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Inferências

A(nota)memtosPonte Barreiro – Seixal : será que quem decide é a «politika do linkismo»!

Será pena, muita pena que por 500 mil euros, como consta, o Barreiro decida rasgar o acordo com o Seixal de construção da ponte pedonal.

As gerações futuras, um dia, irão perguntar e saber quem foram os senhores que travaram um projecto, de qualidade ambiental e urbano.
Porque afinal o que decide é a «politika do linkismo»!

6 min de leitura
A(nota)memtos Ponte Barreiro – Seixal : será que quem decide é a «politika do linkismo»!

Por Jornal Rostos

As ligações Barreiro – Seixal é uma temática que, na verdade, devia estar acima das guerrilhas partidárias de circunstância, mas, infelizmente, nos tempos de hoje, muitas vezes, as agendas politicas são marcadas pelo ritmo dos «links» das redes sociais.
É mais confortável, dá mais votos, gera imagem e dá simpatia aos políticos. Há quem classifique isto de populismo, prefiro chamar «politika do linkismo».

Isto a propósito de rumores que correm sobre a possibilidade de não avançar a construção da ponte pedonal de ligação ao Barreiro – Seixal.
A ponte pedonal Barreiro – Seixal, nada, mesmo nada, tem a ver com a necessidade imperiosa de avançar, como prometeu, aqui no Barreiro, o Primeiro Ministro António Costa, com a construção da ponte rodoviária de ligação à IC21, que fica enquadrada nas ligações que, inevitavelmente, no futuro, à Terceira Travessia do Tejo ( mesmo que ela numa primeira fase fique apenas ferroviária, dado que faz parte do plano ferroviário nacional, e, preparada para receber um tabuleiro rodoviário, originando que, ali, aconteceria o inverso do que aconteceu na Ponte 25 de Abril).
A Ponte Barreiro – Seixal, rodoviária do nó do Galitos para a zona da Siderurgia Nacional, é essencial, e, sem dúvida, um dos passos que devia fazer parte da agenda de todas as força politicas, no Barreiro e na região, porque ela é, estruturante para as dinâmicas sociais do Arco Ribeirinho Sul.

Uma das coisas que acontece, regularmente, nas redes sociais, é confundir e misturar esta ponte, com um custo na ordem dos 15 milhões de euros, e, que deve ser financiada por fundos europeus, no âmbito do Programa Portugal 2020, ou 2030, com a construção da ponte pedonal.
Esta ponte rodoviária insere-se em estratégias de melhoria da mobilidade da região, permitindo que, uma ligação entre dois concelhos, que, nos dias de hoje é cerca de 16 km, ficar reduzida a 400 metros.
Esta é uma ponte que contribui para aproximar os dois concelhos, alargar as suas potencialidades económicas e dar escala a equipamentos que podem servir de forma mais eficaz os dois concelhos e a região.

A ponte pedonal, tanto quanto sei, pelo que foi sendo divulgado ao longo dos anos, insere-se numa estratégia da Área Metropolitana de Lisboa, de promover uma rede ciclável, que ligue a região, e, indo ao encontro da receptividade que houve em Bruxelas, de apoiar este projecto metropolitano, inserido em estratégias de redução da pegada de carbono, ligadas às medidas de combate às alterações climáticas, e, também de valorização de politicas de fruição da natureza e do ambiente.

A ponte pedonal de ligação do Barreiro – Seixal liga-se a concepções de cidade verdes, de valorização da qualidade de vida.
A ponte pedonal liga-se a uma concepção de cidade, do pensar e fazer cidade, com os olhos no futuro.
A ponte pedonal até é, sem dúvida, um contributo para estratégias de valorização de nichos de turismo da natureza, pela sua proximidade ao Sapal do Coina. O tal turismo de proximidade, de visitação entre territórios, conjuntamente, certamente, acima de 300 mil habitantes.
A ponte pedonal, por aquilo que se diz, está em vias de não avançar, porque, entretanto, a APL exige um vão de 60 metros, quando no projecto inicial era de 40 metros.
Esta alteração pelo que consta dá origem a um aumento de mais 1 milhão de euros – cito o presidente da Câmara do Seixal – que afirma o seu objectivo de concretizar o projecto.
A ponte tem garantido o financiamento europeu de 2 milhões de euros. É, de facto, uma pena que sejam perdidos, porque, afinal o Barreiro, está com dúvidas, e, pelo que consta não quer avançar com o projecto.
Na realidade, se olharmos para o «linkismo politico», esta decisão vai cair bem, é, até uma forma de dizer que não desbaratam verbas num projecto, que é uma «mega-mania» da CDU.
Se o Barreiro não avançar, vão ser muitos os aplausos nas redes sociais. Pronto, e ficamos todos felizes.
Mas, isto de gerir uma cidade e não fazer futuro, só porque, hoje, os links podem dar imagem é muito mau.
Já estou a ver, um destes dias, nesta era dos outdoor, alguém por aí a colocar um com palavras garrafais: Não ao gasto de 6 milhões numa ponte pedonal que não serve para nada. Sim à ponte rodoviária.

O que era preciso, isso sim, era esclarecer as pessoas que a ponte pedonal nada, mesmo nada, tem a ver com a ponte rodoviária, e, ambas são importantes, por razões diferentes – uma de circulação rodoviária, outra de mobilidade urbana sustentável, no construir territórios amigos do ambiente, no fazer cidade de futuro, que aproxima as cidades da natureza, e, neste caso, de uma das mais belas paisagens ribeirinhas da AML. Aliás, este projecto, iria ser importante para valorizar a Reserva Natural da Mata da Machada e sapal do Rio Coina, pois, no futuro, tem que vir a estar ligado por este sistema de ligações cicláveis, para se transformar no verdadeiro «Central Park» da cidade do Barreiro.

Acrescentar, ainda, que, estas duas ligações, a ponte pedonal e a ponte rodoviária, inseridas em contextos estratégicos diferentes no pensar o planeamento dos territórios, também, nada tem a ver, com a ponte que venha a ser construída no canal ferroviário, destinada à implementação da 3ª fase do Metro Sul do Tejo, até à Moita, que já ouço falar há décadas.
Dirão, Outra ponte? São tudo pontes diferentes, inseridas em estratégias diferentes no pensar e fazer cidade, no pensar e fazer país – uma é rodoviária, outra ferroviária, outra mobilidade urbana.

Será pena, muita pena que por 500 mil euros, como consta, o Barreiro decida rasgar o acordo com o Seixal de construção da ponte pedonal.
É muito mau quando se hipoteca o futuro de uma cidade e de uma região, porque a «politika do linkismo» , do parecer, mais que o ser, é o factor decisivo no pensar e projectar o território.

O dever de quem gere a cidade é ter visão de futuro, e, de facto, se há algo estruturante que se insere numa visão de futuro, de pensar um território com qualidade urbana, paisagística e ambiental, é, este da ponte pedonal.
Isto não é um tema partidário. Isto não deve ser uma tema de guerrilha, para provar, erradamente, que a CDU, estava a ir por mau caminho com despesas absurdas, ou, até mesmo, vir dizer, que isto não é prioridade.
O problema não é ser prioridade, o problema é que a Europa, vai olhar para nós e dizer, anda aqui a reivindicar que apoiemos um projecto metropolitano de rede ciclável, apoiamos e depois desitem e não o fazem - os portugueses devem estar loucos!

As gerações futuras, um dia, irão perguntar e saber quem foram os senhores que travaram um projecto, de qualidade ambiental e urbano.
Porque afinal o que decide é a «politika do linkismo»!

António Sousa Pereira

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