Saltar para o conteúdo
Inferências

Caminhemos serenamente!Por António Sousa Pereira
Barreiro

Sabemos que a vida é uma barca.
Pegamos nos remos. De nervos vergados nos braços e nas mãos, rasgamos as ondas, porque, afinal, cada um de nós é uma gota deste mar imenso onde navegamos, com a consciência que, sem dúvida, será na força de cada um, no fazer de cada um, no ser de cada um, que se forja a energia que será a força de todos. Vamos porque, o caminho tem muitas pedras para ir adiante, e, temos muitas para remover.
Caminhemos serenamente!

3 min de leitura
Caminhemos serenamente! Por António Sousa Pereira Barreiro

Por Jornal Rostos

É nestes dias que sentimos a sombra e o silêncio percorrendo a loucura do tempo feito impossível, feito de ausência, feito de miminhos, feito do corpo dentro do nosso corpo. As nossas mãos beijam. Amamos. Sorrimos. Abraçamos, cúmplices na solidão.
O vento. O sol. O luar. O mundo. Os cães e os gatos, como diz o poeta, esses, também existem. E os pássaros que nos ensinam a voar.
Entramos no átrio da catedral que é o nosso corpo, como quem mergulha num riacho que se estende numa planície verdejante. Rezamos, de punhos fechados, com uma ira contida nos nervos. Cada um reza ao Deus que tem no seu sangue, pode ser esperança, pode ser vontade, pode ser cosmos, pode ser amor, sim isso, pode ser amor, apenas amor. Humanidade. Essa humanidade que aplaude e canta, num coro de fraternidade.

O medo que faz cantar. O medo que faz sonhar. É nestes instantes que, emocionados, sentimos a beleza e o sublime da natureza humana. Ser humano, apenas humano. Criativo. Solidário. Universal.
Caminhamos num encontro de olhares feitos de uma raiva impotente. Incapacidade de parar o tempo que nos consome. Não há fronteiras. Sabemos que não há fronteiras. Macrocosmos.

Olhamos o horizonte e descobrimos na paisagem uma porta que se abre, a única real, aquela que nos empurra para dentro de nós mesmos. Sentimos que a sombra é o espelho e o silêncio. Respeito, porque, afinal, tudo é real e inesperado. Microcosmos.
Uma lágrima pode esconder-se, num canto dos nervos, como quem nega o sabor da palavra Liberdade.

O sol secou na sombra da solidão. A lua embebedou-se no silêncio. O vento encharcou-se nas gotas do mar. Acreditamos. Descobrimos a porta do coração. Somos comunidade. Somos humanidade.
Cada um de nós está só, e sente o calor de todos, unidos, que vivemos um combate feito de passado e presente, florindo na angústia do esquecimento.

Plantamos uma semente no cérebro, essa, que se escreve na vontade de regresso ao futuro, esse futuro que emerge, hoje e aqui, no silêncio de um grito que ilumina, sem saber para onde vamos, sem saber se há regresso, mas, sempre, em cada solidão nascendo a força de todos. Sentimos essa dor que nos olha por dentro do coração. Sabemos que a vida é uma barca.

Pegamos nos remos. De nervos vergados nos braços e nas mãos, rasgamos as ondas, porque, afinal, cada um de nós é uma gota deste mar imenso onde navegamos, com a consciência que, sem dúvida, será na força de cada um, no fazer de cada um, no ser de cada um, que se forja a energia que será a força de todos. Vamos porque, o caminho tem muitas pedras para ir adiante, e, temos muitas para remover. Caminhemos serenamente!

António Sousa Pereira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção