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Inferências

A(nota)mentosPensar Barreiro. Fazer Barreiro

Aquela obra de arte urbana, acrescenta valor ao território, dá-lhe dimensão e e insere-o numa visão estratégica do fazer cidade.

Não é preciso falar, ou criticar a gestões anteriores para fazer o novo, é fazendo o novo que se faz diferente e se inscreve no presente o futuro.

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A(nota)mentos Pensar Barreiro. Fazer Barreiro

Por Jornal Rostos

Fui, hoje, até à zona do POLIS, com a curiosidade para ver, de perto, aquela nova iniciativa de arte urbana Art In Town - Arte Pública no Barreiro, um projecto que resulta de uma parceria entre a ADAO – Associação de Desenvolvimento de Artes e Oficios que, desde há alguns anos, tem vindo a contribuir para embelezar o espaço público e inscrever memórias e história na vida do concelho do Barreiro.

Quando ali cheguei, olhei, observei, senti o espaço, as cores, e, ao olhar o meu pensamento viajava no tempo, pelo país até Braga ao Porto, e, até, voei a Amesterdão. Gostei. Dar dimensão cosmopolita ao Barreiro. Gerar afectos pelo Barreiro. Cultivar o amor ao Barreiro.
Parabéns. Uma ideia gira. Uma ideia que, também, contribui para integrar aquele espaço no conceito de “cidade” que, defendo desde há décadas, que deve estender-se a todo o concelho. O concelho –cidade.
Aliás, está colocado mesmo, ali, nos limites do território da cidade. Aquele território, no plano administrativo enquadra-se nas fronteiras da cidade ( a extinta freguesia da Verderena e a freguesia de Santo André, fora da cidade).
O território da cidade corresponde aos espaços urbanos das antigas freguesias do Barreiro, Verderena e Alto do Seixalinho.

Estive por ali, uns instantes. Sentindo a paisagem. Recordando os dias quando deambulei, saltando os muros das comportas, ao longo da chamada Caldeira do Alemão.
O que isto era e o que isto é…tantas mudanças, muitas delas, na verdade, concretizadas nos últimos 12 anos. Sim, nos últimos doze anos. Estes, na verdade, serão, no futuro, sempre uma referência na vida politica e autárquica do concelho do Barreiro, pode mesmo dizer-se que são uma fasquia que existe, para subir, para quem ache que pode fazer melhor e consegue fazer melhor.

O projecto POLIS nasceu na gestão de Pedro Canário, um grande projecto que incorporava uma área territorial que se estendia até a intervenções na zona de Alburrica e Quinta de Braamcamp. A candidatura foi recusada por um governo PS, liderado por José Sócrates.

Na gestão de Emídio Xavier, com uma reformulação da candidatura, em vez de todo o espaço anterior, na verdade, o projecto ficou circunscrito àquela zona, perto do Bairro 25 de Abril, da Verderena e Santo André. A candidatura foi aprovada, ou pré- aprovada.
Na prática, no terreno, o programa POLIS arrancou na gestão de Carlos Humberto, que herdou, este projecto, da gestão socialista.
Assim, ali, nasceu uma das primeiras intervenções de aproximação do concelho às zonas ribeirinhas.
Recordo outros intervenções foram realizadas posteriormente, visando ampliar a área de intervenção e de ligação do POLIS à zona da «Torralta».

De referir que, nos últimos 12 anos, na gestão de Carlos Humberto as obras do POLIS e da Avenida da Liberdade, foram uma marca dos seus mandatos, que revolucionaram a margem do Rio Coina – aquela linda paisagem que se estende até Palhais e Seixal, com os olhos para o Cristo Rei, em Almada.
As obras estenderam-se desde a zona de Santo André até à Verderena, na Avenida da Liberdade, aproximando a cidade do rio.

Naquela zona, estava em aberto, ainda a requalificação dos terrenos envolventes ao Estádio do Futebol Clube Barreirense e zona do Continente. As garantias bancárias foram desbloqueadas pelo actual executivo municipal e, em breve, ali, as obras vão arrancar e dar uma nova imagem ao território, valorizando mais e mais, aquele espaço do POLIS e atraindo investimento imobiliário .
O POLIS é, sem dúvida, o ponto de ligação entre a cidade urbana, as margens do Coina até Palhais, o Sapal do Coina e a Mata da Machada, com um braço para a zona de Alburrica.
E, numa visão com mais escala, será no futuro a ligação ao Seixal, por uma ponte pedonal, adiada, por falta de visão de futuro, por se pensar «barreirinho«, quando se devia pensar Barreiro.

Foi isso que li, ali, hoje, pela manhã, na zona do POLIS, que o conta é o BARREIRO.
Ao olhar para aquela arte urbana comecei a imaginar, os discursos que vão nascer em torno desta iniciativa, neste tempo, com uma vida local, marcada de batalhas de prós e contras.

Então, dei comigo a pensar que esta obra de arte urbana, de facto, de uma grande simplicidade, pode ser tomada como um grande exemplo de reflexão sobre a acção politica.

Aquela obra de arte urbana tem uma virtude, de nos vir dizer, objectivamente, como se transformou um território, ao longo de sucessivas gestões – PS e PCP/CDU.
Como a intervenção num território uma gestão herdou de outra gestão, como esta gestão herda de outra gestão, e, a vida transforma-se e a paisagem modifica-se, no tempo, com o tempo, com a vida. O que fica é a obra realizada. Por muito que os discursos políticos queiram apagar a história e reescrever a história, o que está inscrito no terreno – é a obra!

Aquela obra de arte urbana, acrescenta valor ao território, dá-lhe dimensão e e insere-o numa visão estratégica do fazer cidade.
Não é preciso falar, ou criticar a gestões anteriores para fazer o novo, é fazendo o novo que se faz diferente e se inscreve no presente o futuro.
O importante é ter visão de cidade, construir uma visão de cidade, uma concepção de cidade …é isso que falta ao Barreiro. Não é de hoje, é de há décadas, porque nunca existiu um consenso sobre o rumo que se quer para este território – da cidade e o resto...
Ao longo dos anos, principalmente com o processo final de desindustrialização, a autarquia assumiu-se como um dos principais empregadores. Isto, a juntar a estratégias de municipalização da vida local – no plano cultural e desportivo, na solidariedade social, foi assim, tem sido assim, continua assim, razões porque não nasce um debate sério sobre a cidade e, igualmente, sobre cidadania.
Hoje não se discutem politicas. Hoje, há guerrilha politica urbana.
Tudo isto, ao longo dos anos, em nada tem contribuído para promover uma debate sério, que avalie a sério das diferenças, que se encontrem caminhos, que ajudem a pensar Barreiro e a fazer Barreiro – afirmar e fazer a nossa diferenciação na região.

Olhei aquela palavra BARREIRO. Pensei Barreiro, a terra onde aprendi a sentir a palavra Liberdade. Pensei Barreiro, a terra que tem no seu viver quotidiano a palavra solidariedade.
Pensei Barreiro e, senti, que com esta palavra viajo pelo mundo…
Vamos lá Barreiro… eu gosto de viver aqui, e, sem dúvidas, com todas as diferenças – Pensar e fazer Barreiro!

António Sousa Pereira

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