Barreiro – Rosto da Semana«Ginjinha de Natal» o sentir da coesão social barreirense

Por Jornal Rostos
A «Ginjinha de Natal», ao fim da tarde, no dia 24 de Dezembro, com origens em movimentos jovens nos anos 80/90, que outros, dizem, ter raízes operárias, que se manteve e cresceu, sem patrocínios municipais, sem reconhecimentos municipais, era, de facto um ponto de encontro anual para rever amigos, reencontrar rostos que partiram e, neste dia regressavam, para um caloroso abraço ou beijo, inscrevendo na vida a palavra BARREIRO, como um sentimento único, esse, que muitos de nós, desde sempre aprendemos a viver no respeito das diferenças. Esse sentimento que nasceu na cultura da fábrica, de operários e técnicos, de empregados de escritórios e médicos, de pessoas que sentiam a palavra BARREIRO, como raiz, natural, de uma forma de ser e estar – o Barreiro cool, o Barreiro naif, o Barreiro da Liberdade, o Barreiro provinciano e cosmopolita. O Barreiro sentido como identidade – terra de trabalho e terra para viver.
A ginjinha do Natal era bem um simbolismo de tudo isto, ainda é, um pouco, um simbolismo de tudo isto, por ser natural, um encontro de pureza de sentimentos, feito de um gesto, um único gesto – estar por ali, a conversar, a beber, a festejar, a resistir, a forjar amizades, que se guardam no coração. O empregado, o engenheiro, o doutor, o funcionário público, o professor, o médico, o operário, o católico, o protestante, o socialista, o comunista, o social democrata, o bloquista, o motorista, o bancário, o ateu, o crente…as diferenças, na indiferença.
Um abraço fraterno de quem vive na mesma terra e sente a energia da terra num abraço, que rasga as fronteiras dos conflitos ideológicos, que não é por beber um copo de mãos dadas que deixam de existir, mas, isto é o Barreiro, o mesmo de sempre, aquele que resistiu e lutou para ver nascer Abril, ou que festejou a República, no dia 4 de Outubro, aquele que viu seus filhos nas prisões de Peniche e do Tarrafal, e, quando viaja pelo mundo sentia orgulho em afirmar: “Eu sou do Barreiro”.
É esta a terra dos meus filhos. Que todos os anos lá estão, todos, no meio da multidão, com os seus amigos, com alegria a beber a ginjinha de Natal, antes do encontro da família.
A ginjinha de Natal é este elemento de coesão social barreirense. É, também um evento que trás amigos ao Barreiro, demonstrando como nós gostamos de receber e abraçar quem nos visita.
Este não é, nunca foi um evento municipal, é, um ponto de encontro, um espaço de liberdade. Um evento que teve a sua primeira projecção nacional com uma reportagem na SIC, feita por uma barreirense, Catarina Neves, um sinal que, de facto, de ano para ano, este ponto de encontro, estava a afirmar-se como um momento de referência de promoção e valorização das gentes do Barreiro, nos seus hábitos e costumes. Um terra com uma cultura que está no sangue e se escreve – em cada esquina um amigo!
É esta energia da ginjinha de natal – um ponto de encontro, de convivio.
Fica o registo como ROSTO DA SEMANA, para que se mantenha na sua natureza e essência, com os votos que não se transforme, em mais um evento municipalizado, nem na «ginjinha do marcelo», nem noutra ginjinha qualquer, que fique, isso e apenas isso, que continue a ser por muitos anos …a ginjinha da Liberdade e da Amizade.
António Sousa Pereira













