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Inferências

Rota 66 – Pelo Barreiro, pelo mundo...Da principal «entrada» do Barreiro à indignação de Bruno Vitorino

Na Rota 66 de hoje, neste dia que assinala os 110 anos da morte de Fialho de Almeida, o homem que se deslumbrou com os moinhos de Alburrica, aqui ficam dois registos, a indignação de Bruno Vitorino, na reunião de Câmara, e, a visão estratégica sobre as ditas «entradas» do Barreiro, que, cada vez mais, e mais, são rotundas de saídas pela manhã e entradas ao fim do dia.

4 min de leitura
Rota 66 – Pelo Barreiro, pelo mundo... Da principal «entrada» do Barreiro à indignação de Bruno Vitorino

Por Jornal Rostos

A Rota 66, uma rubrica para comentar a vida, porque uma das missões do fazer jornalismo é comentar a vida. É a vida democrática a pulsar.

A indignação

Na reunião da Câmara Municipal do Barreiro, ontem, Bruno Vitorino, vereador responsável pela área do empreendedorismo no executivo municipal, referiu que tem trabalhado muito no projecto e vai continuar a trabalhar pelo desenvolvimento da «Starup Barreiro», apesar, de não ter sido convidado para a visita às obras.
É compreensível a posição de Bruno Vitorino, sendo um dos grandes defensores desta proposta, e, sabendo-se que está na origem da sua implementação politica, não se percebe, agora, que na primeira visita oficial do executivo municipal à obra, no seu arranque, não tenha existido a delicadeza institucional e óbvia de ter sido informado e convidado a integrar a comitiva que se deslocou a visitar a obra, posando, com o direito de ser um dos fotografados e até estar presente no futuro video que deve estar a ser editado. Parafraseando alguém, não seria a mesma coisa se a visita não tivesse video com projeções tridimensionais do futuro.
Pronto, para já, para história, deste projecto, nos registos fotográficos do arranque da obra, Bruno Vitorino, foi eliminado.
Apesar de ter sido dito, na reunião, que pode visitar a obra quando quiser, de facto, naquela reunião de Câmara faltou um pedido de desculpas.
É justa a indignação de Bruno Vitorino.

Principal entrada e principal saída

Um destes dias lia na rede social linkedin, um texto de uma personalidade fundadora da «Plataforma 2830», que anunciando a obra da rotunda e arranjos envolventes, na Avenida da Liberdade, referia que esta era “outra obra estratégica” que vai promover a “qualificação paisagística da principal entrada do concelho para quem vem de Lisboa”, acrescentando que são “mais de 20 mil pessoas diariamente”.
Fiquei a pensar sobre este texto, sobre as razões que podem levar a escrever esta narrativa. A principal entrada do concelho por onde diariamente passam mais de 20 mil pessoas.
A informação que constava, no ano 2019, era que nas ligações de barco do Barreiro para Lisboa circulavam diariamente uma média de 30 mil passageiros, se agora, são 20 mil é porque se verifica uma grande redução. Será mesmo?

Mas, este facto, leva a comentar que aquela área urbana não é nenhuma entrada do Barreiro, é, isso, apenas isso, uma rotunda – um interface de transportes – que tem dois momentos de pico, de manhã, para sair do Barreiro, rumo à vida, à tarde, para regressar ao Barreiro, rumo ao descanso. Isto quer residentes do concelho do Barreiro, no concelho da Moita e, até, do concelho de Palmela.
É um ponto de passagem, um local para sair dos carros para o barco, do comboio para o barco, do autocarro para o barco, pela manhã, e, o contrário à tarde, do barco para o regresso a casa.
Uma entrada do Barreiro. Era bom que fosse, porque isso significava que seriam muitos que nesta margem tinham emprego, ou que era tal a atractividade do concelho, que, diariamente, muitos lisboetas – turistas ou não – se deslocavam por esta entrada para estimular a vida económica local.
O que me admirou nem foi por ser referido o espaço como uma entrada no concelho, mas, foi, isso sim, ter-se esta visão estratégica, quando se fala em gestão do território e nas suas funcionalidades, usar o conceito que esta é a «principal entrada» do concelho, quando antes de ser entrada, é, isso sim a «principal saída».
Percebo, só assim, com este modelo de pensar a gestão territorial, se pode falar que aquela é uma obra estratégica. Fica o registo. É vida.
E por hoje fico por aqui, divirtam-se,

S.P.

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