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Inferências

A(nota)mentos - Projecto «âncora» e de referência para a AMLPonte Pedonal Barreiro – Seixal um potencial adiado

A Ponte Pedonal é, sem dúvida, essencial no imediato, na construção de um Barreiro cosmopolita e moderno. Esse Barreiro que se quer com nichos de turismo. A ponte Barreiro – Seixal, por ser única no Tejo, na AML, até podia ser, ela mesma uma âncora, para criar eventos, para gerar visitação.

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A(nota)mentos - Projecto «âncora» e de referência para a AML Ponte Pedonal Barreiro – Seixal um potencial adiado

Por Jornal Rostos

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, numa entrevista ao jornal «Rostos», referiu que “não é favorável à construção da Ponte Pedonal Barreiro – Seixal”.
Na altura, comentei, para ele, que considerava essa opção – “um erro”.
E, quero aqui, preto no branco, reafirmar o que lhe disse – “É um erro”.
Aliás, já em artigo que editei, expressei a minha opinião sobre esta matéria, sobre a qual nunca existiu uma discussão pública e, diga-se, tendo sido esta uma matéria aprovada em reunião de Câmara, até aos dias de hoje, no actual mandato, nunca foi ponto da ordem de trabalhos, nem objecto de deliberação.

Em reuniões, apenas foi comentado, o facto da APL exigir que o vão da ponte no projecto com 40 metros, passe para 60 metros, e, que tal opção implica um aumento de custo na ordem de dois milhões de euros, assumidos pelos dois municípios. O Seixal já assumiu que pretende concretizar o projecto. O Barreiro não tomou decisão.

Por essa razão, quando Frederico Rosa, em entrevista afirma que não é favorável à construção da ponte, no âmbito do actual processo, a notícia, é sem dúvida isso mesmo – Frederico Rosa não é favorável à construção da Ponte Pedonal Barreiro – Seixal. O querer ou pensar que no futuro pode vir a ser pensado, não altera, em nada, a decisão de hoje, neste tempo real, aqui e agora – “não é favorável”, enquanto o Seixal é favorável. Esta é a noticia.

O assunto ainda vai, certamente a reunião de Câmara, e, naturalmente, pelo que temos registado de opiniões, vai ser aprovado com os votos favoráveis dos eleitos do PS e PSD.

O habitual quando este assunto é abordado, na vida politica das redes sociais, na espuma dos dias, é misturar tudo, lançar a confusão, colocar no mesmo plano de análise a ponte rodoviária – prometida pelo Primeiro Ministro António Costa e, que, na altura elogiei e saudei com energia, porque foi o primeiro governante, aqui no Barreiro, a assumir em absoluto a importância da ligação rodoviária Barreiro – Seixal, com compromisso de avançar no âmbito do Portugal 2020, ou outra via. Essa confusão, pelos vistos, não é intencional, intencional é o título de uma noticia. Mate-se o mensageiro.

Intencionalmente mistura-se a reflexão sobre estas duas pontes a rodoviária e a pedonal, e, parafraseando o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na sua análise sobre as opiniões dos que contestam o aeroporto no Montijo, que no Barreiro há muitos especialistas de aviões e de ambiente, é caso para dizer, que não falta os especialistas em estratégia de mobilidade metropolitana e urbana.
Mais, agora, também já se mistura a eventual ponte estruturante da via ferroviária, destinada ao Metro Sul do Tejo.

Não sou especialista em nada, não percebo nada de pontes, nem de ambiente. Mas, pela minha actividade, acompanhei diversas discussões públicas, conversas de políticos, reflexões sobre estratégias de gestão do território, isso, mais não seja, dá para entender os conceitos. Um conceito não é mais que uma visão estratégica, uma interpretação, uma abordagem do tempo e do lugar onde vivemos.

A Ponte Pedonal é, sem dúvida, essencial no imediato, na construção de um Barreiro cosmopolita e moderno. Esse Barreiro que se quer com nichos de turismo. A ponte Barreiro – Seixal, por ser única no Tejo, na AML, até podia ser, ela mesma uma âncora, para criar eventos, para gerar visitação.

Pelo que ouvi, pelo que se vem defendendo sobre a cidade que se quer, a visão de Barreiro, que seja uma cidade moderna, com qualidade de vida, com capacidade de atrair para viver e visitar, com uma estratégia de ligação ao ambiente, à natureza, aos rios, afirmando-se este como sendo um nicho de actividade económica e de turismo, ele, no território inscreve-se desde a Quinta de Braamcamp, passa por Alburrica, estende-se ao Polis, e, vai até à Mata da Machada, todo este sitio de natureza, só tinha a ganhar em escala regional, se criasse uma infraestrutura de mobilidade urbana, que vai dar um contributo para alargar essa dimensão territorial, e, diga-se de massa critica – humana e ambiental - até ao Sapal do Coina no Seixal e até à Amora.

Isto é pensar futuro. E quando se coloca acima de pensar futuro, a eventual poupança de um milhão de euros, não se está a equacionar, porque não há estudos, que permitam equacionar o que se vai perder, ou que não se vai ganhar, na valorização do território, até mesmo para o seu imobiliário, que se deseja possa atrair uma classe média cosmopolita e ecológica.
Isto é decidir , de facto, com base no «achismo». Ou decidir porque sim…coisas da vida politica!

Por isso, tal como disse que acho, no meu achismo, que também tenho direito, aqui expresso o meu direito à indignação, porque, na verdade, considero que é um erro não avançar com este projecto de mobilidade urbana, e, mais grave, acho, pelo meu achismo, que é negativo debater este assunto num plano de guerrilha partidária, porque isto não é uma matéria de partido, é um assunto de cidadania.

Certamente para passar a ponte pedonal não será necessário mostrar o cartão do partido x ou y, nem a ponte tem como finalidade proporcionar o acesso à Festa do Avante ou ao complexo desportivo do Sport Lisboa e Benfica. Isto, de facto, é o populismo que faz a espuma dos dias. E, talvez seja, infelizmente, com base nisto que se vai decidir.

É preciso dizer, que esta ponte pedonal serve para colocar o Barreiro na rota da natureza, do Tejo, do Coina e contribuir para uma nova visão de cidade. Esta ponte é estruturante para mudar a imagem da cidade da região, para por fim à velha imagem de cidade cinzenta e poluída.
Esta ponte pedonal seria um ícone – único e de referência de modernidade - para projectar uma cidade ambientalista, de Alburrica ao Sapal do Coina.

Por isso, no meu achismo, acho um erro, porque no achismo das decisões dos políticos que são desfavoráveis – uns porque sim, outros porque tem que ser, outros porque é a vida – ninguém demonstrou o contrário, porque se vai perder um financiamento já garantido pela Europa, ficando em aberto, um talvez…

Mas, o assunto, sei está arrumado. O debate sobre o assunto está numa caldeirada, onde se mistura tudo, com ou sem intencionalidade – porque há os que têm intencionalidade e há os puros de intenções, de tão puros, tão puros, só mesmo com algodão, é possível encontrar-lhes uma impureza.
Infelizmente, hoje não se discutem ideias, discutem-se intenções, a partidarização da vida social faz parte da conflitualidade. Não se discute a cidade, nem se vive a cidadania.
E assim, fica-se no silêncio…«o poder dixit»!

António Sousa Pereira

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