A(nota) mento - Ligação Pedonal Barreiro – SeixalO vão de 40, o vão de 60…a prioridade rodoviária, a confusão, vão lá vão!

Por Jornal Rostos
Na RTP, ontem, no programa «Portugal em Directo», foi transmitida a reportagem sobre a Ponte Pedonal Barreiro – Seixal.
Vi e revi. Com curiosidade e interesse. Quer pelo porque sim. Quer pelo porque não.
O porque sim, do Seixal, ficou claro, é porque existe uma intenção estratégica de implementar e desenvolver no concelho uma via estruturante, ciclável e pedonal, que ligue os dois concelhos Barreiro e Seixal, no âmbito de mobilidade urbana, construindo futuro. Aplaudi. Até porque, objectivamente não misturou a ligação pedonal, com a ligação rodoviária, até, porque, na verdade, sobre essa as autarquias não podem ter decisão, não vão ter decisão, o mais que podem e devem fazer, é exigir ao Poder Central que cumpra o que prometeu.
Mas, de facto, não misturar na abordagem do assunto a reflexão sobre estas duas matérias, demonstra maturidade politica e visão estratégica inter-municipal.
Mas, curiosamente, no porque sim, um pormenor me despertou a atenção, o argumento de defesa do vão de 40 metros, recorrendo ao facto de neste momento, no Rio Coina, não há qualquer navegabilidade de grande porte, pelo que não se justificaria o vão de 60 metros.
Curiosamente, a APL justifica o vão de 60 metros, porque aquele troço do Tejo-Coina, está classificado de II nível.
Mas, o que chamou a atenção foi o argumento da defesa do vão de 40 metros, pelo edil do Seixal, referindo, que não há navegabilidade de grande porte.
Ora, este argumento, despertou-me o bichinho a morder por trás da orelha. Na minha memória, fez-se eco, quando da apresentação do Terminal de Contentores do Barreiro, em Lisboa, nessa altura já a APL, referia que no seu Plano Estratégico existiam duas linhas de orientação, ampliar a navegabilidade do Tejo até Castanheira de Pera e criar condições de navegabilidade no Coina, com a construção de um Porto de Cargas e descargas de “matérias primas”, no Seixal, que hoje, são efectuadas no Porto da Atlanport, no Barreiro. Portanto, implicando, no futuro, a navegabilidade de grande porte. Fiquei a pensar nisto. Até porque, o Seixal sabe disto, esteve lá, na apresentação em Lisboa. Ouviu o que ouvi.
Portanto, se a APL exige o vão de 60, como diz, para garantir a navegabilidade no futuro, tem razão.
Portanto, nesta confusão do porque sim e do porque não, acho, no meu achismo, que é preciso defender com visão sobre o território de hoje, e, também sobre o território daqui a 50 anos, para não se hipotecar futuro.
E, mais, fiquei esclarecido que afinal o aumento de custo não de 2 milhões, mas de 1 milhão e meio de euros. Ou seja, neste porque sim, e neste porque não, para baralhar a opinião pública e alimentar os ditos e reditos nas redes sociais. Um dia são dois milhões. Noutro dia 1 milhão e meio. É vida.
Depois, claro, sem qualquer intenção, mas porque o que é importante é a ligação rodoviária, que nada tem a ver com esta medida estratégica de mobilidade urbana, no lado do porque não, no Barreiro, mistura-se a prioridade da ligação rodoviária, porque essa é que é importante, sobre a qual as Câmaras Municipais, nada podem fazer, nada podem decidir e, em nada vão comparticipar, porque esta é uma matéria do Poder Central, no âmbito da mobilidade regional.
Mas, enfim, mistura-se, sem intenção, claro, só para que as pessoas fiquem a saber qual a prioridade.
E o importante, que era apostar, inequivocamente, neste projecto, projectando futuro, opta-se por ampliar e dar eco, espuma dos dias, que circula no diz-se que diz-se quotidiano.
Hoje lia no jornal «Pùblico» : “A história pertence ao que a prolongam, não aos que a sequestram”. Não avançar co m a pedonal que ligue o Barreiro – Seixal, aqui e agora, pelos argumentos das verbas – espante-se 1 milhão e 500 mil euros. É negar o futuro. E não me venham, dizer que, com esta verba vão fazer não sei quantas rotundas e não sei quantos estrangulamentos de trânsito no concelho do Barreiro, até, porque alguns deles, dos mais badalados nas redes sociais, “no diz que diz-se”, comenta-se que vão ser concretizados, por parcerias com privados.
Por guerrilhas politico partidárias. Que nem apetece comentar. Com muita retórica à mistura. O facto, sim o facto, é que este potencial de dar escala ambiental e urbanidade ecológica aos concelhos do Barreiro e Seixal, colocando este projecto, como exemplo para o país, colocando os dois concelhos na rota da modernidade, do encontro com a natureza, uma referência âncora para ambientalistas do país, criando, naturalmente, um ponto visitável de turismo do ambiente, para além de dar qualidade de vida aos que vivem nos dois concelhos e valorizando a apetência por viver neste ambiente marcado pela sua biodiversidade – desde a Quinta de Braamcamp, passando por Alburrica, Sapal do Coina – no Barreiro e Seixal, Mata da Machada e Rio Judeu.
É mais, um a vez não prolongar a história, é adiar potencial, é sequestrar o futuro.
Já decidiram. Está decidido. O PS e PSD já decidiram, pelo que é dito. A CDU está contra. Os outros BE e PAN calam-se. Será que a Assembleia Municipal que fiscaliza as decisões da Câmara vai ficar pelo silêncio?
Acredito, que esta não é uma matéria partidária, a ponte é para todos e não para alguns.
Por tudo o que tem sido dito, em nada, mesmo nada, me convenceram – tecnicamente ou mesmo politicamente, que há outras prioridades, que serão feitas, se este projecto, de grande potencial, não avançar ( até porque não me disseram onde vão aplicar os tais, no máximo mais 750 mil euros, que o Barreiro não vai gastar). O resto já estava aprovado pela Câmara, por unanimidade.
Demonstrem, por A+B, sem retórica, e sem misturar alhos e bugalhos. Só para eu acreditar.
Quem teme esta obra que será um marco histórico no renovar a imagem do Barreiro, na região e no país?
O vão de 40, o vão de 60…, a prioridade rodoviária, a confusão, vão lá vão, lá isso vão!
António Sousa Pereira













