Sousa Pereira

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