Rosto da Semana - BarreiroBruno Vitorino – a hora de abrir a «caixa de pandora»

Por Jornal Rostos
Na última reunião da Câmara Municipal do Barreiro, Bruno Vitorino, apresentou proposta de atribuição de subsidio visando a concretização de um furo de captação de água, destinada à rega do relvado natural do Estádio Alfredo da Silva. A proposta foi aprovada por unanimidade. O subsidio será atribuído se a construção do furo for autorizada, pela APA – Agência Portuguesa do Ambiente.
No decorrer da reunião foi referido que nos critérios de apoio ao Movimento Associativo deviam existir apoios específicos para os clubes e associações com instalações próprias.
Igualmente foi salientado que o complexo desportivo do Fabril é de grande importância para o concelho do Barreiro, assim como que, o mesmo, devia tornar-se sustentável.
Este debate e reflexão em torno do indispensável apoio ao Grupo Desportivo Fabril vem colocar na agenda politica local uma matéria que devia merecer um amplo debate politico ao nível local, não daqueles debates políticos de confrontos partidários, mas daqueles debates políticos cujo objectivo é pensar a politica da polis, do fazer cidade e fazer cidadania.
De há muito que este temática das instituições com instalações próprias devia ter merecido uma ampla reflexão.
Na verdade, quando da discussão dos critérios de apoio ao movimento associativo o assunto teve uma tímida abordagem, e foram contemplados critérios de apoio com base na comparticipação de candidaturas, apresentadas ao Poder Central.
Igualmente, quando do debate da estratégia para o Barreiro 2030, foram abordadas linhas de pensamento condutoras a uma nova visão sobre este património local, que sendo de associações é património da comunidade.
Percebe-se que numa autarquia com dificuldades financeiras estruturais, ao longo de décadas, que existissem receios e dificuldades de assumir compromissos neste âmbito. Os passos dados foram sempre insuficientes.
Quando de uma debata sobre associativismo, promovido pelo Partido Socialista, na pré campanha eleitoral, como prelector convidado, para abordar a temática do associativismo no fazer cidadania e fazer cidade, este foi um dos temas que abordei e defendi, apontando a necessidade de existirem programas com visão a uma década visando a recuperação e a intervenção sistemática de recuperação e renovação das instalações de associações que fossem sua propriedade.
Defendi e defendo que estes espaços, são espaços de cidadania, são largos da terra, são ponto de encontro da comunidade e a sua requalificação, significa o mesmo que fazer “rotundas”, “jardins”, “praças”.
Requalificar as instalações próprias é requalificar o edificado, o património local que é da comunidade.
Para tal tinha que existir no âmbito dos critérios, ou numa abordagem diferenciada, estratégia de apoio, programas de parceria – associação, poder local, poder central – visando a requalificação. O assunto é polémico. O assunto não é pacifico, até porque, metem-se pelo meio conceitos de “privado” e “público”. Enfim, as tais coisas para complicar, em vez de descomplicar, ou para empurrar para a frente com a barriga sem querer encontrar soluções.
Esta proposta de Bruno Vitorino, justamente aprovada por unanimidade, vem abrir a «caixa de pandora» sobre este tema e impõe que se faça um amplo debate no que diz respeito à introdução desta temática nos critérios de apoio ao movimento associativo.
Todas as instalações de associações que são propriedade são parte integrante do património da comunidade, por essa razão, valorizar, preservar, requalificar, é, sem dúvida dar qualidade de vida à comunidade, é valorizar a cidade e valorizar a cidadania.
Bruno Vitorino, ao levar a proposta sobre o património do Fabril, e, diga-se, muito bem, abriu a «caixa de pandora» sobre esta matéria. Os associativistas e o políticos locais têm, agora, nas suas mãos, um desafio. Um debate que abre portas ao futuro.
Por essa razão, aqui fica, merecidamente a distinção a Bruno Vitorino, de Rosto da Semana.
S.P.













