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Inferências

InferênciasBasquetebol – um mote para pensar a cidade

No FCB, quer queiramos, quer não queiramos, ao longo dos anos, sempre se viveu alguma conflitualidade entre o binómio Futebol – Basquetebol.
Para uns o Futebol deveria ser a actividade central do clube.
Para outros o Basquetebol é um peso que afecta o seu desenvolvimento.
Será que o FCB e a cidade tem condições para manter o seu Futebol e o seu Basquetebol?
7 min de leitura

Por António Sousa Pereira

O Basquetebol no Barreiro é uma modalidade com tradição.
O Basquetebol no Barreiro escreveu páginas gloriosas no Basquetebol nacional.
O Basquetebol, ao nível nacional, já reconheceu nomes do Barreiro como homens que contribuíram de forma positiva para a valorização da modalidade – Zeca Pereira, Manuel Fernandes, Armindo, entre outros.
Mas, seria importante, nos dias de hoje, perante a realidade económica e perante os factos reais que afectam o futuro próximo da cidade, desenvolver-se um debate aberto e participado, sobre o futuro do Basquetebol no Barreiro.
Há dias, em casa, ao ver em directo, na Sport TV, o jogo Barreirense – Benfica, senti emoção e uma alegria enorme de ver a minha cidade e aquele lema – Barreiro Cidade Desportiva – nos ecrans do meu televisor. Isto, é um custo beneficio incalculável.
Senti como é positivo para a promoção da imagem da cidade e marcar a nossa presença ao nível da alta competição.
Mas será que nós temos condições para manter essa presença?
Será que a cidade vive e está disponível para protagonizar essa presença?
Devíamos, todos os que vivem e gostam do Barreiro, da cidade, da sua vida associativa e desportiva, sermos capazes de num debate franco e aberto analisarmos esta realidade.
O Basquetebol no Barreiro está numa encruzilhada. Não sei se é uma “crise de crescimento” ou se é uma “crise de estagnação” ou até mesmo uma “crise de mudança”.
Até onde conseguirá o FCB aguentar ?

O Pavilhão adiado...

Tudo começou nos tempos do PCP/CDU com a criação do Plano de Desenvolvimento do Basquetebol. Uma ideia positiva que envolvia um projecto de acção da formação até à alta competição, isto, numa cidade que nem sequer tinha um Pavilhão com condições para a prática do Basquetebol ao nível da alta competição.
Enquanto a construção do Pavilhão do FCB era empurrado e foi empurrado para as calendas, por vezes, mesmo com financiamentos projectados. Complicações?!
Depois o Projecto PER criou as condições para a construção de um Pavilhão que, esticando daqui, esticando dali, ficou apto e com as condições minimamente necessárias para receber a realização de provas da Liga.
Aliás, tudo indicava que, a curto prazo, pelas regras da Federação, o FCB seria obrigado a disputar os seus jogos no Pinhal Novo ou no Seixal, como já por vezes acontecia.
O Futebol Clube Barreirense pelas suas escolas, pelas suas classes de cadetes, pela sua actividade de formação, poderia ser o clube com condições para fechar o círculo de um projecto com grandes ambições.
Há projectos e sonhos. Em termos desportivos surgem resultados que permitem pensar a participação do clube na Liga.
Um ano adia-se porque não havia nem Pavilhão, nem verbas suficientes.
Noutro ano, com o apoio do BES e o contributo “indirecto” da autarquia criam-se condições para que o FCB, de forma digna, se apresente de cabeça erguida na prova máxima do Basquetebol nacional.
Só que uma coisa é chegar à Liga, outra coisa é criar condições para que o clube se mantenha na Liga.
Uma Liga que exige orçamentos de milhares de euros e a contratação de atletas americanos.
Os atletas que vão emergindo das escolas do FCB lá vão partindo para outras paragens.
O Galitos desenvolve o basquetebol e, surge, naturalmente, como uma opção alternativa, para alguns jovens.
O Fabril vai mantendo a sua Secção e dava algumas cartas.

Futebol versus Basquetebol

No FCB, quer queiramos, quer não queiramos, ao longo dos anos, sempre se viveu alguma conflitualidade entre o binómio Futebol – Basquetebol.
Para uns o Futebol deveria ser a actividade central do clube.
Para outros o Basquetebol é um peso que afecta o seu desenvolvimento.
Será que o FCB e a cidade tem condições para manter o seu Futebol e o seu Basquetebol?
Não percebo nada do mundo do Basquetebol, nem percebo nada do mundo do Futebol.
Gosto, meramente, como “observador” das emoções que estas modalidades permitem viver.
E, como cidadão, que deseja o melhor para a sua cidade, penso que é importante, na encruzilhada actual, de grandes dificuldades financeiras, sermos capazes de encontrar uma estratégia de acção.
Quantas vezes ouço dizer que, com as verbas do Basquetebol seria possível desenvolver outras modalidades e outros projectos desportivos.
Isto inquieta-me. Isto causa-me interrogações.
É que na vida, a solução mais fácil é encontrar um “bode expiatório” e custa-me que a reflexão sobre o desenvolvimento do desporto no concelho do Barreiro, se limite a encontrar um “culpado” – o Basquetebol.
Mas, de facto, também penso que o FCB, dificilmente, só por si, consegue manter o Basquetebol ao nível da alta competição.
Isto exigirá opções. Isto exigirá reflexão dos dirigentes e associados do FCB.
O FCB, por este andar, a curto ou médio prazo tem que tomar opções. Opções difíceis. Mas terá que decidir.
Penso que é muito, mesmo muito difícil, o FCB conseguir manter, ao mesmo nível – Futebol e Basquetebol.
E, para o FCB, será negativo que o clube se divida em debates estéreis, de prós e contras.
Será necessário debater, discutir e avaliar com frieza, e, eventualmente, como opção estratégica, definir-se com algum rigor a modalidade de referência do clube.
É um debate que se impõe perante a crueza dos números.

Encontrar soluções

Para desenvolver e planificar trabalho desportivo e afirmar o conceito “Barreiro Cidade Desportiva” é preciso equacionar um Plano de Desenvolvimento Desportivo, analisado, discutido e participado com os protagonistas.
Isto nunca foi feito no Barreiro. Isto tem que ser feito no Barreiro. Modalidade a modalidde. Referenciando clubes, definindo estratégias de curto e médio prazo e com avaliação permanente de resultados.
Há uma herança do PCP/CDU. Como superar essa herança? Passa por todos nós, conscientemente, sem “bodes expiatórios”.
Recordo que a Federação Portuguesa de Basquetebol tinha um Projecto, de construção de um conjunto de Pavilhões, ao nível nacional, estilo Pavilhões Multiusos da Expo.
Será que esse seria um projecto a contemplar na Cidade do Barreiro?
Será que no âmbito do Masterplan esta poderia ser uma matéria a contemplar?
Será que a eventual construção de um Pavilhão Multiusos permitiria a realização de um conjunto de iniciativas anuais que poderiam contribuir para o desenvolvimento autosustentado de uma equipa de Basquetebol?
Será que a afirmação da centralidade do Barreiro, na AML, também pode passar por aqui ?
Será que o nosso tecido económico e o nosso poder de compra sustenta um projecto desta dimensão?
Estamos num encruzilhada. Temos que ser capazes de encontrar soluções.
Não me parece que o menino deva ficar apenas nas mãos do FCB.
Também, igualmente, não me parece que a “bola” tenha que ser remetida para a Câmara Municipal do Barreiro.
Em discussão, está, como questão de fundo – o Barreiro e a sua presença no desporto de alta competição.
Vejamos o exemplo da Vela, no apoio à equipa de Álvaro Marinho e Miguel Nunes, a colaboração entre o tecido empresarial, a autarquia e o envolvimento pleno dos atletas.
Sabemos que, de certa forma, este é um micro exemplo perante a dimensão de outras modalidades mas, de facto, este exemplo prova que é na cooperação, na procura conjunta de caminhos – empresas, autarquia, protagonistas desportivos – que se encontram os caminhos...
É hora de definir estratégias. Não podemos querer fazer figura de ricos, quando as condições não permitem...de contrário não passamos de um “novo riquismo”, aquele que, afinal, ao longo de anos nos conduziu até aqui...

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