No Barreiro e no Distrito de Setúbal«Rostos» - o mais antigo órgão de comunicação ao nível digital
Somos, com muito orgulho, uma página inovadora escrita e inscrita na história da imprensa regional da nossa região.

Por Jornal Rostos
Hoje, neste dia 15 de Dezembro de 2020, assinalamos os nossos 19 anos de vida, e, aqui e agora, começamos a nossa caminhada para o vigésimo aniversário.
Quem nos diria quando, no fim daquela tarde de Dezembro, no Restaurante «Casa Transmontana», apresentámos a nossa primeira edição impressa que, após duas décadas, continuávamos presentes na vida da cidade do Barreiro e na região.
Cá estamos mantendo vivo o único título de imprensa regional que, com heroicidade é editado num concelho marcado pela decadência económica, pela perda demográfica, pelo envelhecimento da população, que sente e vai sentir durante algumas décadas os efeitos quer da desindustrialização, quer de outras crises de âmbito nacional – troika - ou internacional, do imobiliário e financeira, cujos reflexos são sentidos quer na vida dos cidadãos, quer na vida das comunidades.
Cá estamos e enquanto o sonho for sonho e enquanto a vontade de viver o jornalismo de proximidade com paixão, como quem sente o pulsar da comunidade, nas palavras que nascem no coração, cá estaremos.
Enquanto sentirmos que damos um contributo para pensar e fazer cidade, cá estaremos.
Sim, cá estamos e estaremos enquanto sentirmos a força da palavra, como forma de fazer cidade e cidadania, enquanto permitirem que o jornalismo, mesmo que mera semente local e regional se afirme como espaço fazedor de intervenção civica, de fazer cidadania, de dar voz à cidade, de respirar Liberdade e democracia.
É por isso que este dia tem um significado enorme. Recordamos com emoção aquele encontro, ali nas margens do Tejo, entre o centro da cidade e a zona industrial, no espaço urbano onde o Barreiro vivia com intensidade – o Largo das Obras – ali, no dia 15 de Dezembro de 2001, estiveram connosco a festejar o nascimento do menino muitas personalidades da vida local, destacamos a presença dos candidatos à presidência da Câmara Municipal do Barreiro nas eleições autárquicas que iriam realizar-se no dia seguinte a 16 de Dezembro: Carlos Mauricio, PCP/CDU; Emidio Xavier, PS, Mendes Costa, PSD, e, Mário Durval, BE.
Este era um exemplo vivo que iria marcar a nossa vida nestas duas décadas, o respeito pelas diferenças e o pluralismo.
Nunca confundimos opinião com o fazer noticia. Nunca deixámos de fazer noticia com memória e com verdade.
Ah, é verdade, sempre, enquanto Director, nunca deixei de ter a minha opinião, a minha visão do mundo e dos acontecimentos. Não me considero possuidor da verdade. Mas nunca deixarei de dar a minha opinião.
No dia que deixar de ser assim, por imposição de leis, ou por qualquer outra razão, sim, nesse dia o jornal «Rostos» deixará de ser o que sempre foi – livre e independente. Este é um jornal que nunca teve um preço. Nunca esteve à venda. Nem nos dias duros da troika, nem nos dias que as palavras ficavam presas na ausência de dentes para cantar os dias.
O jornal «Rostos» foi o primeiro órgão de comunicação social regional com uma edição ao nível digital no concelho do Barreiro, e, o segundo no distrito de Setúbal.
Este que foi o primeiro título de imprensa registado no concelho do Barreiro e no distrito de Setúbal no começo do século XXI.
Este que é hoje o projecto de comunicação social regional ao nível digital mais antigo no distrito de Setúbal e um dos pioneiros em Portugal.
Mantemos vivas as linhas iniciais do nosso projecto de comunicação local e regional, esse que tem por essência uma concepção editorial, uma linha de pensamento estruturante – dar rostos à cidade, porque uma cidade se é uma identidade colectiva, todos os dias, ela, é construída e erguida pela acção de homens e mulheres, pessoas com rostos, pessoas que são um «eu», que se junta a outro «eu», e, é pela acção de muitos «eus», que se faz o «nós» - a cidade.
Este era um desafio importante, num tempo que as novas tecnologias começavam a dar os primeiros passos e a globalização era uma porta aberta à perda de identidades locais, regionais e mesmo nacionais.
E, nos dias de hoje, com as redes sociais, com os efeitos de uma pandemia que nos isola, cada vez mais, é essencial dar rostos às cidades, cultivar a cidadania colaborativa e participativa.
Quando, no dia 15 de Dezembro de 2001, ao fim da tarde no Restaurante «Casa Transmontana», foi apresentada a 1ª edição impressa, foi o começo de uma grande aventura, por aqui passaram jovens que deram os primeiros passos no jornalismo.
Por aqui escrevem, de forma voluntária muitos colaboradores e colunistas, enriquecendo as nossas páginas com a diversidade de opiniões.
O jornal «Rostos» continua a ser um sonho de quem acreditava e acredita que é possível, neste país, construir um projecto de comunicação local e regional, independente, respeitador das diferenças, uma porta aberta à Liberdade.
Está vivo porque tem por base uma equipa que é uma familia. A todos o meu agradecimento ao Miguel, à Xana, à Lurdes, à Marta, à Rita, ao Neves, todos eles, de forma voluntária, dão contributos essenciais, sem todos eles, no apoio e carinho nas horas que é preciso não baixar os braços, sem dúvida o jornal «Rostos» já tinha fechado as portas. Obrigado.
Obrigado aos empresários e instituições que nos apoiam. Obrigado aos nossos leitores.
Vamos promover ao longo de 2021 um conjunto de iniciativas para assinalar este tempo de 20 anos a dar Rostos à cidade.
Eu tive um sonho no começo do século XXI promover a criação de um jornal regional livre. É dificil mas não é impossível. É assim como o colibri, uma gota de água que faz sonhar com um mundo melhor, e, faz pensar que é belo sonhar.
Continuaremos - Resilientes. Insubmissos Apaixonados. O que é feito com amor vive de amor. Das sementes pequeninas nascem flores, frutos e até as florestas.
Eu sonho, e espero nunca deixar de sonhar com essa Liberdade, essa que sinto e vivo, que tem uma linha directa da palavra ao coração.
Obrigado!
António Sousa Pereira
Director do jornal «Rostos»













