Setúbal - Costa da Arrábida e o estuário do Sado duas zonas protegidasTêm um papel chave na manutenção da biodiversidade marinha
"Já perdemos as pradarias marinhas da costa da Arrábida e a população de golfinhos do Sado encontra-se muito reduzida.
As extensas dragagens previstas para o alargamento do porto de Setúbal terão o potencial impacto de aumentar drasticamente a erosão costeira, de fazer desaparecer as pradarias marinhas que ainda subsistem no estuário do Sado e de contaminar a cadeia alimentar.", refere um comunicado subscrito por Clube da Arrábida, Oceans Alive, Associação Zero, Pestana Tróia Eco Resort, SOS Sado.

Por Jornal Rostos
Socorro, Socorro, vão destruir o Sado!
Celebra-se amanhã, domingo, dia 28 de julho, o Dia Nacional da Conservação da Natureza.
Foi com o “grito” simbólico de “Socorro, Socorro, estão a destruir a Mata do Solitário”, que o poeta Sebastião da Gama apelou em 1947 à salvaguarda da Serra da Arrábida, dando os primeiros passos para a constituição, anos mais tarde, do Parque Natural da Arrábida, cujo
43º aniversário também amanhã se comemora. Mais do que nunca, há que ter a coragem de dar prioridade à sua salvaguarda quando se enfrenta novamente um perigo avassalador, as dragagens do Sado. Não podemos deixar desaparecer as zonas que suportam a nossa
sobrevivência e que são cruciais para a conservação da natureza em Portugal e na Europa.
A costa da Arrábida e o estuário do Sado são duas zonas protegidas que têm um papel chave na manutenção da biodiversidade marinha através dos seus serviços de maternidade e zona de alimentação. As pradarias marinhas, os recifes rochosos, os jardins de gorgónias e as
florestas de algas são habitats que suportam espécies emblemáticas, como o boto, o cavalomarinho, a baleia-anã, raias, tubarões e golfinhos, e em particular, a população residente de roazes do Sado. Para além disso, suportam espécies de interesse comercial e gastronómico como o choco, o polvo, o lingueirão, as ostras, o salmonete, o robalo, a dourada, o carapau e a sardinha. Dadas as inúmeras pressões e a insuficiente proteção, estes habitats e espécies estão hoje em estado fragilizado.
Só a conservação efetiva destes locais, permitirá garantir um refúgio e a oportunidade para estas espécies se manterem. Para isso, o governo português deve aprovar o alargamento do Sítio de Interesse Comunitário (SIC) Estuário do Sado e a criação do SIC Costa de Setúbal, integrando estes SICs como parte de rede ecológica europeia (Rede Natura 2000) que visa assegurar a biodiversidade num estado de conservação favorável. Mais ainda, deve pôr em marcha planos de gestão destes SICs que tenham como meta não viabilizar as atividades e interesses económicos que põem em causa a manutenção do património natural.
Já perdemos as pradarias marinhas da costa da Arrábida e a população de golfinhos do Sado encontra-se muito reduzida. As extensas dragagens previstas para o alargamento do porto de Setúbal terão o potencial impacto de aumentar drasticamente a erosão costeira, de fazer desaparecer as pradarias marinhas que ainda subsistem no estuário do Sado e de contaminar a cadeia alimentar. A degradação das pradarias também tem como consequência a libertação do carbono armazenado por estas plantas no fundo marinho.
Neste dia em que se celebra a conservação da natureza, este é um apelo ao governo português, tal como Sebastião da Gama fez ao governo de então, para ser o responsável pela sua salvaguarda reforçando as medidas e esforços que têm sido realizados nesse sentido.
Setúbal, 27 de julho de 2019













